quarta-feira, 19 de junho de 2013


PPPs: CRIMES EM SÉRIE…

Ainda quase que totalmente incrédulo com o que tenho ouvido, nos diversos canais de TV e na comunicação social escrita, através de diferentes comentadores e jornalistas, relativamente às conclusões da Comissão de Inquérito às PPPs, não posso conter a minha raiva, de cidadão para quem a ética e a honestidade, quer em palavras, quer muito em especial nas acções, são princípios imutáveis, sendo o exteriorizar, publicamente, o que me vai na alma e no pensamento, infelizmente, o mínimo que, a título individual, posso fazer…

E penso que país é este em que crimes, de tal não tenho a menor dúvida, como Camarate e, mais recentemente tudo que engloba os negócios das PPPs e outros semelhantes, e que na minha opinião, e penso não estar só nesta minha posição, de verdadeiros crimes se trata, pois que no mínimo é mais que evidente a gestão danosa da coisa pública, ficam impunes-pelo menos assim sucedeu até à presente data- sejam quais forem os resultados dos inquéritos!

E se conclusões houve que não deixem qualquer dúvida, sobre a natureza dos actos cometidos e da identidade dos seus responsáveis, as apresentadas pela Comissão de Inquérito atrás referida são absolutamente exemplares, pelo que me não resta outra conclusão, caso, como é habitual, tudo seja “abafado”- não encontro termo mais apropriado-que admitir que, afinal, criminosos não são apenas os responsáveis pelos comportamentos em causa…É que também se pode ser criminoso por omissão ou inacção!

Felizmente que ainda existem comentadores e analistas de uma excepcional e cada vez mais rara honestidade e coragem, intelectuais e políticas, como José Gomes Ferreira, a quem o país já tanto deve e que apresentam como solução última, o, que subscrevo por inteiro, a nacionalização das empresas envolvidas no negócio; mas, mesmo sendo assim, falta ainda o julgamento dos responsáveis pela hipoteca do presente e muito em especial do futuro, de milhões de portugueses. E como, mesmo nas situações mais claras e transparentes, há que, face ao tipo de justiça e respectiva legislação vigente neste país em que alguns, e não são poucos,tanto o atraiçoam e lesam, proceder a averiguações, que por norma se prolongam por períodos de tempo infindáveis, e a prisão preventiva tem prazos de duração limitada, daqui proponho que, em situações como as que estão em causa, a prisão preventiva possa durar tanto tempo quanto o país necessitar para recuperar, minimamente, dos crimes cometidos…Amor, com amor se paga!

segunda-feira, 3 de junho de 2013

INCONSTITUCIONAL…ESTÁ NA MODA (CONTINUAÇÃO)
Depois de um período durante o qual abordei acontecimentos e situações concretas, independentemente do modo como cada um as poderia analisar, regresso ao âmbito da Constituição, agora mais do que nunca referida, tendo em consideração as reacções que algumas decisões do Tribunal Constitucional originaram.
E não sendo, muito longe disso, um especialista na matéria, a verdade é que não encontro para que o mesmo Tribunal não tenha ainda declarado “inconstitucional” o não cumprimento sucessivo e cada vez mais frequente do que a Constituição determina e impõe; vejamos, então.
-Artº 67º (Família) e no respeitante apenas a duas alíneas: Incumbe ao Estado, “regular os impostos e os benefícios sociais, de harmonia com os encargos familiares” e ”promover, através da concertação de várias políticas sectoriais, a conciliação da actividade profissional com a vida familiar”; eis um exemplo extraordinário do modo como a Constituição é cumprida…
-Artº 70º, dedicado à Juventude: afirma-se que os jovens gozam de protecção especial para efectivação dos seus direitos económicos, sociais e culturais, nomeadamente no ensino, na formação profissional e na cultura. E mais: no acesso ao primeiro emprego, no trabalho e na segurança social, para além do direito à habitação, na educação física e no desporto, bem como no aproveitamento dos tempos livres. Seria de rir às gargalhadas, não fosse a juventude a pedra angular na sociedade do futuro…E então no que diz respeito à educação física e desporto, as gargalhadas durariam uma vida! É suficiente estar atento ao que se passa com os cortes sofridos nos orçamentos destinados a apoios integrados neste âmbito, esquecendo-se completamente a extraordinária importância da actividade física e do desporto, no âmbito da prevenção de problemas de saúde. E é suficiente lembrar o perigo potencial que a obesidade representa…
-Artº 72º (Terceira Idade) : é determinado que as pessoas idosas têm direito à segurança económica e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário que respeitem a sua autonomia pessoal e evitem e superem o isolamento ou a marginalização social. Se há matéria em que a Constituição é escrupulosamente cumprida, é esta!
-Artº 74º (Ensino) : Incumbe ao Estado estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino, assegurar aos filhos dos emigrantes o ensino da língua portuguesa e o acesso à cultura portuguesa, do mesmo modo que assegurar aos filhos dos imigrantes apoio adequado para efectivação do direito ao ensino. É suficiente lembrar a satisfação das diversas Associações de Emigrantes pelo reforço do nº de professores destinados ao ensino da língua portuguesa, aos filhos dos mesmos, para se aquilatar do total respeito pela Constituição, também neste âmbito!

