segunda-feira, 8 de outubro de 2012


CONSCIÊNCIA AMORDAÇADA?NUNCA!...
Conforme registado no último Artigo de Opinião, tencionava continuar a fazer alguns comentários a vários princípios integrantes da Constituição, mas situações e comportamentos ocorridos recentemente, com repercussões a nível nacional, e com consequências ainda por avaliar, obrigam-me a alterar o planeado e fazer algumas considerações que considero oportunas e mesmo de interesse geral. Vejamos então:
Independentemente da minha posição ideológica em relação à que o atual primeiro-ministro é afeto- e não tenho qualquer problema em afirmar de modo algum ser admirador e muito menos defensor do liberalismo, e ainda menos do neoliberalismo-considero ter sido um profundo erro duas promessas do então candidato ao cargo que agora desempenha, feitas durante a campanha eleitoral: o não aumento de impostos e que nunca se desculparia com a herança recebida. Dado a totalidade da minha atividade profissional, e não só, ao longo de dezenas de anos, se ter desenvolvido em contactos diretos com as pessoas, aprendi ser fundamental, nas relações humanas e, portanto, muito em especial na vida política, um princípio: o que se diz, quando se diz, como se diz e por quem é dito. E aqui começou, na minha modesta opinião, uma sucessão de erros de Pedro Passos Coelho, ainda como simples candidato a primeiro-ministro…
Mas agora, já com responsabilidades governamentais, eles acumulam-se e não é necessário estar muito atento para os detetar:
-Quando se esperava o anúncio de uma limpeza nas Fundações, Observatórios e Institutos, medida que obrigatoriamente tem que ser integrada na tão falada, mas sempre adiada redução das gorduras do Estado, é dada a conhecer a alteração na TSU, medida que para além, dizem os especialistas, de muito duvidosa eficiência para os objetivos que se propunha alcançar, personifica, perante os cidadãos, e muito em especial perante os mais desfavorecidos, um autêntico saque a favor dos grandes empresários e, portanto, dos grandes detentores do poder económico e financeiro. E a gravidade e a injustiça social foi de tal dimensão, que a reação da população e dos próprios empresários, foi a que se viu…
-Mas parecendo ainda pouco satisfeito com o ataque feito ao trabalho, em favor do grande capital- e todos temos o direito de assim o considerar, dada a confusão reinante em tudo que envolveu a tentativa de defesa desta tomada de decisão- eis que surge uma nova medida que, a não ser profundamente reconsiderada originará, e não tenho a menor dúvida, reações sociais potencialmente muito perigosas. A reavaliação dos imóveis e as novas taxas do IM!E se o Dr. Marques Mendes considerou o aumento dos impostos como um “assalto à mão armada”, não tenho a menor dúvida em qualificar como verdadeira “chacina”, em relação à maioria dos proprietários, as consequências que garantidamente terão lugar, de tal modo que muitos, mas mesmo muitos, e penso em dezenas de milhares de proprietários, não terão possibilidade alguma de fazer face aos novos valores, vendo-se obrigados a entregar as suas casas aos bancos, a que recorreram para efeitos de obtenção do crédito para aquisição da sua habitação ou verão confiscados vencimentos ou mesmo a própria habitação. E a mesma certeza tenho, e disto sei do que falo, que em muitas situações, em que os imóveis se encontram arrendados, muito em especial no respeitante aos contratos mais antigos, pouco, ou mesmo nada, sobrará aos senhorios, depois de pagas as despesas de condomínio e o IMI:..Mas faltava a cereja no topo do bolo: mesmo sem ter sequer ter sido concretizada a aplicação da lei que impedia que, inicialmente, o aumento do valor do IMI não ultrapassasse os 75 €, por ano, esta lei é considerada sem efeito! Total e cruel insensibilidade social, é o mínimo com que poderei classificar, a anulação de tal legislação e a implantação da legislação agora prevista. E digo prevista, porque, começadas a receber as respetivas notificações, será tal a reação que o governo terá de recuar. E tais reações terão justificação absoluta, do mesmo modo que considero, frontalmente, sem razão, as acusações relativamente a medidas tomadas por imposições da troika e que qualquer governo seria obrigado a tomar, fosse ele qual fosse, sob pena de a torneira do financiamento exterior se fechar.
Mas para que a prepotência de que se reveste a anunciada lei fosse ainda mais agravada, o modo como muitas das reavaliações são feitas aproxima-se do inacreditável e do mais irracional que imaginar se possa; e quatro exemplos concretos, com garantia de total verdade, dado que três deles envolveram a minha pessoa e fui testemunha de um quarto; em duas frações, o valor atribuído às mesmas, teve por base uma data de construção que “apenas” diferia da real em 20 anos, enquanto, na habitação em que resido, um tanque apareceu transformado em piscina e à cave foi atribuída uma área dupla, aproximadamente do dobro da real. E já agora o caso de que fui testemunha: duas casas, geminadas, pertencentes a diferentes proprietários, foram consideradas como propriedade de um só…Razão para estes “pequenos erros: a avidez de obter, a todo o custo, receitas e com a maior rapidez possível, levaram ao recurso ao Google, como processo de avaliação…É caso para dizer que nesta área, imaginação é coisa que não falta; mas, até talvez que por uma questão de coerência, sempre contra os contribuintes. Imaginação que não existe, aliada a uma falta de coragem política que classificaria mesmo de cobarde, para combater os grandes lobbies, económicos e financeiros, e o mais que visível controlo que os mesmos exercem sobre o poder político e, tudo indica nesse sentido, sobre a própria justiça. Talvez que por muitos desses poderes, que se sentem donos do que pretendem transformar o país numa simples coutada onde possam matar a justiça social e muitos outros pilares da democracia, se sintam defendidos e protegidos por aventais tão espessos e resistentes, que lhes permitam, com a complacência dos governantes, presentes e passados, passearam a sua impunidade; mas esquecem-se, entretanto, que com um povo unido, todo e qualquer avental será vencido! Como se verifica pelo exposto, a minha consciência continua a manifestar-se por inteiro…

