sábado, 28 de janeiro de 2012


Serão eles – os políticos – todos iguais?
Como amante e defensor acérrimo da democracia, desgosta – me profundamente ouvir, e cada vez com mais frequência, e muitas vezes por parte de cidadãos com responsabilidades na sociedade que integram, a afirmação, feita com a maior veemência, de que os “políticos são todos iguais”. E, por esta razão, defendem a abstenção como manifestação de reacção, dado que, na sua opinião, seja quem for para o poder – poleiro, como normalmente dizem - nada varia, uma vez que se esquecem de tudo que prometeram quando das campanhas eleitorais e apenas se preocupam em defender os seus interesses e dos seus amigos, como recompensa das ajudas recebidas para a sua eleição e subordinando – se ao poder dos diversos lobbies instalados, em várias áreas da actividade nacional. Em suma: servem – se, em vez de assumirem a nobre missão que constitui a razão de ser da sua existência: servir os cidadãos e, portanto, o povo.
E muito embora procurando, recorrendo aos mais diversos argumentos, fazer ver a falta de razão que lhes assiste e mesmo a injustiça que representa “meter todos os políticos no mesmo saco”, a verdade é que por norma as posições permanecem inflexíveis, apresentando factos e exemplos a que só um sincero defensor da existência dos partidos, peças fundamentais, na minha opinião, para que a democracia seja uma realidade, consegue resistir, até porque, conforme é hábito dizer, “contra factos não há argumentos”…E a resposta que tenho encontrado é que a existência de factos, que ninguém pode ocultar ou negar, de modo algum implica ou significa que toda a actividade política conduza exclusivamente a factos da natureza que apresentam, ou, dito de outro modo, que uma generalização não é aceitável nem correcto. Mas também verdade é que fazendo uma análise do que tem sido a política em Portugal, nas últimas dezenas de anos, se torna difícil encontrar exemplos para contrapor.
Na verdade, elegem – se presidentes da república, sucedem – se os governos, substituem – se os partidos no poder, surgem novos presidentes de câmaras e de juntas de freguesia e parece que tudo permanece sem alteração, quando mesmo o panorama não piora…E neste âmbito – do piorar – três pilares da democracia surgem, de modo inegável e em crescendo: a insegurança, a não existência de uma justiça verdadeiramente justa e célere e a corrupção. E a contrapor a tudo isto, crescem as desigualdades e injustiças sociais, alarga – se o fosso entre ricos e pobres, E até cresce o número de políticos que, reuniões “doméstica”, usam avental…
Mas aceitar esta realidade, que à generalidade dos cidadãos afecta, como inevitável e pela mudança da qual não adianta lutar, é abdicar dos direitos que a todos assiste: o de sermos os donos do nosso destino e, portanto, negar a possibilidade de vivermos num sistema político que, não sendo de modo algum perfeito, ainda se apresenta como o menos mau de todos eles. Evidentemente que a democracia. E mal vai quando alguns começam já a não considerar este regime o menos mau, pois que tal significa a aceitação da existência de um outro, de que a simples lembrança me causa arrepios!
Então qual a solução, na minha modesta opinião que, por mais modesta que seja, não me coíbo de exprimir: uma profunda mudança no sistema que leva os políticos ao poder, aos mais diversos níveis, de modo que os eleitos representem na verdade quem os elegeu e que os candidatos sejam verdadeiramente escolhidos pelo povo. E cá estou eu, novamente a bater – me pela criação dos círculos uninominais e pela muito maior facilidade em grupos de cidadãos independentes de candidatarem, no âmbito das eleições autárquicas. E neste caso, quase me sentiria tentado a sugerir que deste tipo de eleições os partidos fossem arredados. E, quase nem notar, devo ter sido, mais uma vez, politicamente incorrecto. Defeito, dirão alguns, ou mesmo muitos; feitio, digo eu. Mas não será que o politicamente correcto é uma das causas mais fortes do estado a que chegou o país, sem verdadeira independência, com perda de dignidade e em que só os praticantes daquele princípio vingam e tudo fazem para convencer os outros que Portugal vive em plena democracia? A deles e à sua maneira, porque uma de corpo inteiro de modo algum lhes agrada…Senhores políticos: demonstrem que não tenho razão, rege- generem os partidos e legislem no sentido de ser na verdade o povo a escolher os que querem que o represente. Vamos a isto? 

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