Grito de revolta de um cidadão!
Antecipando-me a previsíveis criticas, acusando-me de ser
parte interessada no problema e ser essa a razão da minha tomada de posição,
cumpre-me registar que o facto de ser, desde há algumas semanas, dirigente
partidário, em nada influenciou esta intervenção, que assumo como simples
cidadão, que procura manter-se a par da actividade política nacional.
Na verdade, desde há muitos anos que tenho, dentro das minhas
possibilidades e capacidades, denunciado e criticado veementemente todos os
comportamentos que considere contrários aos interesses nacionais ou impróprios
de uma vivência democrática, que se diferencia profundamente do que se
convencionou qualificar de democracia, dado que considero muito mais apropriado
qualificar de partidocracia ou mesmo, frequentemente de ditadura partidária, o
sistema político vigente em Portugal.
E se a análise do comportamento, na pré-campanha eleitoral e
agora em plena campanha, de algumas forças políticas já seria de merecer fortes
reparos, não posso, sob pena de trair a minha consciência, deixar de marcar uma
posição relativamente à anormalidade de factos, que considero profundamente
graves, envolvendo o processo eleitoral, no que diz respeito ao Círculo fora da
Europa.
Na verdade, desde cartas em que o país destinatário é
omitido, passando pela duplicação do nome do eleitor e, pasme-se, pela
existência de situações em que, pura e simplesmente, o boletim de voto não
existe, tudo se verificou, colocando em risco o direito de voto dos eleitores.
E tudo isto afectando precisamente um Círculo Eleitoral em
que era admitida a forte possibilidade de os partidos do arco da governação
perderem um deputado…
Como é lógico, a correspondente queixa foi enviada à CNE.
E, como complemento, desejo registar que o cabeça de lista, residente
em Macau, de um dos partidos concorrentes, deu público conhecimento de ter sido
aliciado, por uma outra força partidária, com a promessa de benesses políticas,
caso renunciasse à sua candidatura! O que, como a Ética e a honestidade
intelectual e política impunham, não sucedeu.
E assim vai a “política à portuguesa”!
É caso para dizer: há, muito particularmente na política, coincidências
muito coincidentes…