domingo, 8 de janeiro de 2012

Demagogia barata, patriotismo balofo…
Muito embora sabendo que haverá, muitos ou poucos só me preocupa por tal ser uma pequena amostra da capacidade de análise do cidadão normal e da sua blindagem perante frequentes campanhas de desinformação e contra informação de que os portugueses são frequentemente alvo, quem discorde, até totalmente, da opinião frontalmente assumo, de modo algum posso manter-me indiferente, pois que me nego a ser tratado como atrasado mental, ou facilmente controlável, perante tudo o que tem sido dito e repetido relativamente às decisões da empresa Jerónimo Martins e em que o “bombo da festa” tem sido Alexandre Soares dos Santos. E, antes de mais, desejo registar que, na minha modesta opinião, só a infelicidade, em diversos vectores, de declarações proferidas por esta personalidade, pouco ou nada compreensíveis em alguém com provas mais do que dadas de ser possuidor de qualidades de inteligência e gestão bastante acima do normal dos cidadãos, deu origem e oportunidade a afirmações e tomadas de posição absolutamente espantosas, só possíveis em mentes muito pouco esclarecidas ou inimigas ferozes do capital. E isto porque, como é sabido, 19 das 20 empresas cotadas no PSI 20 tiveram comportamento igual, segundo amplamente difundido, e nunca qualquer reacção desta natureza teve lugar. Mas uma falha de comunicação, ou melhor, várias falhas - e pensava eu que, a certos níveis só o PSD as tinha – proporcionaram a oportunidade, por tantos desejada, para uma guerra sem quartel, fundamentalmente por parte dos que parecem odiar quem quer que seja que, através de dinamismo, capacidade de gestão e sabendo defrontar o risco, obtêm êxitos( fundamentalmente refiro-me à capacidade económica e financeira) que a quase totalidade, e estou a ser muito simpático, dos seus detractores, parecendo por vezes mesmo inimigos, não conseguiram nem nunca serão capazes de alcançar. Mas isto apenas quando se trata de capital privado, pois nas situações em que está em causa o erário público, o ódio e o rancor desaparecem do discurso, principalmente quando se trata da distribuição, sem qualquer critério, quero repetir, sem qualquer critério, de subsídios, quer por pessoas singulares, quer por empresas públicas, sem qualquer viabilidade…Que curiosa dualidade de critérios: o capital é óptimo e sempre bem vindo, se público; é execrável, se pertença de privados!
Como sempre e repetidamente tenho publicitado, sou frontalmente contra o liberalismo em excesso e muito mais contra o capitalismo sem regras, por vezes mesmo selvagem, defendendo a função social do capital, para mim eticamente obrigatória e regulada pela lei, através do pagamento de salários justos e outros benefícios sociais e, sempre que possível, com acréscimo do número de postos de trabalho; mas considerar não patriota e quase que criminoso quem se limitou, sem qualquer fuga ilegal às obrigações fiscais, a aproveitar condições mais favoráveis à estratégia de desenvolvimento da empresa - não esquecer que vivemos numa economia global - gerou largos milhares de postos de trabalho, paga, segundo notícias não contrariadas, vencimentos acima do legalmente estabelecido e ainda desenvolveu outras actividades meritórias, só pode ter origem em quem, criminosamente, aqui sim, quer manipular a opinião pública e tirar dividendos, afirmando - se como, eles, esses sim, patriotas e defensores dos verdadeiros interesses nacionais…
Mas quando se defendem greves absolutamente incompreensíveis, muito em especial quando tendo em conta o total desequilíbrio entre as suas dimensões e prejuízos causados e as razões, ou apresentadas como tal, das mesmas, principalmente numa terrível situação económica e financeira como aquela com que o país se debate e muito em especial as empresas afectadas pelas mesmas, o que se pode esperar?
E também aqui quero, como já o fiz por várias vezes, defender o legítimo direito dos trabalhadores à greve, por razões justas e nunca meramente políticas, mas sempre também com bom senso e nunca em condições de antemão conhecidas como geradoras de consequências em que os objectivos, mesmo que alcançados, sejam amplamente ultrapassados pelos prejuízos antecipadamente previsíveis, que fundamentalmente afectarão os trabalhadores, aderentes ou não...
Será que nisto é que reside o verdadeiro patriotismo? Sinal dos tempos dirão, mas muito mau sinal, digo eu!
Mas o exemplo dado é apenas um dos muitos que poderiam ser apresentados, nesta democracia de trazer por casa, e em que os oportunistas e camuflados de democratas muitas vezes podem cantar vitória…Até que a vitória de alguns se converta na derrota de todos; ou, pelo menos, de quase todos. E, mais uma vez, obedecendo apenas ao que conscientemente penso, fui politicamente incorrecto. Neste âmbito as minhas ambições são nulas, ou melhor, resumem-se a tentar servir o país, mas mesmo que assim não fosse, nada, mas nada, me faria mudar de conduta. E se tal vier a suceder, por favor levem-me, de imediato, a uma junta médica, pois que de certeza que a mente se encontra danificada…
P.S. mas sem qualquer significado partidário: alguém se lembrou que uma eventual redução nas vendas poderá acarretar o despedimento de milhares de trabalhadores? Questão de nula importância, certamente, para alguns arautos de falsos patriotismos…

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