Pelo exposto, e pelo muito mais que poderia e virá a ser publicitado, apenas uma pergunta: não será inconstitucional não cumprir o que a Constituição determina e exige? Os especialistas na matéria que algo digam, enquanto os portugueses vão manifestando a sua satisfação e felicidade pelo integral cumprimento de tudo o que a Constituição determina e pelo interesse indesmentível que os responsáveis pela área têm demonstrado nesse sentido; por tal, aqui fica o meu público reconhecimento…

sábado, 4 de maio de 2013

E não devo estar isolado...

Um novo regime, que ontem já era tarde…
Antes de entrar verdadeiramente na matéria objeto prioritário desta minha intervenção, e para que interpretações erradas, incluindo as que o são deliberadamente, não possam ter lugar, desejo registar serem os partidos, na minha modesta opinião e coerentemente com o que há dezenas de anos defendo, pedras angulares de uma verdadeira democracia, que pouco, muito pouco mesmo, tem a ver com a que muito virtual ou formalmente e muito pouco de forma real, vigora em Portugal. E isto precisamente, porque também os partidos existentes, e refiro-me aos que por norma têm assento na Assembleia da República, por vezes mais se assemelhando, a uma “Câmara Cooperativa”, em muito pouco têm a ver com os que se comportam como pilares de uma democracia de verdade.
E só assim se compreende que a corrupção grasse por todas as áreas da atividade nacional, que o fosso entre ricos e pobres cada vez seja mais profundo, que a justiça  funcione tão deficientemente, muito em especial quando estão em causa grandes interesses, individuais ou coletivos, que o enriquecimento sem causa continue praticamente sem possibilidade de ser combatido com êxito, que o compadrio e a cor do cartão seja o caminho mais fácil para o desempenho de funções, em detrimento do mérito e da competência( e, não sei porquê, lembrei-me do poder autárquico, muito especialmente das Câmaras Municipais) e de um sem número de outras situações de todos conhecidas.
E tudo isto, consequência de um regime, com o qual todos somos conivente ou temos sido, que tudo permite, baseado num sistema eleitoral que praticamente apenas permite aos cidadãos votar em partidos integrando personalidades, na maioria deles desconhecidas e colocadas nas suas listas por ordem em que o único interesse é garantir a eleição de elementos que ofereçam fidelidade absoluta a quem lhes proporciona poder e benesses de natureza vária, algumas das quais consequência lógica, mesmo que ilegal e criminosa, do mesmo poder…
E a mentalidade reinante é profundamente favorável a que, mesmo entre os simples eleitores, se instale como que uma clubite política, fazendo esquecer que, frequentemente, e por norma, promessas não são cumpridas e a função de servir é substituída pela forma reflexa.
E a cidadania, que permite ao indivíduo intervir na direção dos negócios públicos do Estado, participando, de modo direto ou indireto, na formação do governo e na sua administração, mas tendo em contrapartida deveres, é completamente ultrapassada, tudo fazendo o poder instituído em limitar a sua concretização, por totalmente contrária aos seus objetivos, dele, poder instituído.
E os resultados são bem visíveis, pelo que se impõe, a todos e cada um de nós, fazer valer a força da cidadania, reforçando-a e aprofundando-a, sendo os Movimentos Cívicos uma força que muito pode contribuir para tal.
Mas, e aqui reside o cerne da questão, nada será possível sem a implantação de um novo sistema eleitoral, que possibilite aos eleitores escolherem, inicialmente os candidatos e posteriormente votarem nos da sua preferência, o que permitirá reverem-se nos eleitos, a quem poderão pedir responsabilidades sempre que se sintam defraudados ou mesmo traídos. Um sistema em que, basicamente, presida o princípio do voto nominal e em listas abertas; compete aos especialistas na matéria estudar qual, entre os vários sistemas que respeitam este princípio (votar em pessoas e não em partidos ou organizações semelhantes) melhor se adapta à realidade portuguesa, em que a mentalidade e organização administrativa terão de ser fatores a ter em conta; votar no desconhecido, isso nunca. Até porque, no que me diz respeito, para dar tiros no escuro, foi suficiente a minha vida de militar! Mas, para isso, tinha preparação adequada…
E para que me não possam acusar de não fazer o que aqui defendo, o registo de que, com toda as minhas forças, luto por uma mudança de regime, integrado num dos vários Movimentos já existentes; mas, cuidado, há que ter em atenção eventuais Movimentos “fantoches”, gerados pelos que lhes interessa manter a atual situação…É que para atingir certos fins, neste regime tudo vale!

