Por este caminho, não…
Factos, reacções, comentários e opções políticas ocorridos no decorrer de uma Assembleia Municipal, de que sou membro da mesma, integrado numa Coligação, mas na qualidade de independente, levaram-me a reflectir sobre os caminhos que a política em Portugal tem trilhado e as consequências, reais, indesmentíveis, verdadeiramente catastróficas a que deram origem, nas diversas áreas da actividade nacional – económica, financeira, de justiça social e judicial – afectando do mesmo modo a própria independência nacional, e a dignidade e prestígio de uma nação
Jogos partidários, tendo como único objectivo a conquista do poder a todo o custo, o poder económico e financeiro a controlar o poder político, através de lobbies que todos conhecem mas que ninguém, até agora, tem tido a coragem de combater, organizações mais ou menos secretas, com ou sem aventais, servindo-se do seu enorme peso para atingir objectivos frequentemente muito pouco claros, constituem a face oculta, muito embora não tão oculta como alguns pretenderiam, de uma democracia que, por vezes, pouco mais parece ter dela o simples nome.
E no meio de tudo isto, perde-se a Ética, o sentido da missão de servir, permitindo que uma das mais nobres actividades que a permitem concretizar – a actividade política – cada vez seja vista como um simples meio de subir na vida, com pouco trabalho mas com atraentes recompensas…E, como ainda ontem escrevi, se tem de acreditar que a maioria dos que se dedicam à actividade política se não enquadra na visão quase generalizada que os portugueses têm dos políticos e dos partidos, pode e deve essa mesmo maioria a meter ombros à tarefa de restituir à vida política, e portanto aos próprios partidos, a dignidade e o prestígio indispensáveis para que os portugueses continuem a considerar, como por vezes é dito, a democracia como a menos má dos sistemas políticos e não se sintam tentados a aceitar haver, afinal, um outro sistema menos mau…
Mas quando, e refiro-me apenas a alguns acontecimentos mais actuais, se vê um partido a votar, na A. R. contra um voto de pesar pela morte de alguém – Vaclav Havel -que representa um exemplo da luta pela liberdade e pela democracia, quando na mesma A R. um partido há que condena a venda de acções da EDP a uma empresa estrangeira, por a mesma se localizar num país ditatorial e sem liberdade, esquecendo – se que a sua referência política foi a Albânia - quando se assiste à defesa do não pagamento da dívida externa e ao recurso a um meio que ponha a tremelicar as pernas dos nossos credores, quando responsáveis governamentais reduzem a dimensão da nossa pátria, reduzindo a possibilidade de a língua portuguesa continuar ser ensinada no exterior, a familiares dos nossos emigrantes, numa tentativa de se pouparem tostões, em contraste com milhões consumidos em reformas verdadeiramente escandalosas e mesmo imorais, em administradores de institutos e empresas públicas ou público – privadas ,esperando-se, dia a dia, o cumprimento de promessas ainda não cumpridas da moralização de tais situações, quando não há a coragem política – pelo menos ainda não houve – de renegociar os contratos daquelas empresas, em condições que hipotecaram, durante cerca de 40 anos, o presente e o futuro de algumas gerações, o que mais haverá para dizer? Mas talvez haja: a esperança que, face a situações reais que dia a dia se nos deparam, e tendo em conta o estado da justiça em Portugal, passe a ser frequente ver criminosos a julgar elementos policiais ou mesmo juízes que tiveram a coragem de os condenar…Quando se assiste a “guerras” entre forças policiais para a conquista de louros, de protagonismo e de demonstração de maior capacidade, conforme foi publicitado, a propósito de duas situações de sequestro de duas personalidades de relevo público, tudo se pode aguardar.
É tempo de arrepiar caminho, até porque o que tem sido usado, por tão utilizado, tão esburacado está. E na minha condição de simples cidadão, muito longe dos iluminados que para tudo encontram solução, numa tentativa desenfreada de nenhuma solução ser encontrada, de modo a que, para seu interesse, tudo se mantenha, arrisco -me a sugerir, o que frequentemente tenho feito e que me parece permitirá restituir á acção política a nobreza a que a mesma tem direito: um sistema eleitoral que garanta aos eleitores terem nos eleitos verdadeiros seus representantes, a quem possam exigir responsabilidades nos casos em que as suas funções forem desvirtuadas: os tão propalados círculos uninominais. E como quero acreditar no espírito de missão e na honestidade política, e não só, da maioria dos deputados em funções, eis uma ocasião para demonstrarem os seus atributos, avançando com o estudo da revisão da legislação em vigor, o que, estou certo, recolheria o apoio de grande maioria dos portugueses. E, finalmente, veríamos uma maioria a trabalhar a favor do interesse nacional!
Entretanto, e no que me diz respeito, uma coisa posso afirmar: por muitos que sejam os que preferem continuar no caminho que conduziu à situação quase que sem retorno em que nos encontramos, este simples cidadão nunca tal caminho trilhará. E, felizmente, muitos me acompanharão no caminho que, desde muito jovem, escolhi…
Para todos os que tiverem a paciência de se debruçarem sobre o que acabei de escrever, e que pelo menos terá o simples mérito de dar corpo ao que na alma me vai, os sinceros votos de um Natal com muita saúde; porque desejar muito mais, nos tempos que correm, é mera hipocrisia; e tal não é, seguramente, um dos muitos defeitos que certamente terei.
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