quarta-feira, 9 de maio de 2012


Ninguém sabe quem acabará com isto; e como, também não…(cont.)
Terminei a primeira parte deste artigo com uma referência a um caso de justiça, ou melhor, da falta dela, pelo menos para o comum dos cidadãos assim o parece e continuo na mesma área, por me ter lembrado de uma situação que pensava impossível suceder num país que se diz civilizado, muito em especial quando envolve personalidades cujo comportamento deveria ser exemplo, no mínimo, de civismo: ao assistir, embora de passagem, a um programa de televisão, ouvi alguém, que depois constatei ser o Bastonário da Ordem dos Advogados, a classificar a atual Ministra da Justiça como uma “barata tonta”. Guardo para mim o comentário que fiz para mim próprio, mas não resisto a referir o que de imediato concluí: tratar-se de um comentário só possível, de ser feito, e no reino da bicharada, por um moscardo atordoado, que faz barulho, muito barulho, mas que voa com constantes mudanças de rumo…E continuo no âmbito da justiça. Sabendo-se que em Portugal a economia paralela tem um enorme peso na economia global- fala-se em, pelo menos 25%- o que, de imediato, origina um sem número de casos de enriquecimento ilícito, como se compreende que haja um partido, aliás e certamente que por mero acaso, o que esteve no governo nos últimos anos, se oponha à promulgação de uma legislação que combata uma realidade que só aos criminosos interessa e beneficia, com o argumento que a inversão do ónus da prova é inconstitucional. Se assim é, altere-se a Constituição, defenderão os cidadãos honestos e cumpridores; apenas um óbice existe: é que para a Constituição ser alterada, é fundamental o voto favorável do mesmo partido…Não o será, certamente, mas que até parece uma posição de auto defesa, isso parece! Mas se uma simples redução do número de deputados, prevista na Constituição, não avança, como poderá haver esperanças na alteração de uma legislação que a tantos irá estragar o “trabalhinho”? E o polvo das atividades ilícitas, em que a corrupção predomina, é tão poderoso e tem tantos tentáculos, que somos obrigados a admitir que se sobreponha à vontade expressa da maioria dos deputados; mas ainda tenho esperanças que o desejo manifestado pela atual ministra da justiça, de ser alcançada uma solução que contorne o obstáculo, se concretize e, então, talvez que muito do que se passa encontre explicação. Isto se a lei, a ser aprovada, for na verdade aplicada e tudo isto não passe de simples cortinas de fumo ou manobras de diversão, fazendo crer que, agora, a coisa vai! Pois se até há quem defenda a existência de excesso de leis, mas um mínimo na sua aplicação… E por falar em leis, que implica obrigações, que dizer da posição de Mário Soares, de que a obrigação do PS ser fiel ao que se comprometera com a troika chegara ao fim? Por mim, o que entendo é que ao fim da linha, politicamente falando, já chegou há muito a personagem em causa, apesar das sucessivas e frequentes mudanças de “agulha” que marcaram a sua viagem. Que, ao menos, face às suas afirmações, que indique ao seu amigo, ou inimigo,-nunca a verdade se sabe- Seguro, a gaveta em que meteu o socialismo, E a propósito daquela personagem, parece que encontrei a justificação para o excesso de velocidade com que o carro que o conduzia foi detetado: pretendia ultrapassar, pela esquerda, como um fiel cumpridor da lei, que sempre foi, a viatura em que Francisco Louçã viajava para a Albânia, para matar saudades, viajando ele, para a Grécia, adivinhando já o resultado das eleições, para saudar – os socialistas não, como estarão a pensar- mas os antigos companheiros de luta…Ou seja, um regresso às origens!
E, para terminar, uma referência à situação que está a ser objeto de ação judicial e que diz respeito à utilização dos Serviços Secretos, para fins que nada têm a ver com a missão dos mesmos, envolvendo favores a empresas, com o correspondente pagamento, mediante a colocação em altas funções numa delas. Execrável, ignominioso, no mínimo, a provar-se, este criminoso procedimento e trata-se de um caso em que a justiça terá de ser implacável. A provar-se, judicialmente, tenho o cuidado de dizer, pois que já nos habituamos a que situações de quem ninguém tem dúvidas sobre a verdade das mesmas, fiquem em “águas de bacalhau”, prato de que o sistema judicial português parece ser um profundo apreciador.
E se para um vulgar cidadão, tudo o que tem vindo a público já é absolutamente alarmante e inquietante, para mim, na qualidade de militar, que nunca o deixei de ser, a que há a juntar o facto de, durante alguns anos ter estado ligado a um serviço de informações, tudo isto é arrepiante e permite-me perguntar: mas que país é este em que nem nos Serviços Secretos podemos confiar? Uma limpeza completa e imediata, exige o interesse nacional, a começar pelos que, em paralelo, integram outras organizações do mesmo modo secretas, muito embora talvez de grau menos elevado. E que nem os aventais, que eventualmente usem, lhes sirvam de escudo…
Por tudo isto, não me preocupa não saber onde isto vai parar, mas sim, que ninguém saiba quem acabará com isto e como!

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