quinta-feira, 28 de março de 2013


Ao menos, coloquem uma bolinha vermelha…
Tencionava, desta vez, tecer algumas considerações sobre diversos  -dos acontecimentos mais relevantes, na minha modesta opinião, ocorridos nas últimas décadas, como factos justificativos do estado, quase que diria de desgraça nacional, a que Portugal foi conduzido, com a cumplicidade, mesmo por omissão, de uma grande maioria de todos nós, mas dois acontecimento, ocorridos muito recentemente, obrigaram-me a alterar um pouco o rumo, que não totalmente, sob pena de violentar a minha consciência, se não exprimindo, frontal e do fundo da alma, a repulsa, a revolta e, por que não o dizer, o nojo que os mesmos me originaram.
E porque o significado de qualquer um deles é igualmente bem demonstrativo do modo como os cidadãos são tratados, por quem, acima de tudo, tem a obrigação de se comportar de um modo que justifique o princípio de que “o exemplo deve vir de cima”, decidi começar por abordar o acontecimento publicitado em primeiro lugar, ou seja, o regresso à televisão, agora como comentador político, de alguém que me não coibi de qualificar, oportunamente, como “Coveiro do Povo”, título que a realidade da herança deixada parece justificar, pelo menos em boa escala.
Mas a verdade, é que, talvez que embalados pelo entusiasmo da ideia genial atrás referida, onde me permito descortinar, mas até posso estar enganado, uma mãozinha de Relvas, contribuindo generosamente para um Seguro ainda mais inseguro- se assim foi, curvo-me perante a inteligência da golpada- os responsáveis, e deviam na verdade merecer esta classificação, pelos destinos deste país, serviram-se inteligentemente de uma legislação do tempo do outro senhor- e até nisto os acontecimentos se interligam-parece que elaborada e promulgada com fins bem definidos- e que a ética e a honestidade política (mas onde isso já vai) obrigava a ser de imediato revogada. Mas a falta destes princípios é uma realidade transversal a toda a classe política, e, como o caso vertente bem demonstra, neste Portugal muitas vezes as leis são feitas e aprovadas para que o crime compense. É claro que me estou a referir ao caso do espião dos Serviços Secretos que traiu os princípios de atuação a que se encontrava obrigado, servindo a entidade ou entidades a que se vendeu, na certeza de que, para além das benesses de antemão garantidas, outras lhe estavam reservadas, à custa do erário público, suportado pelas contribuições dos que o autor do trabalho, que não tenho pejo em qualificar de sujo, tinha obrigação de servir…
E a desculpa de que a responsabilidade da situação é da legislação vigente, e só vigente porque o atual governo teve o cuidado de a preservar, vem na senda do que passou a ser moda- tudo é explicado pelo passado, nada sendo da responsabilidade da incompetência, e estou a ser muito soft na linguagem, dos atuais governantes, sem haver sequer a vergonha de não esquecer que foi precisamente o contrário que o atual primeiro- ministro prometeu durante a campanha eleitoral…E certamente que foi também culpa do seu antecessor, que o ex- espião em causa, cujo nome nem sequer quero pronunciar, permaneceu, parece que durante dois anos, na” ilegalidade”, uma vez que a lei obrigava a que, de imediato, passasse a usufruir da recompensa pelo crime praticado. Mas, como alguém se “esqueceu” de tal pormenor, a recompensa pelos brilhantes serviços prestados terá, segundo ouvi informar, efeitos retroativos, como é de bom tom!
Devo confessar, que o sentimento de revolta, normal em qualquer cidadão, tem no autor destas linhas uma intensidade muito especial, dado que, tendo servido, como especialista, num serviço de informações militares, e muito embora estando desde há décadas desvinculado da obrigação de guardar segredo das informações a que teve acesso, através do Serviço que chefiava, só muito recentemente, e depois da publicação de um livro em que lhe é feita referência, bem com a algumas situações em que esteve, direta ou indiretamente envolvido, e duas delas de verdadeira dimensão nacional, só recentemente a elas se referiu…Sinal dos tempos que correm e que mais me fazem sentir a honra de ser militar.
Por tudo o exposto, parece-me imperativo que, quando qualquer das situações em causa seja objeto de tratamento televisivo, no canto superior direito do ecran, seja colocada uma bolinha vermelha, com a indicação de que se trata de “pornografia política”; pelo menos haverá uma tentativa de se evitar que os mais jovens tenham conhecimento da total falta de moral e ética que preside à atividade política em Portugal e não sejam compuscados pela natureza da matéria a ser tratada; tenham, pelo menos, piedade pelos mais jovens, já que a mesma não merecem por parte dos que mais obrigação tiveram e têm de assim proceder!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013


