Verdades cá para fora;
criminosos lá para dentro…
Uns dias em que fui obrigado a um
ritmo de vida diferente do habitual, pois que me faltou a quase diária marcha,
permitiu-me fazer como que uma reconstituição do que tem sido, até à presente
data, e desde há uns anos, o panorama nacional, no âmbito de certo tipo de
criminalidade, a que Portugal, infelizmente, até parece ter-se habituado, e,
pior que tal, acomodado…
Refiro-me muito em especial aos
crimes, ou ao que tudo indica que o tenham sido, envolvendo personalidades,
individuais ou coletivas, da vida nacional, que, na quase totalidade,
terminaram com a absolvição dos arguidos, ou mesmo a sua não acusação,
prescrições, adiamentos sucessivos, recursos intermináveis e outras mais situações
que a todos os cidadãos honestos e cumpridores das suas obrigações indigna e só
não surpreendem por o prestígio da justiça portuguesa se encontrar “ de rastos”,
e em muitos casos controlada por diversos lobbies financeiros, económicos e de
outra natureza, com destaque para o que já tenho designado por “confraria dos
aventais”…E, quase que sem qualquer esforço de memória, comecei a enumerar,
situações e mais situações, casos sobre casos. Vejamos, então alguns exemplos:
projetos da Covilhã e Castelo Branco, Herdade dos Sobreiros, Freeport, BPN,
BPP, PPPs, SCUTs, Face Oculta, Aterro sanitário da Cova da Beira, Universidade
Independente, Duarte Lima, Isaltino Morais, Dias Loureiro, SLN, LISCONT, TGV,
Ota e aeroporto de Beja, Estradas de Portugal, Serviços Secretos…Penso que são
exemplos bem elucidativos, mas um pequeno esforço de memória de certeza que
permitiria reforçar fortemente esta lista. Que me desculpem todas as ilustres
entidades e personalidades de que me tenha esquecido, mas o errar é humano e
não houve qualquer falta de consideração... Mas – que lapso ia cometendo- há um
caso que de modo algum pode ser olvidado, até porque se trata, tudo o indica,
de um grupo de benfeitores que tratava, sem ninguém saber (isto é que se chama
humildade e altruísmo) da saúde dos portugueses…Mas da saúde deste grupo parece
que também alguém já começou a tratar. Talvez que a exceção que confirme a
regra. SNS é, como já todos concluíram, o âmbito em que se processou este
comovedor desvelo pela saúde dos portugueses.
E de tudo o que referido foi, o
que resultou de concreto e de palpável? Tirando o que considero como caso de
exceção, pouco, muito pouco mais, do que inicialmente referi!
É pouco, é quase nada, e a
principal e por vezes a única vítima, o povo, tem o pleno direito de exigir que
a verdade, mas toda a verdade, incluindo os nomes de todos os envolvidos, seja
urgentemente posta cá fora, sem esquecer os nomes de todos os intervenientes e
que os criminosos vão, como uma justiça de verdade impõe, lá para dentro!
Assim fosse e então Portugal
poderia ser considerado um Estado de Direito. Estarei errado? Talvez, mas, como
sempre, apenas exteriorizo o que me vai na alma. Indignação, extrema
indignação, vergonha, muitíssima vergonha, pelo estado a que, no âmbito da
justiça, e não só, o meu país chegou. E
como me sentiria feliz se me não assistisse qualquer espécie de razão!