Ninguém sabe quem
acabará com isto; e como, também não…
Ao assistir, há pouco mais de uma
semana, na SICNotícias, a um programa versando a situação com que o país se
debate, com particular destaque para a vertente económica, programa moderado
por José Gomes Ferreira, comentador que muito aprecio, e muito em especial pela
frontalidade de que faz uso, e em que intervieram o Engº Henrique Neto e um
ex-deputado, ambos da área do PS e outros dois elementos especializados na área
económica, fiquei verdadeiramente siderado com algumas afirmações feitas, assim
como com análises e conclusões apresentadas.
E, para já, um exemplo muito
simples: de acordo com o afirmado, por um dos intervenientes, o aumento de 6,9%
do custo do gaz natural, tem como explicação, dada pelo Regulador, a redução de
consumo e, portanto, a redução sequente dos lucros da empresa fornecedora…Mas,
pensando melhor, e conforme foi também realçado por parte dos intervenientes,
nada de anormal terá esta situação, na medida em que, desde há muito, as entidades
denominadas, por que apenas de nome o são, Reguladoras, no âmbito das empresas
e atividades em que o Estado está envolvido, se limitam a defender os
interesses de quem os nomeou; e os consumidores, que se “desenrasquem”…
Mas há mais: relativamente às agora
tão faladas “rendas”, foi salientado um fator que, segundo os intervenientes,
nunca foi objeto de qualquer estudo ou análise, isentas e conclusivas: os
custos finais de produção, sobre os quais incidem as mesmas rendas; isto é, se
o custo tomado por base for 100, mas na verdade se reduzir a 70, sucede que as
rendas reais são acrescentadas de 30% do custo oficial! Confesso, humildemente,
que nunca tal situação se deparara ao meu espírito, mas verdade é também que
não sou economista e muito menos especialista na matéria, mas simplesmente um
observador que procura estar atento ao que aos cidadãos pode interessar. Para estudar
resolver situações como as citadas existem entidades, de natureza vária, englobando
personalidades ditas especialistas na matéria, mas que, na realidade, parecem serem
mais especialistas em defender os interesses das organizações que deviam
regular, que os dos consumidores, de acordo com as funções que lhes competem…
Mas, mais preocupante ainda, foi o facto de,
após analisadas estas situações e outras de teor semelhante, envolvendo grandes
e poderosas empresas e organizações que tudo controlam, incluindo o poder
instituído, o atual e os anteriores, que numa vil afronta aos que dia a dia vão
empobrecendo e mais se aproximam da miséria, acumulam lucros escandalosos,
frequentemente objeto de taxas e impostos de reduzida relevância ou mesmo deles
conseguem escapar, graças, muitas vezes, a leis cientificamente estudadas e
aprovadas por quem se diz representar e defender os interesses dos que os
elegeram, o mais preocupante, dizia, foi a conclusão de que tudo teria e acabaria
mesmo por mudar, a bem ou a mal…E se não foram estas as palavras, o sentido foi
o mesmo. E, penso que no mesmo programa, mas admito que noutro tenha sido, até
foi referido o que, relativamente à REPSOL sucedeu na Argentina …Tudo isto e
afirmações como as dos meus camaradas Otelo e Vasco Lourenço, que em circunstâncias
normais originariam reações completamente diferentes das que se verificaram,
permitem-me arquitetar uma diversidade de hipotéticas soluções, incluindo algumas
que nem academicamente quero admitir; até porque soluções nunca seriam…
Mas, sobre a realidade com que nos
defrontamos e o perigo de situações que se adivinham e, infelizmente, quase
diria que se avizinham, tecerei mais tarde algumas considerações, dado que as
mesmas merecem, assim o penso, que este artigo de opinião tenha continuidade; para
já apenas quero referir algo que pode ter passado à margem de muitos leitores e
que tem a ver com a natureza da justiça que se pratica em Portugal. E muito
embora possa parecer que a questão em causa pouco ou nada tem a ver com as que
atrás comentei, a verdade é que quase tudo que referi engloba situações de justiça,
embora social, ou melhor, da sua ausência. Vejamos, então, de forma resumida, o
que se passou.
Um ex-gerente bancário foi
condenado, na sequência de uma fraude de 143.000€,segundo o que foi publicitado,
a uma pena, suspensa, repito, suspensa, de quatro anos de prisão. Fazendo as
contas, aliás de nula dificuldade – difícil mesmo é acreditar na justiça- verifica-se
que a recompensa pela elogiosa atuação do premiado, desculpem o lapso, do
condenado, corresponde a um vencimento aproximado de 2.800€ mensais…É claro que
só durante quatro anos, mas sempre é melhor do que estar no desemprego; e até
pode ser que venha a ser considerado em tal situação, então com direito ao
respetivo subsídio…E, como a minha saúde ainda me permite ter uma certa esperança
de vida, pode ser que veja a personalidade em causa ser condecorada, como herói
nacional, no próximo dia 10 de Junho! É que neste Portugal já nada me espanta…
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