domingo, 28 de junho de 2015

No seguimento do último Artigo de Opinião

Infelizmente, tinha razão…
Há alguns meses, escrevi um Artigo de Opinião, visando, fundamentalmente, matéria relativa ao conceito de Defesa Nacional e aos Serviços Secretos de Informação, não pensando, então que, a curtíssimo prazo, a triste realidade viesse demonstrar a razão que me assistia.
Na verdade, os trágicos acontecimentos ocorridos nestes últimos dias, muito embora, felizmente e por enquanto, tendo lugar noutros países, dois dos quais localizados na Europa e não muito longe de Portugal, obrigam necessariamente a uma reflexão profunda, serena e racional, sobre a situação actual das Forças Armadas, Forças de Segurança e Serviços de Informação. E, o que tem vindo a público não é, de modo algum, comprovativo de que estamos preparados para prever e enfrentar potenciais situações, como as que têm origem no Estado Islâmico, para apenas citar a que mais perigo imediato parece oferecer.
Mas o número preocupante de imigrantes que chegam quase diariamente à Europa, com a possibilidade de integrarem eventuais terroristas, as rotas da droga que passam por Portugal, as máfias do crime organizado, são outros motivos de crescentes preocupações e que têm de merecer adequadas medidas de prevenção ou mesmo de intervenção pela força das armas, em solo nacional ou no estrangeiro, obrigados que estamos por força de tratados internacionais.
E isto para não falar numa eventual terceira guerra, que vários analistas e especialistas em política internacional temem que se venha a desenvolver.
E esta possibilidade obriga-me a referir ao estado de espírito das nossas Forças Armadas, que, face ao que tem sido tornado público, não corresponderá, de modo algum, ao que por alguns responsáveis tem sido afirmado. É suficiente ter lido o que sobre a matéria as Associações profissionais têm publicitado e mesmo algumas acções concretas que já tiveram lugar. E a reunião de oficiais recentemente realizada, com a presença de vários Oficiais Generais e de ex-Chefes do Estado Maior dos três Ramos das Forças Armadas, algo significa, como o comprova a declaração final tornada pública!
Chamar a atenção para uma área da actividade nacional a que grande parte dos cidadãos pouca importância dá, ou mesmo a ignora, é esta a finalidade deste modesto contributo…

Nota: Para os que não tenham presente ou não tenham lido o Artigo de Opinião a que faço referência, o mesmo é de novo publicado.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Mais oportuno do que nunca...

INCONSCIÊNCIA OU “RABOS DE PALHA”?
Muito embora algumas situações já tenham sido referidas e comentadas, uma informação há dias publicitada penso justificar uma nova abordagem,  a dois temas sobre os quais procuro estar atento, pela enorme importância de que revestem :Serviços Secretos de Informação e Justiça. E a razão de, mais uma vez, voltar à problemática dos Serviços Secretos de Informação, decorre do facto de apenas um partido com assento na A.R.  estar de acordo com o recurso às escutas, por parte daqueles Serviços, privando-os assim de um instrumento de grande importância para a eficiência dos mesmos, quando, talvez que como nunca, a recolha de informações é fundamental, tendo em atenção as ameaças de diversa ordem a que Portugal está sujeito : grupos radicais islâmicos, entrada de carregamentos de droga, crime organizado, muitas vezes da responsabilidade de máfias com base no exterior, mas actuando em Portugal, uma corrupção que dia a dia parece crescer, abalando profundamente a economia nacional, até pela delapidação frequente da fazenda pública, e, com, em muitos casos, a saída ilegal de capitais que a mesma corrupção gera.
E quando me refiro a escutas, não incluo apenas as de natureza telefónica, uma vez que as comunicações via TSF são também fonte de informações do maior interesse. E posso afirmá-lo com conhecimento de causa…E, apenas como complemento, importa garantir, o mais que possível for, a segurança dos nossos meios de comunicação.
E a colaboração e interacção entre os diversos Serviços de Informação revesta-se do mais elevado interesse, de modo algum se admitindo que o desejar a si os louros de qualquer acção possa ser motivo imperativo para que assim não aconteça. Mas quando assistimos, como sucedeu em tempos ainda próximos, a um ministro a divulgar a identidade de alguns espiões, há razão para que o que tem de ser secreto, por vezes deixe de o ser…
E passo, de imediato, a uma matéria do âmbito da justiça, por sinal com ligação próxima com o tema anterior e muito em especial com a corrupção: a inversão do ónus da prova, em casos em que haja suspeitas devidamente fundamentadas, de enriquecimentos ilícito.
São conhecidos os obstáculos encontrados no respeitante ao Tribunal Constitucional, mas se há matéria em que se justifica uma alteração à Constituição, penso ser esta uma das principais. O assunto já tem sido aflorado por parte de alguns partidos, mas a verdade é que a realidade se mantém…E isto para gáudio dos que sabem perfeitamente que pela lei actual, muito difícil se torna fazer prova do enriquecimento ilícito…
Certamente que em todos os Serviços que tratam das situações expostas, há que ter todo o cuidado na escolha dos elementos que o integram, para que se previnam ao máximo eventuais desvios de informações, a favor entidades, pessoais ou colectivas, e nas quais o interesse nacional nada tem a beneficiar. E alguns casos, como os que muito recentemente vieram a público, provam a razão de ser do meu receio. Mas o cuidado na escolha dos elementos a integrar, tem de existir, do mesmo modo, em relação à entidade encarregada da selecção e escolha…
Muito mais poderia referir, no âmbito do texto deste Artigo, mas o publicitado já justifica, creio eu, o título escolhido:
INCONSCIÊNCIA OU “RABOS DE PALHA”? Que cada um conclua como melhor entender…

