Ouvi,incrédulo, que o actual governo se prepara para reduzir substancialmente o número de professores de português no estrangeiro- no caso referido no final do 1º período- e só a repetição da notícia me convenceu não estar a viver um pesadelo, e sensibilizou-me profundamente ver o estado de tristeza,plenamente justificado,de alunos, familiares e de outros intervenientes na situação.
Considero a decisão um verdadeiro crime de lesa pátria, pois que ao eliminar a possibilidade de centenas de jovens,filhos ou familiares de emigrantes, aprenderem ou continuarem a aprender o português, é uma verdadeira extinção de uma valiosa parte da pátria.É que, recordando Fernando Pesssoa,"a minha pátria é a língua portuguesa".E não venham com as desculpas,que agora para tudo servem, até para encobrir, em certas situações,falta de coragem política,de que a crise a tal obriga.Que vivemos em crise, é indubitável,mas muito e muito continua por fazer, no sentido de reduzir despesas absolutamente desnecessárias e injustificáveis, algumas delas já ha muito prometidas mas de que se continua a aguardar a concretização.
Como muitos sabem,fui um acérrimo crítico do anterior governo e muito em especial do então primeiro ministro, mas recuso-me a aceitar que, perante o que foi publicitado, o actual governo não tenha a coragem de rever a decisão,até porque o reconhecimento de um erro só dignifica e prestigia o interveniente.
E eu, que ainda quero dar o benefício da dúvida ao actual governo, e muito em especial ao primeiro ministro, nuinca esquecerei ou mesmo perdoarei, caso a decisão não seja simplesmente anulada, e sentirei vergonha de ter apoiado eleitoralmente quem assim procede: é que conseguiram intervir, negativamente, numa área na qual nem o anterior governo teve a inconsciência de actuar.
E por muito que tal possa desagradar,principalmente aos que consideram PPC e o seu governo como intocáveis, mais uma vez aqui fica expresso o que me vai na alma e na consciência, até porque na base deste meu comportamento está um prejuízo irreparável , caso não seja revista a situação,feita à pátria que tanto amo...Talvez me apelidem de romântico ou de ultrapassado na minha visão;terei de respeitar quem assim o pense, mas nego-me a cortar,um pouco que seja,do meu pensamento ou da minha alma.Se este não fosse o meu modo de estar e de viver,de algumas coisas não me poderia orgulhar de ter feito.É esta a recompensa que tenho dado a mim próprio...
Sem comentários:
Enviar um comentário