Que nunca, por
cobardia, conhecido seja…(cont.)
Depois da publicação de dois textos integrantes do Artigo de
Opinião subordinado ao título constante do cabeçalho, pretendo abordar alguns
dos factos que ocorreram desde o golpe militar de 25 de Abril até à presente
data, consequentes de tudo o que referido foi nas duas publicações anteriores,
e que me parecem relevantes, até para melhor se compreender como foi possível
chegar à situação presente, de autêntica calamidade pública…
E o primeiro facto que pretendo realçar, diz respeito aos
acontecimentos que afectaram profundamente a economia e finanças do país, com
nacionalizações de empresas, ocupação de propriedades privadas, englobando
terrenos e habitações, fugas para o estrangeiro
de empresários das mais variadas
áreas de actividade e prisões verdadeiramente arbitrárias de pessoas, acusadas, por norma, de serem fascistas…
E isto, enquanto na área militar se sucediam os saneamentos
selvagens e se fazia tábua rasa da disciplina, destruindo-se as cadeias de
Comando.
E, no que diz respeito ao ensino e muito em especial a nível
de Universidades, instalou-se o caos, com saneamentos de professores suspensão
de aulas e passagens administrativas.
Entretanto, foram constituídos sindicatos, todos eles com
ligações partidárias, sucedendo-se as greves, o que mais agravou a situação,
económica e financeira, de uma elevada percentagem de agentes responsáveis pela
criação de riqueza, a vários níveis.
A nível político, sucederam-se, até ao primeiro governo
constitucional, governos provisórios, gerando um clima de permanente
instabilidade.
Aprovada a Constituição, foi possível, depois de realizadas
as competentes eleições, a constituição do 1º Governo Constitucional. De
registar que no seu Preâmbulo, consta a “decisão do povo português de abrir
caminho para uma sociedade socialista”, o que confere à Constituição uma carga
ideológica, que se mantém, mau grado as revisões constitucionais já operadas.
Entretanto, sucederam-se os governos, sem que todos
cumprissem o seu mandato por inteiro, com todas as inerentes consequências, não
tendo, até à presente data, sido possível aprovar qualquer plano, a médio ou
longo prazo, em qualquer área da actividade nacional. Desta realidade resultam
sucessivas mudanças de política em cada ministério, com particular destaque
para a Educação, Saúde, Politica Fiscal, Justiça e Defesa Nacional, com todas
as implicações negativas decorrentes do “governar à vista”.
Com a adesão à Comunidade Europeia, Portugal recebeu ajuda
financeira de grande dimensão, em parte utilizada para renovar a rede
rodoviária, enquanto a restante, destinada a promover a actualização e
desenvolvimento da actividade agrícola e industrial, foi, em muitos casos,
utilizada em benefício pessoal, com especial destaque para a aquisição de
viaturas. A mentalidade do povo português, mais uma vez comprovada…
Por imposição do exterior, a frota pesqueira foi reduzida, em
40% o que levou a recorrer à importação de peixe, principalmente de Espanha. E
a compensação financeira recebida por tal abate, rapidamente foi consumida. E,
no que diz respeito à agro-pecuária, a intervenção da União Europeia também se
fez sentir, impondo a limitação de produção em alguns sectores, sob pena da
redução de apoios financeiros.
Penso que o país não só não se encontrava preparado para
enfrentar a nova realidade, como as ajudas financeiras de que Portugal, ao
longo de anos, usufruiu, não foram devidamente rentabilizadas, procurando
suprir deficiências e lacunas no tecido empresarial existente e nos serviços
públicos, de modo a permitir um aproximar aos restantes países da União
Europeia; bem pelo contrário, as opções assumidas revelaram-se não só pouco
produtivas, como permitiram agravar ainda mais, as dificuldades com que o país
se debatia.
Entretanto, a classe politica foi perdendo qualidade, a
vários níveis, sendo cada vez mais notório o controlo da mesma, pelos grandes
grupos, económicos e financeiros, ao mesmo tempo que a maçonaria cada vez mais
se via representada, a nível do Governo, Assembleia da República, Justiça, e em
variados organismos públicos, onde a sua influência era notória e mesmo, por
vezes, determinante.
Simultaneamente, a corrupção alastrava, envolvendo
frequentemente conhecidas figuras públicas enquanto o sector financeiro, no que
diz respeito ao respeitante ao sector bancário, se via envolvido em problemas
de enorme gravidade com situações de índole criminal, envolvendo personalidades
altamente relevantes, banqueiros ou não…
E a Assembleia da República, que deveria ser a casa da
democracia, tornou-se cada vez mais uma “loja de negócios”, com a promulgação
de legislação susceptível de ser torneada, com o recurso, por norma a grandes
Sociedades de Advogados, por parte de interessados em concretizar negócios, que
a legislação parecia impedir. E casos houve, e aqui é englobado também o poder
governamental, em que alguma legislação promulgada parecia ser feita por encomenda…
Tudo isto conduziu a um cada vez maior afastamento dos
cidadãos da classe politica e dos partidos, com os eleitores a não se reverem
nos deputados que ajudaram a eleger, através do voto em partidos que, a seu bel
prazer, escolhem, para integrar as suas listas de candidatos, quem mais
garantia de apoio incondicional lhes der! E a experiência demonstra quanto é lesivo
para o interesse do país o actual sistema eleitoral, sendo cada vez maior o
apoio a uma nova legislação eleitoral, em que o voto nominal impere.
Então, sim, seriam os eleitores a escolher os seus
candidatos, o que permitiria responsabilizá-los pelo seu desempenho. E do mesmo
modo seria possível exclui-los em eleições futuras. Mas a alteração da lei
eleitoral, necessitando do voto favorável de, no mínimo, de 2/3 do total dos
deputados, nunca teve acolhimento favorável e compreende-se facilmente a razão;
é que a Assembleia da República não é constituída por masoquistas…
E, contra o que esperava que acontecesse, a extensão do presente texto, aconselha a que por hoje me fique por aqui, dando por fim o artigo, em edição próxima.
E, contra o que esperava que acontecesse, a extensão do presente texto, aconselha a que por hoje me fique por aqui, dando por fim o artigo, em edição próxima.