Inconstitucional…Está na moda.
(continuação)
Depois de, durante algumas semanas, me ter debruçado sobre
algumas questões cuja natureza me pareceu de interesse, dou hoje continuidade à
análise relativa a princípios constantes na actual Constituição e que de modo
algum são cumpridos, por sucessivos responsáveis governamentais, parecendo que
com tal poucos se preocupam, mesmo os comentadores e analistas, ou apresentados
como tal, para quem só as questões relativas aos dois últimos anos parecem ter
interesse. Mas, e sem colocar em causa o interesse dessas matérias, só lamento
que princípios- obrigações e deveres de governantes e cidadãos- permanentemente
tão violados não mereçam, pelo menos, igual atenção…Vejamos, então, e em
continuação:
-Artº 79º (Cultura física e desporto)
1-Todos têm direito à cultura física e ao desporto: as
medidas que têm sido tomadas relativamente à carga horária e as condições,
físicas e de tempos livres que permitam a prática desportiva, demonstram, inequivocamente,
quanto este principio tem sido respeitado…Aliás
a realidade do desporto escolar é a imagem viva de tal!
2-Incumbe ao Estado, em colaboração com as escolas e as
associações e colectividades desportivas, promover, estimular, orientar e
apoiar a prática e difusão da cultura física e do desporto, bem como prevenir a
violência no desporto. Comparado com a realidade, nem uma brincadeira de
Carnaval…
Artº 80º (Princípios fundamentais)
a)Subordinação do poder económico ao poder político e
democrático. Penso que aqui há uma responsabilidade de quem redigiu, que
inverteu totalmente o sentido do legislador…
d)Propriedade pública dos recursos naturais e de meios de
produção, de acordo com o interesse colectivo. As sucessivas privatizações são
a prova cabal de quanto a Constituição é respeitada!
Artº 81º (Incumbências prioritárias do Estado)
b)Promover a justiça social, assegurar a igualdade de
oportunidades e operar as necessárias correcções das desigualdades na
distribuição da riqueza e do rendimento, nomeadamente através da política
fiscal. Aqui, sim, tiro o meu chapéu aos governantes, presentes e passados, que
nem dos juízes do Tribunal Constitucional se esqueceram… Justiça a quem a
merece!
Os exemplos dados, e muitos mais se seguirão, constituem,
penso, a prova da razão de ser de toda a saga relativa à quase permanente
intervenção de responsáveis (será que o serão de verdade?) políticos, e não só,
no sentido de solicitarem a inconstitucionalidade de muita legislação que se
pretende promulgar. Não defendo, até por não ter conhecimentos para tal (e até
os constitucionalistas se dividem, nas opiniões emitidas) mas muito gostaria de
constatar igual interesse e empenhamento na defesa do cumprimento do que na
verdade a Constituição determina.
Política à portuguesa, digo e penso ser o suficiente…(cont.)