quinta-feira, 3 de maio de 2012


Ninguém sabe quem acabará com isto; e como, também não…
Ao assistir, há pouco mais de uma semana, na SICNotícias, a um programa versando a situação com que o país se debate, com particular destaque para a vertente económica, programa moderado por José Gomes Ferreira, comentador que muito aprecio, e muito em especial pela frontalidade de que faz uso, e em que intervieram o Engº Henrique Neto e um ex-deputado, ambos da área do PS e outros dois elementos especializados na área económica, fiquei verdadeiramente siderado com algumas afirmações feitas, assim como com análises e conclusões apresentadas.
E, para já, um exemplo muito simples: de acordo com o afirmado, por um dos intervenientes, o aumento de 6,9% do custo do gaz natural, tem como explicação, dada pelo Regulador, a redução de consumo e, portanto, a redução sequente dos lucros da empresa fornecedora…Mas, pensando melhor, e conforme foi também realçado por parte dos intervenientes, nada de anormal terá esta situação, na medida em que, desde há muito, as entidades denominadas, por que apenas de nome o são, Reguladoras, no âmbito das empresas e atividades em que o Estado está envolvido, se limitam a defender os interesses de quem os nomeou; e os consumidores, que se “desenrasquem”…
Mas há mais: relativamente às agora tão faladas “rendas”, foi salientado um fator que, segundo os intervenientes, nunca foi objeto de qualquer estudo ou análise, isentas e conclusivas: os custos finais de produção, sobre os quais incidem as mesmas rendas; isto é, se o custo tomado por base for 100, mas na verdade se reduzir a 70, sucede que as rendas reais são acrescentadas de 30% do custo oficial! Confesso, humildemente, que nunca tal situação se deparara ao meu espírito, mas verdade é também que não sou economista e muito menos especialista na matéria, mas simplesmente um observador que procura estar atento ao que aos cidadãos pode interessar. Para estudar resolver situações como as citadas existem entidades, de natureza vária, englobando personalidades ditas especialistas na matéria, mas que, na realidade, parecem serem mais especialistas em defender os interesses das organizações que deviam regular, que os dos consumidores, de acordo com as funções que lhes competem…
 Mas, mais preocupante ainda, foi o facto de, após analisadas estas situações e outras de teor semelhante, envolvendo grandes e poderosas empresas e organizações que tudo controlam, incluindo o poder instituído, o atual e os anteriores, que numa vil afronta aos que dia a dia vão empobrecendo e mais se aproximam da miséria, acumulam lucros escandalosos, frequentemente objeto de taxas e impostos de reduzida relevância ou mesmo deles conseguem escapar, graças, muitas vezes, a leis cientificamente estudadas e aprovadas por quem se diz representar e defender os interesses dos que os elegeram, o mais preocupante, dizia, foi a conclusão de que tudo teria e acabaria mesmo por mudar, a bem ou a mal…E se não foram estas as palavras, o sentido foi o mesmo. E, penso que no mesmo programa, mas admito que noutro tenha sido, até foi referido o que, relativamente à REPSOL sucedeu na Argentina …Tudo isto e afirmações como as dos meus camaradas Otelo e Vasco Lourenço, que em circunstâncias normais originariam reações completamente diferentes das que se verificaram, permitem-me arquitetar uma diversidade de hipotéticas soluções, incluindo algumas que nem academicamente quero admitir; até porque soluções nunca seriam…
Mas, sobre a realidade com que nos defrontamos e o perigo de situações que se adivinham e, infelizmente, quase diria que se avizinham, tecerei mais tarde algumas considerações, dado que as mesmas merecem, assim o penso, que este artigo de opinião tenha continuidade; para já apenas quero referir algo que pode ter passado à margem de muitos leitores e que tem a ver com a natureza da justiça que se pratica em Portugal. E muito embora possa parecer que a questão em causa pouco ou nada tem a ver com as que atrás comentei, a verdade é que quase tudo que referi engloba situações de justiça, embora social, ou melhor, da sua ausência. Vejamos, então, de forma resumida, o que se passou.
Um ex-gerente bancário foi condenado, na sequência de uma fraude de 143.000€,segundo o que foi publicitado, a uma pena, suspensa, repito, suspensa, de quatro anos de prisão. Fazendo as contas, aliás de nula dificuldade – difícil mesmo é acreditar na justiça- verifica-se que a recompensa pela elogiosa atuação do premiado, desculpem o lapso, do condenado, corresponde a um vencimento aproximado de 2.800€ mensais…É claro que só durante quatro anos, mas sempre é melhor do que estar no desemprego; e até pode ser que venha a ser considerado em tal situação, então com direito ao respetivo subsídio…E, como a minha saúde ainda me permite ter uma certa esperança de vida, pode ser que veja a personalidade em causa ser condecorada, como herói nacional, no próximo dia 10 de Junho! É que neste Portugal já nada me espanta…