domingo, 23 de setembro de 2012

INCONSTITUCIONAL…ESTÁ NA MODA!
Depois de uns dias de férias, a que seguiu um período em que motivos pessoais não permitiram escrever qualquer texto para o blog, dou recomeço ao mesmo, servindo de mote a agora tão em voga inconstitucionalidade de propostas que vão surgindo, muitas das vezes impedindo a sua promulgação, com claros prejuízos para os cidadãos honestos e profundos benefícios para os que desejam, por tudo, que tudo se mantenha, muitas das vezes para manter, isso sim, todos os benefícios, de vária ordem, que as leis vigentes garante. E apenas um exemplo: a proposta de lei da “inversão do ónus da prova”.
Lembrei-me, pois, de fazer pequenas observações sobre este tema, recorrendo à Constituição actual, deixando para os que se dignarem ler este artigo de opinião, comentários mais completos e talvez mesmo mais adequados. Vejamos, então, como qualificar as seguintes determinações da Constituição:
Artº 6º. Respeito pela solidariedade da descentralização democrática da administração pública: corresponde à realidade?
Artº 7º:Portugal reconhece o direito à insurreição contra todas as formas de opressão. E a quem compete definir estas situações? Será que em Portugal não existirão algumas?
Artº 9º:São tarefas fundamentais do Estado criar as condições económicas, sociais e culturais que permitam garantir a independência nacional, bem como promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais. Em Portugal não haverá inversão de actuações?
Artº 13º:Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei. Não há qualquer dúvida ser isto que se passa neste país…
Artº 20º: A todos é assegurado o acesso ao direito e aos tribunais para defesa dos seus direitos e interesses legalmente protegidos, não podendo a justiça ser denegada por insuficiência de meios económicos, do mesmo modo que a lei assegura a adequada protecção do segredo de justiça. Do mesmo modo, todos têm direito a que uma causa justa em que intervenham seja objecto de decisão em prazo razoável e mediante processo equitativo. Ninguém duvida ser esta a realidade do dia a dia…
Artº 27º:Todos têm direito à liberdade e à segurança. O que se passa, por exº no Algarve, é verdadeiramente demonstrativo do usufruto deste direito!
Artº 38º: O Estado garante a liberdade de imprensa e assegura a liberdade e a independência dos órgãos da comunicação social perante o poder político e o poder económico. Sem dúvida que estes princípios são integralmente cumpridos…
E para me não alongar em demasia, fiquemos hoje por aqui, havendo em breve mais considerações da mesma natureza.

