sábado, 17 de março de 2012


Um Prefácio e outras coisas mais…
Muito embora reconhecendo o volume de opiniões e críticas originadas pelo já célebre prefácio do atual Presidente da República, não posso deixar de tecer algumas considerações, até por se tratar de uma personalidade que durante anos apoiei -e humildemente confesso que em várias situações o não deveria ter feito.
Na verdade, e sem colocar minimamente em causa as afirmações e factos relatados no texto, uma conclusão de imediato me é permitido deduzir: conforme por várias vezes opinei, ao tentar apresentar-se como alguém quase que não político, e deixando mesmo adivinhar uma muito pouca simpatia pelos partidos, e precisamente na sequência destes procedimentos, o Prof. Cavaco Silva é talvez o mais político de todos os políticos…E o modo como inicialmente utilizou o apoio do partido que o lançou na vida política, seguido de um cada vez maior afastamento do mesmo, e do estiolar de muitos que o rodearam, que não de algumas figuras que com ele tão intimamente colaboraram – alguns dos quais de triste memória - a prática de políticas que então apresentou como as mais corretas para o desenvolvimento do país, com destaque para a política do betão, a falta de controlo dos fundos comunitários, a liquidação da agricultura e das pescas, tudo isto em oposição plena ao que na atualidade defende e proclama, como sempre tivessem sido estas as suas opções, são, penso, a prova provada da razão que me parece assistir.
E passemos, então, a alguns pormenores do tão falado prefácio.
Sócrates é acusado de falta de lealdade e sugere mesmo ter sido enganado; mas se tal sucedeu em relação ao país, qual o motivo da admiração do Senhor Presidente? Mas alguém acredita ser o Senhor Presidente, um político e mesmo um simples cidadão tão ingénuo que até foi apanhado de surpresa com matéria relacionada com execuções orçamentais?
E só agora, depois de factos consumados e as opções a tomar se resumirem, praticamente, a “a troika manda e o governo executa”, é que denuncia factos que me parecem, salvo melhor opinião, de modo  algum deverem ser objeto de publicitação, até pelo ambiente que se gera e gerará relativamente ao atual e futuros primeiros ministros? Francamente, e com a minha habitual frontalidade o afirmo, muito do apresentado se me configura, acima de tudo, como auto elogios, laivos de vingança política e tentativa de justificar o que considero injustificável: o ter contribuído, fundamentalmente por omissão, para que o país se fosse arrastando penosamente, para a calamidade com que hoje se debate. Bem avisou, bem alertou, bem encaminhou os portugueses para o site da presidência e para o facebook, mas intervenções diretas e verdadeiramente produtivas, onde as encontramos? Nem uma mensagem à Assembleia da República e, como factos mais relevantes, lembro – me a comunicação ao país sobre o estatuto dos Açores, contrariando toda uma expectativa gerada, face à situação então vivida s e um facto político que ficou conhecido como o “escutas a Belém”, situação aliás muito obscura e nunca devidamente esclarecida; como aliás é próprio e habitual em políticos…E há um pequeno pormenor que do prefácio não consta: o ter dado posse a um governo minoritário, quando tudo garantia tratar-se de uma morte anunciada…Mas a agonia do país foi prolongado por mais uns longos meses! É ainda feita referência ao facto de não lhe ser possível demitir um primeiro- ministro; fica a explicação para os que eventualmente ainda desconhecessem tal preceito constitucional, mas outras soluções, com efeitos decorrentes equivalentes, não foram utilizadas… E, com a embalagem, já me esquecia de lembrar que, de permeio, tiveram lugar eleições presidenciais, a que o Sr. Prof. Cavaco Silva se candidatou e até, e democraticamente, venceu. Mas isto é, na verdade, um ínfimo pormenor, e tão insignificante que até do mesmo me ia esquecendo. E, se tal tivesse ocorrido, com toda a razão me poderiam apelidar de político à portuguesa, onde a memória do que se diz e fundamentalmente promete, tão frágil é. E foi tal o entusiasmo, e mesmo quase que emoção, que me provocou a leitura e posterior análise do prefácio em causa, que esgotei o espaço que a mim próprio impus; mas outros temas estão na forja…

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