Ninguém sabe quem
acabará com isto; e como, também não…(cont.)
Terminei a primeira parte deste
artigo com uma referência a um caso de justiça, ou melhor, da falta dela, pelo
menos para o comum dos cidadãos assim o parece e continuo na mesma área, por me
ter lembrado de uma situação que pensava impossível suceder num país que se diz
civilizado, muito em especial quando envolve personalidades cujo comportamento
deveria ser exemplo, no mínimo, de civismo: ao assistir, embora de passagem, a
um programa de televisão, ouvi alguém, que depois constatei ser o Bastonário da
Ordem dos Advogados, a classificar a atual Ministra da Justiça como uma “barata
tonta”. Guardo para mim o comentário que fiz para mim próprio, mas não resisto
a referir o que de imediato concluí: tratar-se de um comentário só possível, de
ser feito, e no reino da bicharada, por um moscardo atordoado, que faz barulho,
muito barulho, mas que voa com constantes mudanças de rumo…E continuo no âmbito
da justiça. Sabendo-se que em Portugal a economia paralela tem um enorme peso
na economia global- fala-se em, pelo menos 25%- o que, de imediato, origina um
sem número de casos de enriquecimento ilícito, como se compreende que haja um
partido, aliás e certamente que por mero acaso, o que esteve no governo nos
últimos anos, se oponha à promulgação de uma legislação que combata uma
realidade que só aos criminosos interessa e beneficia, com o argumento que a
inversão do ónus da prova é inconstitucional. Se assim é, altere-se a
Constituição, defenderão os cidadãos honestos e cumpridores; apenas um óbice
existe: é que para a Constituição ser alterada, é fundamental o voto favorável
do mesmo partido…Não o será, certamente, mas que até parece uma posição de auto
defesa, isso parece! Mas se uma simples redução do número de deputados,
prevista na Constituição, não avança, como poderá haver esperanças na alteração
de uma legislação que a tantos irá estragar o “trabalhinho”? E o polvo das
atividades ilícitas, em que a corrupção predomina, é tão poderoso e tem tantos
tentáculos, que somos obrigados a admitir que se sobreponha à vontade expressa da
maioria dos deputados; mas ainda tenho esperanças que o desejo manifestado pela
atual ministra da justiça, de ser alcançada uma solução que contorne o
obstáculo, se concretize e, então, talvez que muito do que se passa encontre
explicação. Isto se a lei, a ser aprovada, for na verdade aplicada e tudo isto
não passe de simples cortinas de fumo ou manobras de diversão, fazendo crer
que, agora, a coisa vai! Pois se até há quem defenda a existência de excesso de
leis, mas um mínimo na sua aplicação… E por falar em leis, que implica
obrigações, que dizer da posição de Mário Soares, de que a obrigação do PS ser
fiel ao que se comprometera com a troika chegara ao fim? Por mim, o que entendo
é que ao fim da linha, politicamente falando, já chegou há muito a personagem
em causa, apesar das sucessivas e frequentes mudanças de “agulha” que marcaram
a sua viagem. Que, ao menos, face às suas afirmações, que indique ao seu amigo,
ou inimigo,-nunca a verdade se sabe- Seguro, a gaveta em que meteu o
socialismo, E a propósito daquela personagem, parece que encontrei a
justificação para o excesso de velocidade com que o carro que o conduzia foi
detetado: pretendia ultrapassar, pela
esquerda, como um fiel cumpridor da lei, que sempre foi, a viatura em que
Francisco Louçã viajava para a Albânia, para matar saudades, viajando ele, para
a Grécia, adivinhando já o resultado das eleições, para saudar – os socialistas
não, como estarão a pensar- mas os antigos companheiros de luta…Ou seja, um
regresso às origens!
E, para terminar, uma referência à
situação que está a ser objeto de ação judicial e que diz respeito à utilização
dos Serviços Secretos, para fins que nada têm a ver com a missão dos mesmos,
envolvendo favores a empresas, com o correspondente pagamento, mediante a
colocação em altas funções numa delas. Execrável, ignominioso, no mínimo, a
provar-se, este criminoso procedimento e trata-se de um caso em que a justiça
terá de ser implacável. A provar-se, judicialmente,
tenho o cuidado de dizer, pois que já nos habituamos a que situações de quem
ninguém tem dúvidas sobre a verdade das mesmas, fiquem em “águas de bacalhau”,
prato de que o sistema judicial português parece ser um profundo apreciador.
E se para um vulgar cidadão, tudo
o que tem vindo a público já é absolutamente alarmante e inquietante, para mim,
na qualidade de militar, que nunca o deixei de ser, a que há a juntar o facto de,
durante alguns anos ter estado ligado a um serviço de informações, tudo isto é arrepiante
e permite-me perguntar: mas que país é este em que nem nos Serviços Secretos
podemos confiar? Uma limpeza completa e imediata, exige o interesse nacional, a
começar pelos que, em paralelo, integram outras organizações do mesmo modo
secretas, muito embora talvez de grau menos elevado. E que nem os aventais, que
eventualmente usem, lhes sirvam de escudo…
Por tudo isto, não me preocupa não saber onde isto vai parar, mas sim,
que ninguém saiba quem acabará com isto e como!
Sem comentários:
Enviar um comentário