O2/02/2015

Campos de Barros

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2015: O ano da mudança que se impõe...

CHEGOU A HORA!
Por motivos de natureza diversa, que parte dos meus amigos, da vida real e do facebook conhecem, tem-me faltado disposição, a vários níveis, para dar seguimento aos já habituais Artigos de Opinião, em que exteriorizo o que me vai na alma e na consciência.
Mas também verdade é que não conseguiria ficar tranquilo, neste último dia de 2014, se não desse público conhecimento do espírito de revolta, e só não utilizo as expressões “raiva” e “ódio”, por, como católico que sou, respeitando em absoluto quem o não é, que de mim se tem apoderado, face a comportamentos e situações, algumas delas já constantes de artigos anteriores, com que o país se tem visto confrontado.
É a corrupção que grassa em grande escala, na maior parte das situações sem que a justiça actue e envolvendo, quer personalidades, políticas ou não, quer organizações de natureza vária, com destaque para o sector bancário e financeiro;
São Fundações e Institutos que continuam, muitas delas sem qualquer utilidade pública, para a quase totalidade dos cidadãos, a receber dinheiro da fazenda pública;
São políticos, das várias cores, que continuam a prometer o que sabem não ser possível cumprir, mentindo descaradamente aos cidadãos;
É o segredo de justiça permanentemente violado, morrendo a culpa sempre solteira;
É o fosso cada vez mais profundo, a separar ricos dos pobres, com uma classe média a deixar de existir, classe média considerada como o motor da economia de qualquer país;
São as centenas, ou mesmo milhares de sem abrigo, constituindo um verdadeiro ultraje à dignidade humanam sem que pareça que tal realidade preocupe minimamente os que têm (des) governado este país;
-É o controlo, em muitas situações, do poder judicial pelo poder político, por sua vez subjugado, sem honra nem dignidade, aos grandes grupos económicos e financeiros e a organizações mais ou menos secretas;
São as colocações de amigos em altos cargos de grandes empresas, muitas vezes oriundos da esfera governamental e a integração de outros nos vários ministérios, sem que o passado e competência profissional o justifiquem minimamente. Basta estar atento aos D.R. para nos apercebermos dos critérios seguidos; ou melhor, do critério seguido, em grande parte dos casos: ser possuidor de cartão de militante.
E tudo isto se repete ao longo de dezenas de anos, sempre com os mesmos actores políticos e com a conivência dos cidadãos, por acção ou omissão, desperdiçando, por erro de pontaria ou não utilização, a arma demolidora de que são possuidores: o voto;
Muito, mas muito mais situações poderia apresentar, sem risco de ser desmentido, mas o constante do texto penso ser suficiente para demonstrar a imperiosa necessidade de alterar de regime, substituindo-o por um outro em impere a missão de Servir e em que os eleitos representem, na verdade, a vontade dos cidadãos. Na verdade, e face à actual legislação eleitoral, feita à medida dos interesses dos tradicionais partidos com assento na A.R. os cidadãos limitam-se a votar em partidos, que elaboram as suas listas de candidatos à medida dos seus desejos e interesses, assistindo-se à situação caricata, imprópria de uma verdadeira democracia, de haver candidatos que se podem considerar eleitos, mesmo antes das eleições São os que ocupam os lugares cimeiros das várias listas.
Deste modo, só uma nova lei eleitoral, a que os partidos do poder se têm por sistema oposto, em que o voto nominal prevaleça, permitirá aos eleitores escolherem os seus verdadeiros representantes, sem que, de modo algum, tal signifique a eliminação dos partidos, pedras angulares de uma Democracia de verdade, mas partidos que integram os deputados escolhidos directamente pelos cidadãos. E enquanto tal não suceder, continuar-se-á a viver numa democracia de “faz de conta”, em que domina uma partidocracia, quando não uma ditadura partidária…
Por tudo isto, a minha afirmação de que “Chegou a hora”, a hora da mudança, por via democrática, bastando para tal que os cidadãos que não se revêm nos actuais partidos com assento na A.R. apoiem, com os seus votos, os partidos que contenham no seu programa e que se comprometam a alterar a actual legislação, substituindo-a por uma outra em que a pedra angular seja o voto nominal.
E ao referir-ma a tais partidos, incluo tanto os já existentes, como os que se encontram em fase de breve legalização.
E porque sempre actuei com frontalidade e transparência, quero registar que, conforme já tenho publicitado, integro um partido em fase final de legalização e em que a alteração da lei eleitoral é um princípio fundamental…
E só lamento que a actual legislação não permita aos Movimentos Cívicos concorrer a eleições, obrigando-os, para tal ser possível, a transformarem-se em partidos.

