O “Negócio dos
incêndios”
Muito embora venha, desde há vários anos, a publicitar a
minha opinião sobre a problemática dos incêndios florestais, a tragédia que se
abateu sobre Portugal continental e a Madeira obriga-me, por imperativos de
Cidadania e mesmo correndo o risco de algumas repetições, a dar forma ao grito
de revolta que de modo algum posso conter!
É que, contrariamente ao que os sucessivos governos se negam
a aceitar, a verdade é que existe uma verdadeira indústria dos incêndios
florestais em Portugal, havendo muita gente a beneficiar, directa ou
indirectamente, “dessa indústria”, constituindo no seu conjunto uma verdadeira
máfia que ninguém parece ter verdadeiramente interesse em combater…
Princípio, que parece ninguém contestar, é o da prevenção,
nas suas diversas vertentes: limpeza das matas, criação de um perímetro de
segurança relativamente qualquer construção, abertura de corredores de acesso,
para permitir a deslocação de viaturas de combate aos incêndios, o que de outra
maneira não será possível, patrulhas terrestres e aéreas, postos de vigilância,
e outras medidas de cariz semelhante.
Tudo isto acarreta despesas e elevadas; certamente que sim,
mas as contrapartidas que se obterão, incluindo a redução do número de feridos
ou mesmo de mortes, ultrapassarão largamente o investimento- na prática é disso
que se trata- necessário.
E os custos das medidas de prevenção poderão ser
extraordinariamente reduzidas, a nível de pessoal, com o recurso, por exemplo,
aos cidadãos que, desempregados, recebem, sem qualquer contrapartida, subsídios
estatais. Isto sem esquecer o recurso a reclusos.
E ainda, e passo a referir-me a algo que há décadas defendo,
a utilização das forças armadas, ao nível de pessoal e equipamento… E os
resultados obtidos nas situações em que as forças armadas foram chamadas a
colaborar, dá-me inteira razão. Basta recordar os resultados obtidos, há apenas
alguns anos atrás, nas florestas do Algarve…
Esta colaboração foi, aliás, por mim proposta nos anos
setenta, na qualidade de comandante de uma Unidade militar, sita em Ponta
Delgada, ilha de S. Miguel, não tendo merecido acolhimento.
Por vezes sou obrigado a admitir que a presença de forças
armadas fora dos aquartelamentos, causa apreensão a muita gente…
E apenas algumas perguntas:
1-
Qual
o motivo por que o combate por meios aéreos é, em Portugal, totalmente
concessionado a empresas privadas, contrariamente ao que sucede em diversos
países europeus? E isto enquanto permanecem “em repouso” aviões preparados para
o combate aos incêndios e existem pilotos da Força Aérea, com formação específica
para tal, a quem não são atribuídas missões para as quais foram preparados…
2-
Qual
a razão pela qual são adquiridos helicópteros, sem estarem equipados para
combater incêndios florestais?
3-
Não
será de questionar o facto de terem sido comprado dois submarinos, sem que
alguns aviões Cannadair tenham sido adquiridos?
Muito, mas mesmo muito mais, poderia
ser aqui apresentado, mas penso que o referido é mais do que suficiente para
que se possam tirar as devidas ilações…
Felizmente que, dia a dia, aumenta o
número de cidadãos que se preocupam com a existência de uma verdadeira” máfia”,
denunciando casos e situações, quer por simples comentários, quer por artigos
de opinião e mesmo entrevistas
Do mesmo modo que, quase diariamente,
declarações emitidas por elementos desempenhando funções de responsabilidade,
contrariam a realidade dos factos, procurando induzir em erro o comum dos
cidadãos…
No que me diz respeito, continuarei a
servir Portugal, denunciando publicamente tudo o que seja lesivo dos justos
interesses e direitos dos cidadãos não comprometidos com esquemas
verdadeiramente mafiosos…
Entretanto, e em complemento,
publicarei a opinião de um Camarada da Força Aérea, dada a conhecer, no
facebook, na página da Associação dos Oficiais das Forças Armadas.
E por último, a minha mais sentida
homenagem e o profundo reconhecimento a todos os bombeiros- homens e
mulheres-que repetidamente arriscam a vida, para vidas e bens salvarem! Estes,
sim, são verdadeiros Heróis…
12/08/2016