Encontro com a
Cidadania
Tendo sido, como
Coordenador do IDP-Norte, objecto de um repto, por parte do IDP, para a
realização, em Lousada, de algo que colocasse no centro do evento a cada vez
mais premente questão da CIDADANIA, aceitei o repto e a seguir transcrevo a
minha intervenção, no que denominei “Encontro com Cidadania”, que contou com a
ilustre presença do Prof. Paulo de Morais e do Dr. Álvaro N. da Silva; vejamos,
então:
Razões do Encontro:
Mais do que nunca, a
CIDADANIA tem que fazer sentir a sua FORÇA e intervir na direcção política do
país, nas suas duas vertentes: direitos, sim, mas também, o que frequentemente
é esquecido, obrigações. O IDP lançou-me o repto, que aceitei, convicto de que
seria mais uma missão de serviço prestado ao país, para organizar este Encontro
e aqui estamos. E para além das intervenções que terão lugar, interessa, e
muito, auscultar opiniões e sugestões; muito em especial no que diz respeito aos “Sistemas Eleitorais”.
Existem dois aspectos
diferenciados, mas interligados:
O Regime Vigente e
Sistemas Eleitorais
E comecemos pelo Regime
Vigente.
Para que as minhas
posições não possam ser consideradas meramente como pessoais, recorri a vários documentos,
com destaque para um, da autoria do politólogo Adelino Maltez, com cujos pensamentos
e princípios me identifico; vejamos, então:
-A tragédia, social,
económica e financeira a que vários governos conduziram Portugal, interpela a
consciência dos portugueses no sentido de porem em causa os partidos que, nos
últimos vinte anos, criaram uma classe que governou o País sem grandeza, sem
ética e sem sentido de Estado, dificultando a participação democrática dos
cidadãos e impedindo que o sistema político permita o aparecimento de
verdadeiras alternativas.
- A Assembleia da
República, sede da democracia, desacreditou-se, com os deputados a serem
escolhidos, não pelos eleitores, mas pelas direcções partidárias, que colocam
muitas vezes os seus próprios interesses acima dos interesses da Nação.
-É urgente mudar
Portugal, dando conteúdo positivo à revolta e crescente indignação dos portugueses.
-O que está em causa já
não é a opção pela democracia, mas torná-la efectiva e participada.
-Impõe-se uma ruptura,
visando um objectivo nacional, que todos os sectores da sociedade podem e devem
apoiar.
-A Pátria está em
perigo e é urgente dar conteúdo político e demonstrativo do sentimento de
revolta dos portugueses e a solução passa, obrigatoriamente, pelo fim da concentração
de todo o poder nos partidos e na reconstrução de um regime verdadeiramente
democrático.
E o que se constata, no
actual regime, é o vigorar de uma democracia muito formal e mesmo virtual e
muito pouco real, consequência de uma partidocracia; direi mesmo que como uma
ditadura dos partidos, através do sistema eleitoral.
E passo assim para a
segunda questão em análise, começando pela realidade que ninguém pode negar e
terminando com as eventuais soluções, estas sim, passíveis de discussão e de
serem objecto de opiniões diversificadas. E desde já quero salientar não ser,
de modo algum, especialista na matéria de “Sistemas Eleitorais”, muito embora
defendendo, e desde já fica aqui registado, um sistema em que a “votação
nominal” seja a pedra angular.
Vejamos, então, as
razões que me levam a defender tal princípio:
Muitos portugueses
julgam que “vivem em democracia”- e aqui passo a citar Jorge Tavares-porque
“têm o voto”. Mas poucos olham para o que o seu voto decide: PRATICAMENTE
NADA…Os portugueses não têm sequer o direito básico da Cidadania, que é o de
poder escolher o candidato em que gostariam de votar para o representar no
parlamento.
O verdadeiro nome do
nosso sistema eleitoral é o sistema proporcional de “listas fechadas”, dado que
a ordem nas listas é IMPOSTA pelos partidos, em vez de ser determinada pelos
eleitores. Os portugueses estão reduzidos a “votar” em listas, cuja ordem foi
estabelecida pelos próprios partidos.(cont.)
Concordo e subscrevo o teor desta publicação.
ResponderEliminarÉ necessário alterar a legislação para que possamos escolher os deputados em quem votámos.
Será possível? Tenho dúvidas que os actuais partidos queiram permitir que tal aconteça!! serão capazes de fazer alianças, da esquerda à direita (se é que isso ainda tem sentido actualmente) para que os privilégios deles sejam alterados.
Sugiro que se se continue a lutar até à exaustão.