Portanto, para mim “Chegou a hora”! Que, em 2015, a mesma Hora chegue para a maioria dos cidadãos portugueses. É que considero que, como defensor acérrimo de uma Democracia de Verdade, ser este o voto mais adequado!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Não estaremos,nós,cidadãos,interessados na mudança?

MUDAR DE VIDA,OU MELHOR,MUDAR DE REGIME
Uma análise a tudo que envolveu as recentes eleições europeias conduz, complementado pelo que se tem passado, a nível político e não só, nos últimos 40 anos, permite afirmar ser indispensável encerrar o mais urgentemente possível um ciclo, pois que os resultados obtidos à sombra de um regime que dia a dia se degrada, de modo algum podem ser considerados como correspondendo aos justos anseios da grande maioria dos portugueses e muito menos às esperanças que Abril gerou.
Da democracia pouco mais resta que o nome, pois que a partidocracia impera, muitas vezes com laivos de ditadura partidária.
Na verdade, a evolução no tipo de actuação dos principais partidos, a verificar-se foi no sentido de um cada vez maior afastamento em relação aos eleitores, sendo mais que evidente a impossibilidade de os partidos se auto regenerarem, abrindo-se à sociedade civil, certamente que com o receio de perda de privilégios, beneficiando quase sempre os mesmos ou os  parentes mais próximos da família política…
E, entretanto, a corrupção campeia, a justiça constitui uma das maiores chagas do regime, cavando um fosso verdadeiramente criminoso entre ricos e pobres, as grandes fortunas não param de crescer, em contraste ultrajante com as terríveis condições de vida de milhões de portugueses e nem uma situação verdadeiramente dramática do país, que nos tornou absolutamente dependente dos credores internacionais, colocando em causa o futuro de Portugal como país independente, foi o suficiente para que, num acto de puro patriotismo, pelo menos os partidos do arco do poder se entendessem. E, para cúmulo, o maior partido da oposição oferece à plateia um espectáculo absolutamente degradante, com comportamentos em que a conquista do poder a todo o custo é o único objectivo!
É caso para se afirmar que uma fraca oposição faz forte um fraco governo…
Perante tudo isto, a sociedade civil tem que assumir as suas responsabilidades, sob pena de as gerações mais jovens, e muito em especial as futuras, nos acusarem, e com toda a razão, de cobardia intelectual e política!
E há soluções para que a mudança de regime seja uma realidade e um xeque-mate aos principais partidos, quando das próximas eleições, é uma delas…
Há, entretanto, esperançosos sinais de que a sociedade está a despertar- e a candidatura, em muitos casos vitoriosa, de independentes, bem como o aparecimento de Movimentos diversos tal o prova- não havendo, entretanto, tempo a perder, pois que ontem já era tarde…

E como muitos o sabem, continuo na minha luta, felizmente dia a dia mais e melhor acompanhado.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

E 40 anos são passados...

