A frequência com que, nos últimos meses, me tenho referido à
Maçonaria, aconselha uma clarificação sobre tudo que tenho opinado e das razões
da publicação de cópias de vários artigos ou mesmo notícias, provenientes de
várias fontes.
Assim, desde já desejo registar que, muito embora não nutra
pela organização em causa qualquer simpatia e muito menos admiração – e o
secretismo que a envolve e mesmo rege seria o suficiente para tal justificar –
tenho que, democraticamente, aceitar a sua existência, dado que legalmente nada
impede a sua existência, sucedendo mesmo que alguns dos seus princípios, embora
poucos, em nada me repugnem.
Assim, muito mais do que a maçonaria em si, o que de modo
algum aceito e contra tal me tenho batido, e continuarei a bater, é o
comportamento de elementos da organização, aproveitando o poder da mesma – uma
realidade para a qual muitos ainda não acordaram – para obtenção de regalias e
posições que garantem prestígio, altos cargos e benesses financeiras, e não só,
que de outro modo nunca alcançariam. E mais, muito mais, do que o aproveitamento
da força da organização, o que de modo algum aceito é que, frequentemente, a
tal se alie a utilização de processos e meios que, em situações normais,
implicaria a intervenção imediata da justiça. E porque, felizmente, há muitos
membros da maçonaria que em nada se identificam com estes procedimentos, é que
aceito a opinião dos que consideram a existência de duas maçonarias: a
“regular” e a “irregular”…Uma coisa é comum às duas: a conquista do poder. E
este desiderato foi, denunciado, há muitos anos, pelo Dr. Nandim de Carvalho,
um maçon assumido, numa publicação que se extraviou e que tenho procurado, sem
êxito, recuperar. Mas poucas palavras serão suficientes: o esforço que estava então
a ser feito para nas diversas instituições de ensino e formação militar e para -militar
serem admitidos jovens com a ligação à maçonaria, para no futuro reforçarem a
força desta nas diversas áreas da actividade nacional…E o presente comprova a
eficácia da estratégia seguida, muito embora a indiferença ou apatia do comum
dos cidadãos tenha, e muito, facilitado o êxito…
Tudo isto, e não é pouco, justifica muito, mas mesmo muito,
do que em Portugal se passa e ainda do motivo pelo qual a crise não é para todos!
E uma sugestão: que os elementos da maçonaria passem a usar
aventais, quando na Assembleia da República, se possível com a cor que
identifica os partidos que integram; daria uma imagem menos cinzenta e mais
folclórica do hemiciclo, e seriam melhor compreendidas algumas das decisões e a
natureza de muita da legislação aí aprovada e promulgada…E bem assim das
pessoas, singulares e colectivas, a quem tal beneficia!
Cuidem-se,
assim, os mais desatentos e menos esclarecidos…
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