sexta-feira, 13 de abril de 2012


por Campos Barros a Sexta-feira, 13 de Abril de 2012 às 17:48 ·
Face à decisão do tribunal, e muito embora haja,segundo o publicitado,possibilidade de recurso, só me admiro de que ainda existam portugueses que tenham ficado admirados com a absolvição dos 12 arguidos.Não desconheço que,até qualquer sentença passar em julgado,todo cidadão tem direito a ser considerado inocente, mas a verdade,nua e crua, é que , com raríssimas excepções,por norma todos casos envolvendo acusações de corrupção e outros procedimentos criminosos e em que estejam envolvidos entidades,singulares ou colectivas,de grande influência,económica e não só, conduzem à situação de que a presunção de inocência dê lugar a uma inocência em que quase ninguém acredita,mas que a justiça determina e impõe!
Mas,como ainda muito recentemente comentei,em situação envolvendo dívidas às finanças,da responsabilidade de clubes de futebol,se o presumido inocente for um qualquer Zé da esquina, acusado de roubar- roubar,sim,porque para os grandes é desviar- um pão para matar a fome,a presunção desaparece num ápice e a esquina só não é também presa por ser muito difícil de transportar.
E diz-se não haver justiça em Portugal;não concordo com tal,mas sim com a existência de vários tipos de justiça,conforme a natureza dos arguidos e dos níveis dos presumidos inocentes, o que só é possível pela existência de também vários tipos de juízes e outras entidades judiciais; e isto só é viável pelo controlo, político e não só,dada a diversidade de lobbies , com força e poder que tudo superam,a que a justiça está sujeita.Por tal, e por muitas outras razões,permanentemente afirmo,com toda a frontalidade e sem receio de ser desmentido, que,em muitas áreas e situações,Portugal vive uma democracia meramente formal ou virtual,que não uma democracia real e em toda a sua plenitude..Como é lógico,tenho que aceitar que,na situação específica em causa,até o desfecho tenha sido totalmente justo;mas que é muito difícil de aceitar e compreender,e estou certo que não apenas pela minha humilde pessoa,isso é...
E a propósito: a que conclusão se chegou da proveniência,penso que de um milhão de euros,das doações feitas ao CDS, em que até um nome aparecia, como doador,nome aliás muito curioso, de alguém que nunca foi identificado;como é lógico, apenas refiro o CDS por se tratar da entidade associada a este caso e por mais nenhuma razão.Até porque se tudo,em várias situações semelhantes,fosse devidamente averiguado,as cores dos envolvidos,corrijo, dos presumidos inocentes,comporiam um belo arco- íris...

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