CHEGOU A HORA!
Por motivos de natureza
diversa, que parte dos meus amigos, da vida real e do facebook conhecem, tem-me
faltado disposição, a vários níveis, para dar seguimento aos já habituais
Artigos de Opinião, em que exteriorizo o que me vai na alma e na consciência.
Mas também verdade é
que não conseguiria ficar tranquilo, neste último dia de 2014, se não desse
público conhecimento do espírito de revolta, e só não utilizo as expressões
“raiva” e “ódio”, por, como católico que sou, respeitando em absoluto quem o
não é, que de mim se tem apoderado, face a comportamentos e situações, algumas
delas já constantes de artigos anteriores, com que o país se tem visto
confrontado.
É a corrupção que
grassa em grande escala, na maior parte das situações sem que a justiça actue e
envolvendo, quer personalidades, políticas ou não, quer organizações de
natureza vária, com destaque para o sector bancário e financeiro;
São Fundações e
Institutos que continuam, muitas delas sem qualquer utilidade pública, para a
quase totalidade dos cidadãos, a receber dinheiro da fazenda pública;
São políticos, das
várias cores, que continuam a prometer o que sabem não ser possível cumprir,
mentindo descaradamente aos cidadãos;
É o segredo de justiça
permanentemente violado, morrendo a culpa sempre solteira;
É o fosso cada vez mais
profundo, a separar ricos dos pobres, com uma classe média a deixar de existir,
classe média considerada como o motor da economia de qualquer país;
São as centenas, ou
mesmo milhares de sem abrigo, constituindo um verdadeiro ultraje à dignidade
humanam sem que pareça que tal realidade preocupe minimamente os que têm (des)
governado este país;
-É o controlo, em
muitas situações, do poder judicial pelo poder político, por sua vez subjugado,
sem honra nem dignidade, aos grandes grupos económicos e financeiros e a
organizações mais ou menos secretas;
São as colocações de
amigos em altos cargos de grandes empresas, muitas vezes oriundos da esfera
governamental e a integração de outros nos vários ministérios, sem que o
passado e competência profissional o justifiquem minimamente. Basta estar
atento aos D.R. para nos apercebermos dos critérios seguidos; ou melhor, do
critério seguido, em grande parte dos casos: ser possuidor de cartão de
militante.
E tudo isto se repete
ao longo de dezenas de anos, sempre com os mesmos actores políticos e com a conivência
dos cidadãos, por acção ou omissão, desperdiçando, por erro de pontaria ou não
utilização, a arma demolidora de que são possuidores: o voto;
Muito, mas
muito mais situações poderia apresentar, sem risco de ser desmentido, mas o
constante do texto penso ser suficiente para demonstrar a imperiosa necessidade
de alterar de regime, substituindo-o por um outro em impere a missão de Servir
e em que os eleitos representem, na verdade, a vontade dos cidadãos. Na
verdade, e face à actual legislação eleitoral, feita à medida dos interesses
dos tradicionais partidos com assento na A.R. os cidadãos limitam-se a votar em
partidos, que elaboram as suas listas de candidatos à medida dos seus desejos e
interesses, assistindo-se à situação caricata, imprópria de uma verdadeira
democracia, de haver candidatos que se podem considerar eleitos, mesmo antes
das eleições São os que ocupam os lugares cimeiros das várias listas.
Deste modo,
só uma nova lei eleitoral, a que os partidos do poder se têm por sistema
oposto, em que o voto nominal prevaleça, permitirá aos eleitores escolherem os
seus verdadeiros representantes, sem que, de modo algum, tal signifique a
eliminação dos partidos, pedras angulares de uma Democracia de verdade, mas
partidos que integram os deputados escolhidos directamente pelos cidadãos. E
enquanto tal não suceder, continuar-se-á a viver numa democracia de “faz de
conta”, em que domina uma partidocracia, quando não uma ditadura partidária…
Por tudo
isto, a minha afirmação de que “Chegou a hora”, a hora da mudança, por via
democrática, bastando para tal que os cidadãos que não se revêm nos actuais partidos
com assento na A.R. apoiem, com os seus votos, os partidos que contenham no seu
programa e que se comprometam a alterar a actual legislação, substituindo-a por
uma outra em que a pedra angular seja o voto nominal.
E ao referir-ma
a tais partidos, incluo tanto os já existentes, como os que se encontram em
fase de breve legalização.
E porque
sempre actuei com frontalidade e transparência, quero registar que, conforme já
tenho publicitado, integro um partido em fase final de legalização e em que a
alteração da lei eleitoral é um princípio fundamental…
E só lamento
que a actual legislação não permita aos Movimentos Cívicos concorrer a
eleições, obrigando-os, para tal ser possível, a transformarem-se em partidos.