Não fosse eu católico, e a pena de morte pediria…
A recente reportagem da SIC, resultante de uma investigação levada a cabo por um jornalista, cuja coragem e honestidade intelectual é obrigatório registar, constituindo, isto sim, um verdadeiro serviço público, e envolvendo tudo ou pelo menos muito do que diz respeito ao chamado “caso BPN”, que personifica, não tenho qualquer problema em o afirmar, um autêntico crime de traição à pátria, obriga-me a, por este meio, expressar toda a revolta, indignação e raiva que sinto, perante comportamentos e situações que em alto grau contribuíram para mais agravar a situação económica e financeira com que Portugal já se debatia, conduzindo a mais miséria, mais fome, e muitas mais dificuldades a enfrentar por grande parte da população portuguesa, com um enorme acréscimo de perda de independência, não só no âmbito financeiro e económico, como na capacidade de serem os portugueses a gerir os seus próprios destinos…E, assim, criminosamente, repito, e configurando um verdadeiro crime de lesa pátria, se hipotecou o futuro de milhões de portugueses e de algumas gerações vindouras. E a justiça, se de verdade tal existe em Portugal, na amplitude que a palavra envolve, e as autoridades responsáveis pela descoberta de tudo que a maior fraude de que há memória em Portugal há memória, a tudo parecem indiferentes, não se verificando uma atuação imediata, séria e profunda, mesmo que conhecendo-se os principais responsáveis e como que todos os bens adquiridos a coberto de tal crime e todo o dinheiro roubado se tivessem evaporado! Mas, de certeza, que o autor da reportagem até poderia dar algumas lições sobre investigações desta natureza e dimensão.
E a prova de que, em Portugal, principalmente os crimes desta dimensão compensam, é que praticamente todos os responsáveis, diretos ou indiretos, por ação ou omissão, continuam em liberdade, usufruindo do produto do seu roubo e alguns até foram promovidos a altos cargos ou regressaram, calmamente, à sua anterior atividade profissional…E até houve quem se desse ao luxo de ir para férias para Paris!
E o povo, calma e serenamente, a tudo assiste, aproximando-se o seu comportamento da cobardia, sem que de modo algum esta crítica constitua a apologia de qualquer comportamento violento, em contraste com a valentia, por vezes mesmo heroísmo, que no âmbito físico sempre deu provas! Que povo é este, meu povo?!
Quanto à classe política, e á semelhança do sucedido com os verdadeiros crimes de gestão danosa, de que as PPPs são apenas um exemplo, nada se pode esperar, pois que, não o esqueçamos, as áreas politico - partidárias em que os principais responsáveis pelos crimes praticados, nas mais diversas situações, se localizam, constituem um verdadeiro arco -íris, tal a variedade das cores envolvidas…E a sua inação, ou mesmo o erguer de obstáculos, para que a verdade seja totalmente descoberta e os culpados devidamente julgados e condenados, é a prova provada de uma auto defesa de que praticamente ninguém abdica. Por tudo o exposto, a razão do título escolhido…
Não há vagas nas prisões, para albergar tantos criminosos, dirão alguns; mas a solução nem é complicada e nem acarretará despesas de grande porte, até se tivermos em conta tanto dinheiro da fazenda pública frequentemente desbaratado: a mão -de -obra seria fornecida pelos criminosos, e a especialidade de “pedreiro” até apresentaria sobras e, no respeitante a outras artes, também há “artistas” em diversas especialidades. E para que houvesse a certeza de que não haveria fugas, os vigilantes poderiam ser escolhidas pelas vítimas dos crimes praticados…
Apenas existe, na minha modesta opinião, e no âmbito totalmente democrático, uma solução para erradicar de vez a grande maioria da atual classe política: a entrada em vigor de uma nova lei eleitoral, em que seja de verdade os cidadãos a escolher os seus candidatos a deputados, para que se possam rever nos depois eleitos; e penso que já estivemos mais longe de o concretizar …
E exclusivamente para demonstrar a força, moral e ética, que o autor destas linhas possui, para escrever este simples “Artigo de opinião”:
-Convidou, para aderir ao golpe militar de 25 de Abril, um Oficial General, então no ativo e que fora deputado pela União Nacional;
-Recusou, em pleno PREC, um convite para desempenhar, no Porto, as funções de representante do Ministro do Trabalho; melhor dizendo: recusou vender-se…
Pode ser pouco, face ao que qualquer cidadão e militar tinha a fazer, então pelo país, mas alguma coisa foi. Pouco, na verdade, para quem, quando muito jovem, jurou dar a vida pela pátria, se necessário fosse. O que o obriga, com 74 anos, a tudo fazer para continuar a servir o país; simplesmente isto.
Campos de Barros