terça-feira, 10 de julho de 2012


Enriquecimento ilícito: mas quem tem medo da inversão do ónus da prova?
Perante a onda de corrupção que grassa neste país, perante negociatas como o do BPN, perante negócios de droga que movimentam milhões, perante os escândalo das PPPs que renderam centenas de milhões, perante tantas e tantas situações em que fabulosas fortunas e outras de menor dimensão só foram possíveis através de negócios que personificam verdadeiros crimes, muitos deles, ou melhor, quase todos afetando o erário público, perante o desenvolvimento crescente de uma economia paralela que desvia do cofre do Estado quantias colossais, tudo isto e muito mais que poderia ser apresentado, uma pergunta se impõe:
Não havendo qualquer dúvida que em todas as situações referidas o enriquecimento ilícito está presente, e conhecidas as enormes dificuldades, a vários níveis, com que as organizações especializadas na luta contra este tipo de crime se debatem, qual a razão, atendendo a que a inversão do ónus da prova parece inconstitucional, se não altera a Constituição de modo a que o enriquecimento ilícito seja mais fácil de ser descoberto e condenados os seus intervenientes?
E se dúvidas houver sobre o apoio dos cidadãos a esta alteração da Constituição, faça-se uma sondagem, isenta, imparcial e séria e penso que os resultados serão bem esclarecedores…
Mas, e aqui reside o fulcro do problema, será que os atuais deputados estarão disponíveis para constituir a maioria qualificada (2/3 ou 4/5) que garanta a viabilidade da alteração da Constituição? Pois se mesmo o que a Constituição já prevê- a redução para 180 do nº de deputados- ainda não teve lugar, sabendo-se que tal medida colheria o apoio fortemente maioritário dos cidadãos, que esperança se pode ter na referida alteração da Constituição, sabendo – se dos inúmeros interesses que seriam afetados, incluindo alguns, ou talvez mesmo muitos, relacionados, direta ou indiretamente, com alguns de quem depende a aprovação da referida alteração?
E é aqui, penso, que reside o verdadeiro busílis da questão; se assim não o é, provem-no senhores deputados e eu, feliz e humildemente confessarei, publicamente, o meu erro de apreciação…
Entretanto, o repto fica lançado!

quinta-feira, 28 de junho de 2012


Verdades cá para fora; criminosos lá para dentro…
Uns dias em que fui obrigado a um ritmo de vida diferente do habitual, pois que me faltou a quase diária marcha, permitiu-me fazer como que uma reconstituição do que tem sido, até à presente data, e desde há uns anos, o panorama nacional, no âmbito de certo tipo de criminalidade, a que Portugal, infelizmente, até parece ter-se habituado, e, pior que tal, acomodado…
Refiro-me muito em especial aos crimes, ou ao que tudo indica que o tenham sido, envolvendo personalidades, individuais ou coletivas, da vida nacional, que, na quase totalidade, terminaram com a absolvição dos arguidos, ou mesmo a sua não acusação, prescrições, adiamentos sucessivos, recursos intermináveis e outras mais situações que a todos os cidadãos honestos e cumpridores das suas obrigações indigna e só não surpreendem por o prestígio da justiça portuguesa se encontrar “ de rastos”, e em muitos casos controlada por diversos lobbies financeiros, económicos e de outra natureza, com destaque para o que já tenho designado por “confraria dos aventais”…E, quase que sem qualquer esforço de memória, comecei a enumerar, situações e mais situações, casos sobre casos. Vejamos, então alguns exemplos: projetos da Covilhã e Castelo Branco, Herdade dos Sobreiros, Freeport, BPN, BPP, PPPs, SCUTs, Face Oculta, Aterro sanitário da Cova da Beira, Universidade Independente, Duarte Lima, Isaltino Morais, Dias Loureiro, SLN, LISCONT, TGV, Ota e aeroporto de Beja, Estradas de Portugal, Serviços Secretos…Penso que são exemplos bem elucidativos, mas um pequeno esforço de memória de certeza que permitiria reforçar fortemente esta lista. Que me desculpem todas as ilustres entidades e personalidades de que me tenha esquecido, mas o errar é humano e não houve qualquer falta de consideração... Mas – que lapso ia cometendo- há um caso que de modo algum pode ser olvidado, até porque se trata, tudo o indica, de um grupo de benfeitores que tratava, sem ninguém saber (isto é que se chama humildade e altruísmo) da saúde dos portugueses…Mas da saúde deste grupo parece que também alguém já começou a tratar. Talvez que a exceção que confirme a regra. SNS é, como já todos concluíram, o âmbito em que se processou este comovedor desvelo pela saúde dos portugueses.
E de tudo o que referido foi, o que resultou de concreto e de palpável? Tirando o que considero como caso de exceção, pouco, muito pouco mais, do que inicialmente referi!
É pouco, é quase nada, e a principal e por vezes a única vítima, o povo, tem o pleno direito de exigir que a verdade, mas toda a verdade, incluindo os nomes de todos os envolvidos, seja urgentemente posta cá fora, sem esquecer os nomes de todos os intervenientes e que os criminosos vão, como uma justiça de verdade impõe, lá para dentro!
Assim fosse e então Portugal poderia ser considerado um Estado de Direito. Estarei errado? Talvez, mas, como sempre, apenas exteriorizo o que me vai na alma. Indignação, extrema indignação, vergonha, muitíssima vergonha, pelo estado a que, no âmbito da justiça, e não só,  o meu país chegou. E como me sentiria feliz se me não assistisse qualquer espécie de razão!