40 anos de  Luz e Sombras
Passados 40 anos do golpe militar do 25 de Abril, a que muitos ainda teimam em qualificar de Revolução, não resisto a dar conta da análise que sobre esse período faço. É lógico que se trata de uma mera opinião pessoal, e muito genérica, mas o facto de ter vivido o período em causa em ligação, por vezes muito próxima, e em alguns casos mesmo com ligação directa, com acontecimentos verdadeiramente relevantes para a vida nacional, me permite dar a minha visão sobre os mesmos com um mínimo de conhecimento de causa.
E não é por acaso que a Luz é a primeira situação a ser referida no título desta peça, pois o facto de ser possível a mesma ser escrita e divulgada publicamente é a prova do muito de positivo que o golpe militar ofereceu ao país…É que a liberdade de expressão constitui uma das pedras angulares de qualquer Democracia, muito embora só por si não garanta que a mesma exista em toda a sua plenitude, como aliás a realidade que se vive em Portugal comprova.
Na verdade, os inegáveis progressos feitos ao nível do ensino, da saúde pública e na habitação, e aqui referidos como meros exemplos do muito de positivo que Abril gerou, não permitem esquecer os verdadeiros pontos negros que constituíram uma descolonização de que de modo algum nos podemos orgulhar, a verdadeira loucura das nacionalizações sem qualquer critério, as ocupações verdadeiramente selvagens, as prisões desenfreadas sem um mínimo de suporte legal, a indisciplina que se instalou nas forças armadas.
É verdade que muitos dos desvarios foram sendo corrigidos, mas quanto não custou ao país os erros cometidos?
E quer dizer de politicas que levaram ao abandono das terras e do mar,  do desbaratar dos fundos comunitários, desviados dos objectivos a que se destinavam e utilizados para fins meramente pessoais?
E se a constituição de partidos e a liberdade para a constituição de sindicatos, bem como o direito à greve, só foram possíveis com a liberdade que Abril conquistou, pergunta-se se os partidos, tal como existem e funcionam, servem o povo, se os sindicatos não se constituíram  fundamentalmente em instrumentos ao serviço de forças políticas e se as greves servem, em muitos casos, os verdadeiros interesses dos trabalhadores?
E que dizer no respeitante à justiça, à lentidão com que se move e a situações que nos permitem admitir a existência de uma justiça para os fracos e pobres, em contrapartida com a que actua em relação aos fortes e ricos? E como qualificar a situação envolvendo as tremendas injustiças sociais que afectam centenas de milhares de cidadãos, com o avolumar do fosso que separa uma classe auferindo de todas as benesses de uma outra vivendo no limiar da pobreza ou mesmo em pobreza extrema, a par do desaparecimento de uma classe média que sempre foi a base do desenvolvimento do país?
Será que o regime vigente oferece garantias de concretização de muitos  dos sonhos que Abril gerou e como meros sonhos ainda permanecem ? Será que o governo do povo, para o povo e pelo povo, pode ser viabilizado pelo sistema que rege as eleições em Portugal, que permite a existência de candidatos com a eleição antecipadamente garantida, em função dos lugares que ocupam nas listas?
A resposta é um absoluto não e o afastamento, cada vez mais notório e profundo, dos cidadãos em relação aos políticos e todas as organizações que os integram, é a prova mais concludente do afirmado.
Urge refundir o regime, restaurar a confiança na classe política e nas instituições a quem compete gerir os destinos do país, substituindo uma partidocracia, que sustenta uma democracia pouco mais do que formal e real, por uma verdadeira democracia. E para tal é fundamental que os eleitores se revejam nos eleitos, o que só um sistema eleitoral em que o voto nominal prevaleça pode permitir.
CIDADANIA em pleno, de modo a permitir o BEM COMUM, é uma exigência dos tempos que se vivem em Portugal. Mas parece que, por muitos, esta exigência ainda não foi entendida…

Certamente que nunca a perfeição será obtida, mas pelo menos que continue a ser possível afirmar-se ser a democracia o menos mau de todos os sistemas políticos…Do que muitos, lamentavelmente, começam a duvidar!

