Uma Revolução
Tranquila, tendo a PALAVRA como arma
Há muito defensor de que Portugal só mudará de verdade, nas
suas várias vertentes, quando se verificar, em grande parte da população, uma
autêntica revolução de mentalidades, e tendo como certo que tal, a
verificar-se, nunca será a curto prazo, infelizmente, uma notícia ontem
publicitada inspirou-me para convidar os meus amigos a comparticipar numa
tentativa de revolução muito mais simples e para a qual a palavra, oral ou
escrita, é a única arma necessária.
E, antes de mais, a especificação da notícia em causa, semelhante,
na sua natureza, a muitas de que quase diariamente tomamos conhecimento: a
atuação criminosa envolvendo farmácias, medicamentos & compª, parece que
ilimitada. E passemos ao tipo de revolução que sugiro:
Provado está que os partidos não dão qualquer prova de se
auto- regenerarem, permanecendo com comportamentos, através de quem os integra
e principalmente dos seus principais responsáveis, em que a Ética, a verdade e
mesmo o respeito pelo legalmente estabelecido frequentemente são postos
em causa. São verdades irrefutáveis e a prova de tal é o estado a que o pais
foi conduzido, fruto de erros acumulados ao longo de dezenas de anos. E, de
imediato, e para me antecipar a conclusões erradas ou mesmo mal intencionadas, a
afirmação de que considero os partidos pilares fundamentais de uma democracia
de verdade, que não a que tem vigorado em Portugal, muitas vezes mais próxima
da virtual ou meramente formal.
E porque a auto - regeneração dos partidos não passa de uma
miragem, o que nos impede de serem os cidadãos comuns, independentemente das
suas opções políticas, a obrigar as organizações partidárias a alterar
profundamente os seus comportamentos, passando a desempenhar a sua verdadeira e
nobre missão de servir os que dizem representar, em contradição com a forma
verbal que melhor conhecem: servir-se?
Será que a falta de segurança, uma justiça que não funciona,
principalmente quando estão em causa os ricos e poderosos, uma corrupção
galopante, delapidando dia a dia a coisa pública, um sistema eleitoral que
permite a escolha de candidatos unicamente aos partidos, com exceção do
âmbito autárquico mas no qual as organizações independentes têm imensa
dificuldade em se candidatarem, uma constituição eivada de princípios
ideológicos que nada justifica, uma redução do nº de deputados, não serão
matéria que a todos preocupa e que os portugueses gostariam que fosse objeto de
profundas alterações? Missão difícil, dirão uns, impossível, dirão outros, até
pela crise financeira, económica e social que o país atravessa. Embora correndo
o risco de ser considerado um sonhador, que já teve a felicidade de dar uma
pequena ajuda para que o "sonho" de milhões de portugueses se
tornasse realidade, eis o que proponho:
-Que todos os desiludidos com a realidade em que vivemos, aproveitem
todas as oportunidades ou mesmos as procurem para pessoalmente manifestarem de
viva voz, por meios cordatos e sem qualquer tipo de ofensa, todos os dirigentes
partidários, locais, distritais ou nacionais, manifestando a sua discordância
ou mesmo indignação, relativamente às matérias atrás referidas, sem excluir a
Presidência da República;
-Que na impossibilidade de não conseguirem contactos
pessoais, utilizem a escrita, na comunicação social, nas redes sociais ou
através de mails ou cartas para se dirigirem às mesmas entidades e a todos os
grupos parlamentares;
E apenas alguns exemplos em que o
problema financeiro não é o fator decisivo:
Segurança: a substituição de
agentes da autoridade por cidadãos desempregados e auferindo do subsídio de
desemprego, no desempenho de funções meramente burocráticas e administrativas, dispensando
os agentes para a sua verdadeira missão; ter agentes a entregar citações e
documentação semelhante não me parece o melhor aproveitamento de pessoal;
-Dar prioridade à realização de
julgamentos envolvendo situações em que o interesse público esteja em
causa, muito em especial no respeitante a casos de corrupção;
-Alteração da Constituição, envolvendo,
entre outras coisas , o nº de deputados;
-Reformulação da gravidade das
penas previstas para determinado tipo de crimes, de natureza económica e
financeira, não esquecendo situações relativas a ofensa á integridade física ou
mesmo a morte( crimes de sangue)
São apenas meros exemplos do que, muito
mais do que encargos financeiros, é indispensável o empenhamento da classe
política. Aceito perfeitamente que as alterações sugeridas englobam a perda de
privilégios e a possibilidade de diminuição em grande escala de alguns, para ser
muito otimista, dos que dependem as mesmas alterações, mas é a vida, como é
habitual ouvir dizer...
E se os resultados desta
"guerra", em que a palavra é a única que advogo, resta uma outra
arma, infelizmente pouco ou nunca usada por grande parte dos cidadãos, ou usada
contra os inimigos menos perigosos, pela astúcia e demagogia dos que realmente
o são. A ARMA DO VOTO; sim, a arma do voto, mas utilizada num sentido pouco
habitual: o VOTO em BRANCO, que nunca a abstenção, que cada dia ganha, lamentavelmente,
embora por responsabilidade e culpa da classe política, maior dimensão. Será, em
último recurso, o mais forte meio democrático de manifestar à classe política
que nos governa a imperiosidade de mudança radical de comportamento e de
compreender que "O POVO É QUEM MAIS ORDENA"!E isto afirmado sem
qualquer carácter partidário e exclusivamente por ser este princípio que está
na base de uma democracia de verdade. E já pensaram qual a situação com que os
políticos e os partidos se deparariam, se o partido do "voto em
branco" fosse o vencedor, com uma forte maioria? Já alguma vez pensaram em
tal?
E para os que duvidam da
viabilidade desta revolução, em qualquer das duas versões, termino com um
princípio que na gíria militar é quase imperativo: o impossível, faz-se hoje; o
difícil fica para amanhã...
E, quase me ia esquecendo: podem
crer que, no que me diz respeito, não se aplica o ditado envolvendo S. Tomás; e
os que me conhecem sabem bem o quanto tenho posto em prática o que aqui advogo;
por alguma coisa é que, há já dezenas de anos, era conhecido no meio político
em que militava, como o "revolucionário". E isto sem ter alguma vez
feito guerra à minha consciência. Vamos, pois, dar início a esta guerra, tão
decisiva para os destinos de Portugal. E como na guerra das armas, para se
vencer a mesma, é muitas vezes necessário travar sucessivas batalhas. Talvez
que esta seja até mais fácil, exigindo apenas coragem intelectual. Que todos
sejam, neste âmbito, heróis perante si próprios.