quinta-feira, 3 de maio de 2012


Ninguém sabe quem acabará com isto; e como, também não…
Ao assistir, há pouco mais de uma semana, na SICNotícias, a um programa versando a situação com que o país se debate, com particular destaque para a vertente económica, programa moderado por José Gomes Ferreira, comentador que muito aprecio, e muito em especial pela frontalidade de que faz uso, e em que intervieram o Engº Henrique Neto e um ex-deputado, ambos da área do PS e outros dois elementos especializados na área económica, fiquei verdadeiramente siderado com algumas afirmações feitas, assim como com análises e conclusões apresentadas.
E, para já, um exemplo muito simples: de acordo com o afirmado, por um dos intervenientes, o aumento de 6,9% do custo do gaz natural, tem como explicação, dada pelo Regulador, a redução de consumo e, portanto, a redução sequente dos lucros da empresa fornecedora…Mas, pensando melhor, e conforme foi também realçado por parte dos intervenientes, nada de anormal terá esta situação, na medida em que, desde há muito, as entidades denominadas, por que apenas de nome o são, Reguladoras, no âmbito das empresas e atividades em que o Estado está envolvido, se limitam a defender os interesses de quem os nomeou; e os consumidores, que se “desenrasquem”…
Mas há mais: relativamente às agora tão faladas “rendas”, foi salientado um fator que, segundo os intervenientes, nunca foi objeto de qualquer estudo ou análise, isentas e conclusivas: os custos finais de produção, sobre os quais incidem as mesmas rendas; isto é, se o custo tomado por base for 100, mas na verdade se reduzir a 70, sucede que as rendas reais são acrescentadas de 30% do custo oficial! Confesso, humildemente, que nunca tal situação se deparara ao meu espírito, mas verdade é também que não sou economista e muito menos especialista na matéria, mas simplesmente um observador que procura estar atento ao que aos cidadãos pode interessar. Para estudar resolver situações como as citadas existem entidades, de natureza vária, englobando personalidades ditas especialistas na matéria, mas que, na realidade, parecem serem mais especialistas em defender os interesses das organizações que deviam regular, que os dos consumidores, de acordo com as funções que lhes competem…
 Mas, mais preocupante ainda, foi o facto de, após analisadas estas situações e outras de teor semelhante, envolvendo grandes e poderosas empresas e organizações que tudo controlam, incluindo o poder instituído, o atual e os anteriores, que numa vil afronta aos que dia a dia vão empobrecendo e mais se aproximam da miséria, acumulam lucros escandalosos, frequentemente objeto de taxas e impostos de reduzida relevância ou mesmo deles conseguem escapar, graças, muitas vezes, a leis cientificamente estudadas e aprovadas por quem se diz representar e defender os interesses dos que os elegeram, o mais preocupante, dizia, foi a conclusão de que tudo teria e acabaria mesmo por mudar, a bem ou a mal…E se não foram estas as palavras, o sentido foi o mesmo. E, penso que no mesmo programa, mas admito que noutro tenha sido, até foi referido o que, relativamente à REPSOL sucedeu na Argentina …Tudo isto e afirmações como as dos meus camaradas Otelo e Vasco Lourenço, que em circunstâncias normais originariam reações completamente diferentes das que se verificaram, permitem-me arquitetar uma diversidade de hipotéticas soluções, incluindo algumas que nem academicamente quero admitir; até porque soluções nunca seriam…
Mas, sobre a realidade com que nos defrontamos e o perigo de situações que se adivinham e, infelizmente, quase diria que se avizinham, tecerei mais tarde algumas considerações, dado que as mesmas merecem, assim o penso, que este artigo de opinião tenha continuidade; para já apenas quero referir algo que pode ter passado à margem de muitos leitores e que tem a ver com a natureza da justiça que se pratica em Portugal. E muito embora possa parecer que a questão em causa pouco ou nada tem a ver com as que atrás comentei, a verdade é que quase tudo que referi engloba situações de justiça, embora social, ou melhor, da sua ausência. Vejamos, então, de forma resumida, o que se passou.
Um ex-gerente bancário foi condenado, na sequência de uma fraude de 143.000€,segundo o que foi publicitado, a uma pena, suspensa, repito, suspensa, de quatro anos de prisão. Fazendo as contas, aliás de nula dificuldade – difícil mesmo é acreditar na justiça- verifica-se que a recompensa pela elogiosa atuação do premiado, desculpem o lapso, do condenado, corresponde a um vencimento aproximado de 2.800€ mensais…É claro que só durante quatro anos, mas sempre é melhor do que estar no desemprego; e até pode ser que venha a ser considerado em tal situação, então com direito ao respetivo subsídio…E, como a minha saúde ainda me permite ter uma certa esperança de vida, pode ser que veja a personalidade em causa ser condecorada, como herói nacional, no próximo dia 10 de Junho! É que neste Portugal já nada me espanta…

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