quinta-feira, 28 de março de 2013


Ao menos, coloquem uma bolinha vermelha…
Tencionava, desta vez, tecer algumas considerações sobre diversos  -dos acontecimentos mais relevantes, na minha modesta opinião, ocorridos nas últimas décadas, como factos justificativos do estado, quase que diria de desgraça nacional, a que Portugal foi conduzido, com a cumplicidade, mesmo por omissão, de uma grande maioria de todos nós, mas dois acontecimento, ocorridos muito recentemente, obrigaram-me a alterar um pouco o rumo, que não totalmente, sob pena de violentar a minha consciência, se não exprimindo, frontal e do fundo da alma, a repulsa, a revolta e, por que não o dizer, o nojo que os mesmos me originaram.
E porque o significado de qualquer um deles é igualmente bem demonstrativo do modo como os cidadãos são tratados, por quem, acima de tudo, tem a obrigação de se comportar de um modo que justifique o princípio de que “o exemplo deve vir de cima”, decidi começar por abordar o acontecimento publicitado em primeiro lugar, ou seja, o regresso à televisão, agora como comentador político, de alguém que me não coibi de qualificar, oportunamente, como “Coveiro do Povo”, título que a realidade da herança deixada parece justificar, pelo menos em boa escala.
Mas a verdade, é que, talvez que embalados pelo entusiasmo da ideia genial atrás referida, onde me permito descortinar, mas até posso estar enganado, uma mãozinha de Relvas, contribuindo generosamente para um Seguro ainda mais inseguro- se assim foi, curvo-me perante a inteligência da golpada- os responsáveis, e deviam na verdade merecer esta classificação, pelos destinos deste país, serviram-se inteligentemente de uma legislação do tempo do outro senhor- e até nisto os acontecimentos se interligam-parece que elaborada e promulgada com fins bem definidos- e que a ética e a honestidade política (mas onde isso já vai) obrigava a ser de imediato revogada. Mas a falta destes princípios é uma realidade transversal a toda a classe política, e, como o caso vertente bem demonstra, neste Portugal muitas vezes as leis são feitas e aprovadas para que o crime compense. É claro que me estou a referir ao caso do espião dos Serviços Secretos que traiu os princípios de atuação a que se encontrava obrigado, servindo a entidade ou entidades a que se vendeu, na certeza de que, para além das benesses de antemão garantidas, outras lhe estavam reservadas, à custa do erário público, suportado pelas contribuições dos que o autor do trabalho, que não tenho pejo em qualificar de sujo, tinha obrigação de servir…
E a desculpa de que a responsabilidade da situação é da legislação vigente, e só vigente porque o atual governo teve o cuidado de a preservar, vem na senda do que passou a ser moda- tudo é explicado pelo passado, nada sendo da responsabilidade da incompetência, e estou a ser muito soft na linguagem, dos atuais governantes, sem haver sequer a vergonha de não esquecer que foi precisamente o contrário que o atual primeiro- ministro prometeu durante a campanha eleitoral…E certamente que foi também culpa do seu antecessor, que o ex- espião em causa, cujo nome nem sequer quero pronunciar, permaneceu, parece que durante dois anos, na” ilegalidade”, uma vez que a lei obrigava a que, de imediato, passasse a usufruir da recompensa pelo crime praticado. Mas, como alguém se “esqueceu” de tal pormenor, a recompensa pelos brilhantes serviços prestados terá, segundo ouvi informar, efeitos retroativos, como é de bom tom!
Devo confessar, que o sentimento de revolta, normal em qualquer cidadão, tem no autor destas linhas uma intensidade muito especial, dado que, tendo servido, como especialista, num serviço de informações militares, e muito embora estando desde há décadas desvinculado da obrigação de guardar segredo das informações a que teve acesso, através do Serviço que chefiava, só muito recentemente, e depois da publicação de um livro em que lhe é feita referência, bem com a algumas situações em que esteve, direta ou indiretamente envolvido, e duas delas de verdadeira dimensão nacional, só recentemente a elas se referiu…Sinal dos tempos que correm e que mais me fazem sentir a honra de ser militar.
Por tudo o exposto, parece-me imperativo que, quando qualquer das situações em causa seja objeto de tratamento televisivo, no canto superior direito do ecran, seja colocada uma bolinha vermelha, com a indicação de que se trata de “pornografia política”; pelo menos haverá uma tentativa de se evitar que os mais jovens tenham conhecimento da total falta de moral e ética que preside à atividade política em Portugal e não sejam compuscados pela natureza da matéria a ser tratada; tenham, pelo menos, piedade pelos mais jovens, já que a mesma não merecem por parte dos que mais obrigação tiveram e têm de assim proceder!