Que nunca, por
cobardia, conhecido seja…(final)
Por motivos de natureza vária, só agora me foi possível
elaborar o texto com que dou por terminada a série de Artigos de Opinião, com o
título acima referido, para o que contei com a ajuda de documentação que fui
arquivando, por a considerar de interesse.
Como é lógico, as análises e críticas que se seguem, merecem
a minha concordância, até pelo facto de resultarem de decisões e comportamentos
políticos que mereceram, em elevada percentagem, a minha contestação,
independentemente da área partidária em causa. Vejamos, então, sem respeitar
obrigatoriamente a cronologia dos factos, algumas das muitas situações
decorrentes das opções politicas assumidas ao longo de 44 anos de num regime
que se convencionou qualificar de
democracia…
-Portugal entrou para a CEE de qualquer maneira, sem estar
preparado e numa posição fraca, sem salvaguardar interesses.
-De seguida embandeirou-se em arco e foi um “fartar vilanagem”. Na verdade, com os
fundos estruturais e de apoio, a correrem com uma velocidade nunca vista,
perdeu-se a cabeça e desatou tudo a gastar a esmo, enquanto se permitiam todos
os desatinos.
E, mais importante, foi-se sempre adiando as reformas estruturais, sem a definição de objectivos estratégicos, nem o estabelecimento de áreas prioritárias de investimento. Entretanto, alegremente, foi-se destruindo a agricultura, a pesca e a indústria, enquanto as pequenas e médias empresas iam ficando com a corda ao pescoço. Surge então a especulação crescente e a aposta no cimento, muito especialmente em estradas e outras obras públicas, sem critério e sem sentido estratégico…
E, mais importante, foi-se sempre adiando as reformas estruturais, sem a definição de objectivos estratégicos, nem o estabelecimento de áreas prioritárias de investimento. Entretanto, alegremente, foi-se destruindo a agricultura, a pesca e a indústria, enquanto as pequenas e médias empresas iam ficando com a corda ao pescoço. Surge então a especulação crescente e a aposta no cimento, muito especialmente em estradas e outras obras públicas, sem critério e sem sentido estratégico…
Talvez que, pelo menos para os mais esquecidos, seja útil o
registo de uma série de decisões politicas, que ajudam a melhor compreender
algumas das razões que estão na base do
estado de calamidade pública em que o país se encontra. Vejamos, então:
-Gastamos em planos estratégicos que nunca foram
implementados e que dizem muito pouco mais do que se sabia.
-Gastamos em estudos, ante- projectos e projectos de coisas
que não chegamos a construir.
-Gastamos em Bancos, imparidades, iniquidades e outras
barbaridades bancárias.
-Gastamos em computadores de brinquedo, que nunca serviram,
nem de brinquedo, nem de computador, mas apenas como negócio.
-Gastamos em swaps que parecem swaps mas que são piores.
-Gastamos em estradas construídas ao lado das que já existiam
e que ficaram desertas, mas onde pagamos como se lá passassem carros, mesmo que
não passem.
-Gastamos para criar empreendedores de aviário, que duram
quanto dura o apoio.
-Gastamos em jipes para agricultores que só vêm o campo ao
fim-de-semana e de longe.
-E gastamos em mais Bancos, outra vez em Bancos, bons, maus e
péssimos.
-Gastamos em aeroportos que não “aterram “ em lado nenhum,
mas que são estudados, anos e anos a fio. Estudos pagos, naturalmente.
-Gastamos para não produzir.
-Gastamos para arrancar produções agrícolas, para abater
barcos.
Mais outros desmandos políticos poderiam ser apresentados,
mas penso que, muito mais do que criticar governos e suas ideologias, o que
conduziria, sem qualquer dúvida, à partidarização das análises, interessa,
fundamentalmente, registar procedimentos- e muitos mais se poderiam apresentar-
que explicam, em grande parte, que à presente data, a dívida pública ultrapasse os 250 mil milhões de euros, batendo todos os recordes. E tudo isto
acontece sob a capa de uma democracia, pouco
mais que formal e virtual, em que a participação dos eleitores se resume a votar nos partidos concorrentes,
sujeitando-se a que sejam os mesmos
partidos a escolherem os candidatos
que mais convém aos seus- deles, partidos-interesses. Triste realidade que
tem permitido que a acção politica, que deveria ser a mais nobre missão de qualquer
cidadão- Servir o povo- se tenha
transformado, por norma, no meio mais fácil
e lucrativo do “povo se servir”!
E a verdadeira
democracia, ou seja “governo do povo, pelo povo, para o povo” não
tem existência real e nem a terá, enquanto o actual “Sistema eleitoral não for substituído
por um outro, em que o voto nominal seja o princípio basilar. Mas nisto não
estão interessados os actuais partidos, ou melhor, os chamados “partidos do poder”…E eles bem sabem
porquê!
E para terminar, não posso deixar de exprimir o que penso
sobre os principais responsáveis pela situação em que o país se encontra: muito
mais do que os partidos políticos e as personalidades que os integram, somos nós, cidadãos portugueses, os primeiros responsáveis, por acção ou
inacção. Numa primeira fase, pelas escolhas
feitas ou pela abstenção;
posteriormente, por não usar o direito à
“Indignação”, por meios e processos perfeitamente legais! Por muito que tal possa custar ser aceite, é esta uma
opinião que há muitos anos, por diversos meios e publicamente assumo.
E como é possível que um povo, que no aspecto meramente
físico, se pode orgulhar da sua valentia, dê
mostras de uma passividade que muito se confunde com cobardia, intelectual e
politica, calando a sua Indignação?
E quem permite ou até
colabora, em deixar aos mais jovens de agora e às gerações futuras, uma herança
como o Portugal de hoje, de modo algum pode incluir-se no conjunto
de cidadãos com justo direito a identificar-se com o título deste Artigo de
Opinião e dos outros quatro que o precederam…
Nota: Com a devida vénia às duas
personalidades que consegui identificar no texto a que recorri: Gonçalo de
Almiro Matos Costa e Carlos Varanda.