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013


Subsídios para a História da Guerra do Ultramar-MOÇAMBIQUE

Integrei, durante alguns anos, dos quais cerca de quatro em Moçambique, com a especialidade de Analista de Informação das Transmissões, o Serviço de Reconhecimento das Transmissões do Exército Português, lamentavelmente extinto após o 25 de Abril, o qual prestou ao país, enquanto em vigor, serviços de extraordinário valor, praticamente desconhecidos da quase totalidade dos portugueses, civis e mesmo militares. Por razões que me abstenho de comentar, mas que não difíceis de adivinhar, após a data atrás referida a quase totalidade, ou mesmo totalidade dos documentos que se encontravam arquivados foram destruídos, ou, não me custa tal admitir, guardados com todo o cuidado…Felizmente que alguns caíram em boas mãos.
E não fosse um trabalho de extraordinária dedicação e investigação do meu Camarada de Curso e de Arma, Ten. Coronel Carvalho Lopes, a quem aqui presto aqui a minha sentida e sincera homenagem, tudo respeitante à história da denominada CHERET ficaria para sempre na mais obscura sombra ou mesmo no total esquecimento.
E foi precisamente a edição, a custas do autor, de uma publicação, com um número reduzido de exemplares, que me levou a dar a conhecer duas situações, uma das quais mantive praticamente em segredo, durante algumas décadas, muito embora já desobrigado de tal procedimento há muitos e muitos anos. E vem-me à memória o que presentemente se passa com as constantes “fugas de informação” e o que ainda há pouco sucedeu, e não sei se continuará a suceder, com os atuais Serviços Secretos de Informação…Sinais dos tempos que vivemos!
E passemos, então, aos dois factos que justificam o título deste artigo:                                                                                                                     
1-Relativamente à atividade do Serviço em Moçambique, são focados dois acontecimentos, um dos quais, a terem sido tomadas em consideração as informações obtidas, poderiam ter alterado profundamente o rumo da guerra; trata-se da informação sobre o local de realização do 1º Congresso da Frelimo no interior de Moçambique, informação que foi preterida por uma outra, alegadamente fornecida pela PIDE. Como foi garantido na altura (Julho de 68) a informação dada pelo Serviço estava correta. Simplesmente, a operação militar montada, teve por alvo um local onde nada se passava; montada nova operação, com base na informação que havia sido preterida, verificou-se a total correção da mesma, tendo sido ainda recolhida uma pasta com documentos particulares de Samora Machele e encontradas fogueiras ainda a arder…
E tão completa era a informação, que até o número de rolos de papel higiénico levados para o Congresso era conhecido…
Sucede que a informação foi obtida através do Destacamento de Informação das Transmissões que eu chefiava, montado com base num dispositivo, que encontrei e que procurei melhorar e adaptar à realidade que então se vivia; aliás a descoberta de que a FRELIMO dispunha de ligações TSF, foi feita pelas equipas por mim chefiadas...
Razões da opção tomada? A resposta apenas poderia ser dada por quem decidiu; e fico-me por aqui…