E 40 anos são passados...

40 anos de  Luz e Sombras
Passados 40 anos do golpe militar do 25 de Abril, a que muitos ainda teimam em qualificar de Revolução, não resisto a dar conta da análise que sobre esse período faço. É lógico que se trata de uma mera opinião pessoal, e muito genérica, mas o facto de ter vivido o período em causa em ligação, por vezes muito próxima, e em alguns casos mesmo com ligação directa, com acontecimentos verdadeiramente relevantes para a vida nacional, me permite dar a minha visão sobre os mesmos com um mínimo de conhecimento de causa.
E não é por acaso que a Luz é a primeira situação a ser referida no título desta peça, pois o facto de ser possível a mesma ser escrita e divulgada publicamente é a prova do muito de positivo que o golpe militar ofereceu ao país…É que a liberdade de expressão constitui uma das pedras angulares de qualquer Democracia, muito embora só por si não garanta que a mesma exista em toda a sua plenitude, como aliás a realidade que se vive em Portugal comprova.
Na verdade, os inegáveis progressos feitos ao nível do ensino, da saúde pública e na habitação, e aqui referidos como meros exemplos do muito de positivo que Abril gerou, não permitem esquecer os verdadeiros pontos negros que constituíram uma descolonização de que de modo algum nos podemos orgulhar, a verdadeira loucura das nacionalizações sem qualquer critério, as ocupações verdadeiramente selvagens, as prisões desenfreadas sem um mínimo de suporte legal, a indisciplina que se instalou nas forças armadas.
É verdade que muitos dos desvarios foram sendo corrigidos, mas quanto não custou ao país os erros cometidos?
E quer dizer de politicas que levaram ao abandono das terras e do mar,  do desbaratar dos fundos comunitários, desviados dos objectivos a que se destinavam e utilizados para fins meramente pessoais?
E se a constituição de partidos e a liberdade para a constituição de sindicatos, bem como o direito à greve, só foram possíveis com a liberdade que Abril conquistou, pergunta-se se os partidos, tal como existem e funcionam, servem o povo, se os sindicatos não se constituíram  fundamentalmente em instrumentos ao serviço de forças políticas e se as greves servem, em muitos casos, os verdadeiros interesses dos trabalhadores?
E que dizer no respeitante à justiça, à lentidão com que se move e a situações que nos permitem admitir a existência de uma justiça para os fracos e pobres, em contrapartida com a que actua em relação aos fortes e ricos? E como qualificar a situação envolvendo as tremendas injustiças sociais que afectam centenas de milhares de cidadãos, com o avolumar do fosso que separa uma classe auferindo de todas as benesses de uma outra vivendo no limiar da pobreza ou mesmo em pobreza extrema, a par do desaparecimento de uma classe média que sempre foi a base do desenvolvimento do país?
Será que o regime vigente oferece garantias de concretização de muitos  dos sonhos que Abril gerou e como meros sonhos ainda permanecem ? Será que o governo do povo, para o povo e pelo povo, pode ser viabilizado pelo sistema que rege as eleições em Portugal, que permite a existência de candidatos com a eleição antecipadamente garantida, em função dos lugares que ocupam nas listas?
A resposta é um absoluto não e o afastamento, cada vez mais notório e profundo, dos cidadãos em relação aos políticos e todas as organizações que os integram, é a prova mais concludente do afirmado.
Urge refundir o regime, restaurar a confiança na classe política e nas instituições a quem compete gerir os destinos do país, substituindo uma partidocracia, que sustenta uma democracia pouco mais do que formal e real, por uma verdadeira democracia. E para tal é fundamental que os eleitores se revejam nos eleitos, o que só um sistema eleitoral em que o voto nominal prevaleça pode permitir.
CIDADANIA em pleno, de modo a permitir o BEM COMUM, é uma exigência dos tempos que se vivem em Portugal. Mas parece que, por muitos, esta exigência ainda não foi entendida…

Certamente que nunca a perfeição será obtida, mas pelo menos que continue a ser possível afirmar-se ser a democracia o menos mau de todos os sistemas políticos…Do que muitos, lamentavelmente, começam a duvidar!