terça-feira, 5 de junho de 2012


Alerta! Andam assassinos de gerações à solta…
De modo algum deixaria de trair a minha consciência, se não opinasse sobre tudo que se adivinhava, o que já se sabe e o que se adivinha que teve lugar e tenho esperanças, muito embora não me considere ingénuo, se venha ainda a saber, relativamente a um conjunto de comportamentos de entidades, individuais ou coletivas, ou mesmo uma simbiose de ambas, na maior parte das situações ao que é chamado PPP (Parcerias Público Privadas) e muito em especial às relativas às chamadas SCUTs. E o que já é publicamente conhecido, fundamentalmente com base nas conclusões, tomadas por unanimidade, pelo Tribunal de Contas – e aproveito a oportunidade para publicamente prestar a minha humilde homenagem ao Dr. Guilherme de Oliveira Martins, Homem, Político e Técnico de uma craveira muito rara em Portugal – é mais do que suficiente para afirmar, sem qualquer tipo de problemas, que em Portugal anda à solta quem, de um modo irreversível, assassinou, financeira, económica e socialmente, pelo menos, gerações presentes e algumas das que se sucederão! E se neste meu artigo apenas me quero referir aos crimes praticados no âmbito atrás constante, muito mais poderia ser publicitado, se alargado o comentário a outros tipos de crimes-alguns dos quais também com os mesmos intervenientes nos atrás em causa- todos da responsabilidade de figuras públicas, infelizmente quase na totalidade por maus motivos, que, para além de usarem colarinhos brancos, sempre se apresentam muito bem vestidos – Armani e marcas semelhantes- e bem falantes, exceto, por vezes, quando se exprimem em inglês…
São os chamados PPP - Peritos em Prejudicar o Povo- oriundos das mais diversas áreas da atividade nacional, com merecido destaque para a política, para os quais a justiça nas urnas, em algumas situações já concretizada, é minimamente insuficiente, impondo-se uma justiça de verdade, como sucedeu na Islândia, num exemplo a que a comunicação social – e por que será – muito pouco ou nada fez referência; e neste caso, parece que o comportamento da imprensa escrita, rádio e televisão teve conivência de toda a área do usualmente denominado “arco do poder”; significativo, não é? Aliás, extremamente significativo… E não venham com as desculpas de que outro tipo de justiça não é viável, porque, frequentemente, qualificados especialistas nesta área já afirmaram e demonstraram o contrário.
E porque existem, personalidades que, para além de disporem de muitíssimo mais fortes meios de publicitarem as suas opiniões ou tomadas de posição, são muitíssimo mais qualificadas nesta matéria, e em muitas outras, do que a de um simples cidadão que, para além de tentar acompanhar tudo que ao país que serviu e procura continuar a servir diz respeito, tem pelo menos o mérito de publicamente exprimir a sua revolta e indignação perante comportamentos que “mataram” gerações presentes e futuras, a seguir se indicam possibilidades de ouvirem e verem algumas dessas personalidades:
Por não ter conseguido localizar o linK: procurar, no Google, “tribunal de Contas enganado para aprovar autoestradas”, localizando o vídeo da TVI 24
Esperemos, agora, que tanto os atuais responsáveis pelos destinos do país – Presidência da República, Assembleia da República, Governo, com especial destaque para a Ministra da Justiça, P.G. da República e ex-responsáveis, porque não meço todos pela mesma medida e o exemplo do Engº Cravinho é bem significativo- têm a coragem política, e não só, de atuarem de modo a não correrem o risco de poderem ser acusados de conivência. Termino com uma afirmação decorrente de um comentário há pouco lido: ”Corajoso, é o que tem a coragem de atuar contra si próprio”… Veremos quem o desejará ser!