Sucede, e apenas refiro o facto para demonstração de que a frontalidade com que sempre atuo, já há muito me acompanha, que, durante esta comissão de serviço, me vi obrigado, para defesa da verdade e evitar a punição de um oficial meu subalterno, a chamar de “mentiroso”, cara a cara, a um oficial general; não fui punido disciplinarmente, mas, de outro modo, a fatura foi poucos meses depois cobrada…
2-No decorrer da leitura do livro, tive conhecimento de que foi a equipa que montara em Nampula, agora com outros elementos, que, em Setembro de 74,imediatamente a seguir ao acordo de Lusaka, celebrado a 7 do mesmo mês, e em que foi acordado um cessar fogo, que evitou, graças a um trabalho excecional, reconhecido pelo próprio Samora Machel, materializado em sucessivas tentativas, coroadas de êxito, de contacto com os comandos via TSF, da Frelimo, que o cessar fogo fosse interrompido pelas forças desta organização, numa decisão que surpreenderia as forças armadas portuguesas sedeadas em Moçambique.
Só agora o soube, mas orgulho-me de ter sido um serviço por mim reorganizado a ter evitado um recomeçar da guerra, em condições altamente desfavoráveis para as forças armadas portuguesas e população civil, que ficariam sujeitas a um verdadeiro massacre.
Porque a simples leitura do livro, que pretendo que, na altura própria, passe a ser guarda do meu filho mais velho, não permite, por falta de muita documentação, tomar conhecimento explícito, da minha intervenção, direta numa, indireta, noutra, nos factos citados, resolvi, pela primeira vez, dar conhecimento por este meio de dois acontecimentos que já fazem parte da história de Moçambique e das próprias forças armadas portuguesas. E não fosse a dedicação e interesse do Camarada e Amigo, já referenciado, estes acontecimentos, que considero do maior relevo, nunca seriam conhecidos, mesmo por uma grande maioria dos militares portugueses: os de então e os que se seguiram. Como, infelizmente, sucedeu a muitas outras situações, acontecimentos e comportamentos, envolvendo, fundamentalmente, Angola e Moçambique.
Como se constata, nem sempre a verdadeira história dos acontecimentos é conhecida.
E porque de tal se reveste da maior justiça, quero neste momento prestar pública homenagem aos oficiais, sargentos e praças que, pela sua extraordinária abnegação e dedicação ao serviço, tornaram possível tudo o que aqui registado fica Sem eles, nada, absolutamente nada, teria sido concretizado. E, no que me diz respeito, se algum mérito tive, e negá-lo seria uma falsa modéstia, foi saber tirar partido das qualidades dos homens que tive a honra de chefiar. E como, infelizmente, se torna impossível identificar todos os que tiveram intervenção mais direta em tudo a que é feita referência, desejo, na pessoa do então 1º cabo Silva, interveniente fundamental no êxito da manutenção do cessar fogo, prestar a mais sentida homenagem a todos cuja identidade desconheço! Um herói desconhecido, como tantos outros o foram!
Como seria importante, por tantos e diversos motivos, que a publicação em causa chegasse ao conhecimento do maior número possível dos portugueses! E muito mais de interesse seria se toda a documentação do Serviço extinto permanecesse intacta e acessível a quem a desejasse consultar. Mas, infelizmente, somos um país em que se destrói parte da sua própria história. E, por vezes, com objetivos bem definidos!

