domingo, 7 de maio de 2017

E o abismo aproxima-se...

Um país em acelerado processo de autodestruição…
Não sendo especialista em finanças ou economia, há situações que, de modo algum, posso deixar passar sem a formulação de qualquer comentário, quer pela sua natureza, quer pela sua dimensão, muito especialmente quando está em causa a sobrevivência de Portugal, como país independente. Sucede que a realidade concreta do actual estado da nação-e não há demagogias, ou mesmo mentiras, que vençam a frieza, mesmo quando cruel, dos números- me obriga, até como mero princípio de Cidadania, a lançar um sentido “Grito de Alerta”
E são os números, precisamente, que motivam esta Nota, números que permitem conhecer os valores de dois vectores fundamentais para a “saúde” do país: o “Deficit”, relativo ao período de um ano e a “Dívida Pública”, valor de que o Estado, externa e internamente, através dos seus diversos compromissos financeiros, é devedor.
Acontece que, principalmente por parte dos actuais governantes, sucedem-se as manifestações de satisfação pelo resultado conseguido relativamente ao Deficit do ano findo, enquanto muito poucas referências merece o valor da “Dívida Pública”, registada no final do mesmo ano.
É indiscutível que o valor do Deficit relativo ao ano findo constituiu uma agradável surpresa, merecedora de ser devidamente salientada, mesmo tendo em atenção o eventual recurso a meios pouco ou nada transparentes. De qualquer modo, o resultado oficialmente alcançado, ocupou, durante semanas, o lugar cimeiro na comunicação social portuguesa, sucedendo-se as entrevistas, debates, artigos de opinião e quejandos, o que permitiu passar para segundo plano uma realidade que afectou, afecta e continuará a afectar, por alguns decénios, as condições de vida dos portugueses, o que significará condenar as gerações mais novas e as que se seguirão, a viverem num país hipotecado e em subordinação total às vontades dos nossos credores. Refiro-me, como facilmente se adivinha, à chamada “Dívida Pública”, já citada nesta Nota. E o seu valor, no final de 2016, era apenas, repito, apenas de 241.100 milhões de €, o que significa 24.000€ por cidadão! Coisa de pouca monta, como facilmente se deduz…Apenas 130%, do PIB (Produto Interno Bruto).
E como também muito facilmente se conclui, todo o ruído que se gerou, com o anuncio do valor do Deficit de 2016, teve o condão de fazer passar para segundo plano o gravíssimo problema do valor da Divida Pública que, ano após ano, vem crescendo, levando o PS e o BE a constituírem um grupo de trabalho, integrando especialistas por eles escolhidos e tendo por missão analisar o caso concreto de Portugal, de modo a obter o valor real daquela dívida e apresentar a melhor solução para resolução do gravíssimo problema, que mina a saúde financeira e económica do país, colocando em alto risco a continuidade de Portugal como país independente, em que apenas o vector território sairá ileso…E, com base nos quantitativos acima referidos, e só repito para que os cidadãos fiquem conscientes do pântano em que estamos mergulhados, a D.P. representa  130% do P.I.B.! Quanto à solução proposta, eis um resumo da mesma: “Alargamento para 60 anos, em alternativo aos 15 presentemente acordados, dos prazos de pagamento aos credores europeus, acrescido da descida dos juros em vigor”. Como seria de esperar, a solução apresentada não foi aceite.
É este o resultado de décadas de politicas verdadeiramente criminosas, em que o interesse público frequentemente se submeteu aos interesses pessoais ou de grupos, através da “Gestão Danosa” da coisa pública! E se no respeitante ao Deficit de cada ano, é possível referenciar os responsáveis pelos resultados obtidos, sejam positivos ou negativos, já no respeitante à D.P. a situação altera-se profundamente, dado ser a mesma resultante do acumular de dezenas de anos de governos incompetentes, salvo eventuais excepções, mas fundamentalmente de governos hipotecados ao poder económico e financeiro e sofrendo a influência nefasta de organizações mais ou menos secretas, influência essa que se fazia e faz sentir nas mais diversas áreas da actividade nacional
Entretanto a corrupção quase que foi institucionalizada, beneficiando de uma justiça que não funciona ou funciona muito aquém do que se pode exigir.
E o mais espantoso, ou talvez não, perante a quase indiferença dos principais lesados, os cidadãos, que com o seu voto, privilegiando por norma sempre as mesmas forças políticas, legitimam nas urnas comportamentos altamente lesivos dos seus justos interesses! E assim, pode ser afirmado que, por acção ou omissão, todos somos culpados…
E, com este comportamento, o futuro dos mais jovens e de gerações vindouras, apresenta-se hipotecado e demasiadamente comprometido.
Porque me recuso a conceder, a filhos e netos, o direito de me acusarem de cobardia, intelectual e politica, por várias vezes tenho lançado alertas sobre o rumo que estamos a seguir e que tudo indica nos conduzirá ao abismo; entretanto, esta Nota significará, não o fim da luta que tenho travado na defesa do que considero o interesse nacional, mas como que o sumário das mais diversas intervenções que, ao longo de muitos anos, me tem sido proporcionado fazer. E, propositadamente, não referi  personalidades nem organizações politicas em concreto, deixando, aos que tenham acesso a esta Nota  e tal pretendam fazer, a tarefa de estabelecer as devidas ligações, entre factos e responsáveis pelos mesmos…
E, por último, aceito, como impõe uma democracia de verdade, diferenças de opinião. A exposta á que traduz o meu pensamento, fruto de uma vivência politica que começou nos meses que antecederam um cada vez mais saudoso Abril e se prolongou até aos dias de hoje.