sexta-feira, 1 de junho de 2012


Por favor, sejam justos com o Seguro
Porque tenho a impressão que, no que diz respeito à Reestruturação Autárquica, reina muita confusão, alguma dela deliberadamente provocada e também porque a memória do povo é fraca, e curta, lembrei-me de fazer uma pequena transcrição do acordo com a chamada “troika” que, no capítulo da Administração central, regional e local, define os seguintes objectivos:”3.43.Reorganizar a administração do governo local. Existem atualmente cerca de 308 municípios e 4.259 freguesias. Em Julho de 2012,o governo vai desenvolver um plano de consolidação para reorganizar e reduzir significativamente o número de tais entidades. O governo vai implantar esse plano com base em acordo com o pessoal da CE e do FMI. Essas mudanças, que entrarão em vigor no início do próximo ciclo eleitoral, vão melhorar o serviço, aumentar a eficiência e reduzir custos. “
Para os menos atentos ou com mais fraca memória, lembra-se que o acordo em questão foi subscrito pelo então primeiro - ministro, o saudoso José Sócrates e não por António José Seguro, pelo que nenhuma responsabilidade pode ser pedida a este ilustre político, até porque nunca foi ou é militante do Partido socialista e, muito menos seu dirigente…Porque acima de tudo procuro ser justo e imparcial, aqui fica esta nota. Até porque os amigos são para as ocasiões.

quinta-feira, 24 de maio de 2012


E o PREC voltou: Prescrições e Roubalheiras Em Curso
Preparando, há cerca de um mês, elementos que me servissem de apoio a duas “conversas” que, relativamente ao 25 de Abril, iria ter com alunos do 1º Ciclo, encontrei vária documentação com referências ao PREC-para os menos identificados com a sigla, esta significa “Período revolucionário em curso” e refere-se aos meses que se seguiram ao 25 de Abril -o que me fez lembrar que a mesma sigla se poderia aplicar a muitas situações em que os últimos quinze anos foram férteis, sem embargo de reconhecer que, muito embora com menor frequência, as mesmas sempre existiram, constituindo como que uma doença endémica de um povo que parece incapaz de contra a mesma lutar, acobardando-se numa passividade e numa falta de coragem intelectual que permitiu que, dia a dia, novo PREC se instalasse. Refiro-me ao flagelo, porque de tal se trata, das sucessivas prescrições, relativas a crimes de natureza diversa, mas dizendo por norma respeito a personalidades ou entidades usufruindo de enorme poder, financeiro e não só e aos autênticos roubos feitos ao erário público, muitos deles já conhecidos e publicitados e outros que se adivinham. E digo roubos, porque me parece a melhor expressão para qualificar, por exemplo, certos tipos de contratos relativos às já célebres Parcerias – Público Privadas, sendo o caso das SCUT, recentemente publicitado, um dos mais emblemáticos: os nove juízes do Tribunal de Contas, numa significativa unanimidade, concluem por ilegalidades nas adjudicações, ilegalidades essas que custaram ao povo centenas e centenas de milhões de euros. E, certamente que por simples coincidência, as entidades a quem as obras, estas e muitas outras, foram adjudicadas, repetem-se em muitas situações…
E mesmo admitindo, numa hipótese que pouco mais se poderá considerar do que meramente académica, que os responsáveis por tais contratos venham a ser constituídos arguidos, quase que garantido é que a lista de prescrições sofrerá forte reforço!
Desta forma, e até porque os tempos de crise em que vivemos indicam a não realização de despesas que se possam evitar, sugiro que, enquanto não for instalado em Portugal uma justiça em que todos possamos confiar, que confira a pobres ou ricos, fracos ou fortes, os mesmos direitos e obrigações, certos tipo de crimes, quando praticados por certas personalidades ou organizações, nem sequer sejam averiguados, poupando-se tempo e dinheiro e permitindo assim uma maior eficiência no combate aos pilha -galinhas e quejandos. Reconheço que muitos advogados e escritórios do mesmo ramo veriam os seus proventos diminuírem substancialmente, mas são coisas da vida…
E mais uma vantagem surgiria: os juízes teriam mais tempo disponível para dar andamento a centenas de milhares de processos que aguardam desfecho, relativos a débitos a operadoras de telecomunicações. Até porque estes, sim, são crimes de enorme gravidade e que, inclusive, lesam profundamente o erário público…
Uma pequena esperança me resta: que alguns indícios dados pela atual ministra da justiça, não sejam apenas fumo, mas sim pronuncio de fogo; mas fogo a sério, que queime totalmente as pretensões de quem quer que seja que pretenda continuar a usufruir das “regalias” que a atual justiça lhes oferece!