 Campos de Barros

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


Temos um Ministro Bombista?!
A leitura de um artigo, da autoria da jornalista Ângela Silva, publicado no Expresso de 22 de Dezembro de 2012,intitulado “Miguel Macedo trava bomba nas mãos de Aguar Branco”, chamou a minha atenção e a leitura do mesmo de imediato me fez trazer à memória o teor de um despacho, publicado no D.R.,2ª série-Nº 133-11de Julho de 2012,despacho esse que tem o nº 93448/2012 e que se refere à criação de uma Comissão para a Revisão do Conceito Estratégico da Defesa Nacional”, matéria que sempre me mereceu a melhor atenção e a que me já referi por diversas vezes. E mais interessado fiquei quando, constatei que, no artigo em causa, é feita referência à oposição do Ministro Miguel Macedo e se refere que no texto do documento elaborado, por um conjunto de personalidades, algumas das quais a seguir identificarei, se diz que “a sobrevivência de Portugal está em risco” e se faz referência a um “ataque brutal à classe política”.
E a leitura do artigo e do que vem publicado no D.R. veio dar origem a uma forte atração pela leitura do documento elaborado, até porque a existência de uma bomba, nas mãos de um ministro, e ainda por cima da Defesa Nacional, e por muita confiança que nele se deposite, é motivo de grande preocupação…
Outra situação que me causa perplexidade, é o facto de apenas ter lido, relativamente à matéria em causa, o artigo referenciado, apesar, e daí o reforço da minha perplexidade, de que tudo isto envolveu uma cerimónia de tomada de posse, com declaração e assinatura de compromisso de honra de cada um dos membros da Comissão, presidida pelo primeiro- ministro, e outra cerimónia de entrega do documento ao Governo, também presidida pelo primeiro-ministro…E a referida Comissão envolvia personalidades, civis e militares, de reconhecida capacidade e de várias áreas políticas e profissionais, algumas das quais passo a referir: Adriano Alves Moreira, António Vitorino, Francisco Pinto Balsemão, Eduardo Lourenço de Faria, Jaime Gama, José Loureiro dos Santos (General),Luís Amado, Nuno Vieira Matias (Almirante), num total de 25 elementos! Mas, contrariamente ao que é habitual, tanto quanto julgo saber, a comunicação social esteve ausente. Este facto, aliado ao de um assunto de interesse estratégico para Portugal, ter passado desapercebido e mantido como que em segredo, permite concluir não haver interesse - e não será difícil adivinhar por parte de quem- que o mesmo fosse conhecido; a não ser por parte, parece, da jornalista em causa, parecendo personificar uma controlada “fuga de informação”, sabe-se lá com que razão…Ou talvez se saiba mesmo, nem que apenas por simples dedução!
Face ao exposto, consideraria oportuno, até para que os cidadãos conheçam melhor o modo como se faz política em Portugal, que jornalistas houvesse que investigassem tudo o que sobre esta matéria averiguado possa ser, pois que de modo algum posso aceitar que um estudo, que durou alguns meses, e feito a pedido do atual Ministro da Defesa, e dizendo respeito, mais uma vez o repito, a matéria de transcendente interesse nacional, tenha o fim a que parece condenado! A não ser que já haja outra comissão, que não nomeada, como é lógico pelo Ministro da Defesa, a estudar os resultados constantes do documento elaborado, com um parecer que, face ao que até à data sucedeu, já esteja de antemão estabelecido…
Campos de Barros