A prova dos seis…
A discussão do chamado “Documento Verde”e o resultado final a que se vier a chegar, e refiro – me, quer à discussão, quer ao resultado, tanto ao nível nacional, como regional, constituirá uma ocasião soberana para se poder concluir quais as organizações políticas, e muito em especial os partidos, e entre estes ao que têm assento parlamentar, que têm na verdade como objectivo fundamental servir os cidadãos e não deles se servirem para obter somente interesses partidários, tendo em vista captar o inevitável descontentamento que qualquer reforma por norma origina, e muito em especial quando a mesma se centra numa matéria tão sensível, como a que estará em causa.
Aceita-se e compreende-se perfeitamente – e isso constitui a essência da democracia – a existência de opiniões diferentes, baseadas em filosofias e princípios políticos diferentes, mas quando há “liberdade”, sem limites, passe o exagero, para que todas as opções tenham, nem que só mesmo academicamente, razão e espaço para serem discutidas, mesmo que sabendo-se que, desde o início se encontrem condenadas ao fracasso. A não aceitação deste princípio só poderia partir de quem tivesse da democracia uma visão muito, no mínimo, redutora. Situação completamente oposta surge quando, como sucede com a reforma administrativa prevista, as regras do jogo, por muito que tal custe aceitar, até pela tácita aceitação de perda de independência que tal implica, estejam, como lamentavelmente sucede, de antemão estabelecidas e o “campo de manobra”já se encontra perfeitamente delimitado, permitindo apenas a adopção de algumas tácticas, mas com uma estratégia perfeitamente definida e sem qualquer alternativa. E aqui impõe-se pragmatismo total, sob pena de se perderem energias a debater eventuais soluções que se encontram condenadas à nascença e, desta maneira, se perder a noção do fundamental e imperioso, a favor do meramente utópico, face a uma situação do”posso, quero e mando”…É deprimente, e mesmo humilhante, ter de aceitar o que se apresenta como uma realidade irrefutável, a não ser que seja levada à prática a filosofia, agora com o sabor de Paris, de José Sócrates – não se pagam as dívidas – ou se confie ao normalmente inseguro, por também por norma não se definir, mesmo no interior do seu partido, José Seguro, a missão de inverter a posição da troika, para o que contará com a extraordinária influência e peso de que desfruta perante Merkel s Sarkozy…
Assim, penso que apenas restará o imperativo de todas as forças intervenientes, políticas ou não, procurarem encontrar o maior consenso comum, através de uma solução em que os verdadeiros interesses dos cidadãos – e exclusivamente estes interesses – sejam salvaguardados, aliás como em todas as situações devia suceder. E para que tal suceda é imperioso e de interesse nacional que todo e qualquer interesse partidário e de apego ao poder, a que frequentemente se junta o interesse financeiro, nem sequer seja pensado…
Conheço perfeitamente, até porque quase diariamente ando no terreno, a tentação que muitos sentirão em aproveitar as diversas reacções das populações, de alijar responsabilidades, endossando – as a terceiros…Como se outra solução existisse, para além da que nos é imposta e em relação à qual todos somos, cidadãos e forças partidárias, responsáveis Sejamos, por menos uma vez, honestos, moral e intelectualmente – o que se me afigura venha ser extraordinariamente difícil, face ao que tem sido o comportamento corrente de todos os intervenientes – e ninguém poderá ser apresentado como vencido, pois que apenas haverá um vencedor: Portugal!
E porque muito do desenrolar de todo o processo e do seu êxito depende em grande parte, para não dizer exclusivamente, do comportamento das forças partidárias, muito especial no que diz respeito às que têm assento no parlamento, aqui fica a justificação para o título desta modesta contribuição, de alguém a quem apenas move o desejo de tentar esclarecer e alertar…
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