quarta-feira, 19 de março de 2014

Mas que raio de democracia é esta?!...
Razões de natureza vária obrigaram-me a um intervalo no contacto que venho mantendo com os que dedicam alguns minutos à leitura dos comentários que vou publicando, intervalo esse aproveitado para a escolha de algumas situações e ocorrências de âmbito nacional e que constituem a razão de ser do título escolhido.
E são tantos os “eventos” que esta democracia de trazer por casa nos oferece, que a dificuldade está na escolha. Vejamos, então.
 Comecemos pelo estado da “saúde” na Saúde, justificado pelo avolumar de situações que, só por si, poderiam preencher a prosa de hoje. Na verdade, desde o “milagre” de médicos que conseguem estar em estabelecimentos hospitalares diferente em simultâneo ou que se encontram a “fazer pela vida” na actividade privada, quando oficialmente é justificada a sua presença em estabelecimentos de saúde pública, passando pelos sucessivos casos de receitas médicas apenas destinadas a “sacar” ilegalmente avultadas comparticipações do SNS, sem esquecer a falta de determinado tipo de medicamentos, “desviados”, segundo publicitado pela comunicação social para mercados financeiramente mais atraentes, de tudo se encontra, de modo que a expressão “é sacar, vilanagem” poucas vezes terá mais razão de ser para usada ser…
E como classificar o jogo do “agora empurro eu, a seguir empurras tu”, a que assistimos nas duas manifestações das forças de segurança, muito em especial no que diz respeito à primeira delas, “jogo” com um desenrolar de antemão conhecido, e em que tomaram parte “jogadores” usando “equipamentos” que permitiam admitir, com grande possibilidade de êxito, tratar-se de elementos estranhos às “equipas” que se defrontavam, mas com funções bem definidas?
E que comentário pode merecer o “Manifesto dos 70”, não pelo seu teor, que não pretendo analisar, até por não ter formação académica adequada, mas pela identidade das personalidades que o assinaram, talvez na esperança de que a fraca memória dos portugueses já tivesse esquecido as responsabilidades da grande maioria daquelas, por acção ou omissão, em muitas situações e comportamentos que conduziram o país à situação de verdadeira calamidade em que se encontra?
E como classificar a atitude de quem, através de uma posição garantida como “irrevogável” e que pouco depois seria “invertida”, sem mais consequências políticas do que um prejuízo de uma “ninharia” de centenas de milhões de euros para o erário público?
E que dizer das vergonhosas prescrições de processos envolvendo chorudas maquias, numa prova, já desnecessária, atendendo ao que a “justiça à portuguesa” já nos habituou, da existência de uma justiça, ou melhor, da falta dela, para ricos e de uma outra para os pobres?
Isto para não falar da possibilidade dada a alguém que se constituiu no principal responsável político pela entrada da troika em Portugal, em semanalmente se apresentar na televisão pública, paga com o dinheiro dos mesmos portugueses que tanto lesou, procurando explicar o que explicação não tem e lançando sobre outros responsabilidades que, na sua maioria, só a si podem ser assacadas…Mas, diga-se em abono da verdade, que os actuais responsáveis, independentemente da situação herdada, frequentemente parecem apostados em seguir os maus exemplos…
Mais, muito mais, poderia ser referido – e espero voltar a este tipo de comportamentos e situações- mas penso que o exposto justifica plenamente o título escolhido para esta minha intervenção…
Na verdade, e respondendo à minha própria interrogação, vivemos numa democracia do “faz de conta”, pouco mais do que meramente formal e virtual, numa verdadeira “partidocracia”, numa ditadura de partidos. E estou a referir-me aos representados no Parlamento. E é minha convicção que o poder instituído, na defesa dos seus ilegítimos interesses, directamente ou através de terceiros, mesmo que por vezes aparentando    “inimigos” serem, tudo fará para que os que lutam por uma mudança, por via democrática, que altere profundamente o regime vigente, colocando os políticos ao serviço do povo- e nisto consiste a verdadeira democracia-através de um sistema eleitoral em que não haja “eleitos” mesmo antes das eleições, como presentemente sucede, mas em que sejam os eleitores a escolher entre os candidatos os que mais garantia lhes oferecem.

Por outras palavras: se não existe CIDADANIA e luta pelo BEM COMUM, também democracia não existe!