sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Complemento de O "Negócio dos incendios"

O “Negócio dos incêndios”
(Complemento)

Parece impossível… No final do século passado, enquanto o combate aos incêndios florestais foi uma “Missão”, a Força Aérea Portuguesa operava os meios aéreos em Portugal, mas quando esse combate passou a ser um “Negócio” arrumaram-se os C-130, os kit MAFFS para os equiparem ficaram a apodrecer, os bombeiros exaustos, os meios de substituição não aparecem e….o flagelo continua.
Quais as vantagens? A centralização dos meios aéreos na Força Aérea com custos reduzidos para o erário público, bem como a poupança em termos de manutenção (dado o background existente) e uma logística dos meios incomensuravelmente mais rápida e operacional.
Parece que, conforme noticiado em 09jun2016, o MAI recusou entregar à Força Aérea, a gestão e operação dos meios aéreos de combate a incêndios, bem como os de emergência médica, optando por manter o actual estado de coisas, com várias entidades, várias frotas, cada uma no seu “interesse” e custos acumulados para todos, incluindo contratação dentro e fora do país.
Espanha, EUA, Grécia, Croácia, Marrocos, são exemplos de países onde os meios aéreos de combate a incêndios são operados pela Força Aérea local. Parece impossível…

(Transcrição, com a devida vénia, ao Cor. João Marquito e à A.O.F.A.de que o autor do texto transcrito é Vogal do Conselho Nacional)

Incêndios Florestais

O “Negócio dos incêndios”
Muito embora venha, desde há vários anos, a publicitar a minha opinião sobre a problemática dos incêndios florestais, a tragédia que se abateu sobre Portugal continental e a Madeira obriga-me, por imperativos de Cidadania e mesmo correndo o risco de algumas repetições, a dar forma ao grito de revolta que de modo algum posso conter!
É que, contrariamente ao que os sucessivos governos se negam a aceitar, a verdade é que existe uma verdadeira indústria dos incêndios florestais em Portugal, havendo muita gente a beneficiar, directa ou indirectamente, “dessa indústria”, constituindo no seu conjunto uma verdadeira máfia que ninguém parece ter verdadeiramente interesse em combater…
Princípio, que parece ninguém contestar, é o da prevenção, nas suas diversas vertentes: limpeza das matas, criação de um perímetro de segurança relativamente qualquer construção, abertura de corredores de acesso, para permitir a deslocação de viaturas de combate aos incêndios, o que de outra maneira não será possível, patrulhas terrestres e aéreas, postos de vigilância, e outras medidas de cariz semelhante.
Tudo isto acarreta despesas e elevadas; certamente que sim, mas as contrapartidas que se obterão, incluindo a redução do número de feridos ou mesmo de mortes, ultrapassarão largamente o investimento- na prática é disso que se trata- necessário.
E os custos das medidas de prevenção poderão ser extraordinariamente reduzidas, a nível de pessoal, com o recurso, por exemplo, aos cidadãos que, desempregados, recebem, sem qualquer contrapartida, subsídios estatais. Isto sem esquecer o recurso a reclusos.
E ainda, e passo a referir-me a algo que há décadas defendo, a utilização das forças armadas, ao nível de pessoal e equipamento… E os resultados obtidos nas situações em que as forças armadas foram chamadas a colaborar, dá-me inteira razão. Basta recordar os resultados obtidos, há apenas alguns anos atrás, nas florestas do Algarve…

Esta colaboração foi, aliás, por mim proposta nos anos setenta, na qualidade de comandante de uma Unidade militar, sita em Ponta Delgada, ilha de S. Miguel, não tendo merecido acolhimento.
Por vezes sou obrigado a admitir que a presença de forças armadas fora dos aquartelamentos, causa apreensão a muita gente…
E apenas algumas perguntas:
1-    Qual o motivo por que o combate por meios aéreos é, em Portugal, totalmente concessionado a empresas privadas, contrariamente ao que sucede em diversos países europeus? E isto enquanto permanecem “em repouso” aviões preparados para o combate aos incêndios e existem pilotos da Força Aérea, com formação específica para tal, a quem não são atribuídas missões para as quais foram preparados…
2-    Qual a razão pela qual são adquiridos helicópteros, sem estarem equipados para combater incêndios florestais?
3-    Não será de questionar o facto de terem sido comprado dois submarinos, sem que alguns aviões Cannadair tenham sido adquiridos?
Muito, mas mesmo muito mais, poderia ser aqui apresentado, mas penso que o referido é mais do que suficiente para que se possam tirar as devidas ilações…
Felizmente que, dia a dia, aumenta o número de cidadãos que se preocupam com a existência de uma verdadeira” máfia”, denunciando casos e situações, quer por simples comentários, quer por artigos de opinião e mesmo entrevistas
Do mesmo modo que, quase diariamente, declarações emitidas por elementos desempenhando funções de responsabilidade, contrariam a realidade dos factos, procurando induzir em erro o comum dos cidadãos…
No que me diz respeito, continuarei a servir Portugal, denunciando publicamente tudo o que seja lesivo dos justos interesses e direitos dos cidadãos não comprometidos com esquemas verdadeiramente mafiosos…
Entretanto, e em complemento, publicarei a opinião de um Camarada da Força Aérea, dada a conhecer, no facebook, na página da Associação dos Oficiais das Forças Armadas.
E por último, a minha mais sentida homenagem e o profundo reconhecimento a todos os bombeiros- homens e mulheres-que repetidamente arriscam a vida, para vidas e bens salvarem! Estes, sim, são verdadeiros Heróis…

12/08/2016