sexta-feira, 13 de abril de 2012


por Campos Barros a Sexta-feira, 13 de Abril de 2012 às 17:48 ·
Face à decisão do tribunal, e muito embora haja,segundo o publicitado,possibilidade de recurso, só me admiro de que ainda existam portugueses que tenham ficado admirados com a absolvição dos 12 arguidos.Não desconheço que,até qualquer sentença passar em julgado,todo cidadão tem direito a ser considerado inocente, mas a verdade,nua e crua, é que , com raríssimas excepções,por norma todos casos envolvendo acusações de corrupção e outros procedimentos criminosos e em que estejam envolvidos entidades,singulares ou colectivas,de grande influência,económica e não só, conduzem à situação de que a presunção de inocência dê lugar a uma inocência em que quase ninguém acredita,mas que a justiça determina e impõe!
Mas,como ainda muito recentemente comentei,em situação envolvendo dívidas às finanças,da responsabilidade de clubes de futebol,se o presumido inocente for um qualquer Zé da esquina, acusado de roubar- roubar,sim,porque para os grandes é desviar- um pão para matar a fome,a presunção desaparece num ápice e a esquina só não é também presa por ser muito difícil de transportar.
E diz-se não haver justiça em Portugal;não concordo com tal,mas sim com a existência de vários tipos de justiça,conforme a natureza dos arguidos e dos níveis dos presumidos inocentes, o que só é possível pela existência de também vários tipos de juízes e outras entidades judiciais; e isto só é viável pelo controlo, político e não só,dada a diversidade de lobbies , com força e poder que tudo superam,a que a justiça está sujeita.Por tal, e por muitas outras razões,permanentemente afirmo,com toda a frontalidade e sem receio de ser desmentido, que,em muitas áreas e situações,Portugal vive uma democracia meramente formal ou virtual,que não uma democracia real e em toda a sua plenitude..Como é lógico,tenho que aceitar que,na situação específica em causa,até o desfecho tenha sido totalmente justo;mas que é muito difícil de aceitar e compreender,e estou certo que não apenas pela minha humilde pessoa,isso é...
E a propósito: a que conclusão se chegou da proveniência,penso que de um milhão de euros,das doações feitas ao CDS, em que até um nome aparecia, como doador,nome aliás muito curioso, de alguém que nunca foi identificado;como é lógico, apenas refiro o CDS por se tratar da entidade associada a este caso e por mais nenhuma razão.Até porque se tudo,em várias situações semelhantes,fosse devidamente averiguado,as cores dos envolvidos,corrijo, dos presumidos inocentes,comporiam um belo arco- íris...

terça-feira, 3 de abril de 2012


E outras coisas mais (cont)
Entremos, então, no que considero ser o cerne da questão, e, como pedra basilar do que a seguir opino, apenas desejo transcrever, até para avivar a memória muito deficiente de alguns, e a maioria dos políticos sofrem desta maleita-basta constatar a facilidade com que se esquecem da quase totalidade do que prometem durante as campanhas eleitorais- e, diga-se a verdade, este aspeto da atividade política é um dos muito poucos em que há consenso geral: todos prometem e nenhum cumpre ou, porque nem todos governaram, prometem o que sabem nunca cumprir…
Eis, então, a transcrição do ponto 3.43, do acordo celebrado com a troika, relativamente à Administração central, regional e local:
“Reorganizar a administração do governo local. Existem atualmente cerca de 308 municípios e 4.259 freguesias. Em julho de 2012,o governo vai desenvolver um plano de consolidação para reorganizar e reduzir significativamente o número de tais entidades. O governo vai implantar esse plano com base em acordo com o pessoal da CE e do FMI. Essas mudanças, que entrarão em vigor no início do próximo círculo eleitoral, vão melhorar o serviço, aumentar eficiência e reduzir custos.”
E também no sentido de reavivar a memória, muitas vezes tão insegura, convém recordar que foi o “saudoso” José Sócrates e o seu governo que assinaram tal acordo; sim, o político que chefiou o mesmo partido que agora António José Seguro – o seguro deve ter sido por engano –se diz chefiar; e o “se diz” não é escrito por mero acaso…
Esclarecido este pequeno pormenor, analisemos, então, o que se tem passado e, porque considero ainda mais importante, o que penso se irá passar:
-Existe um acordo, assinado pelo PS, governo de então e subscrito pelos partidos do atual governo;
-Para cumprimento do estabelecido, o atual governo fixou normas a respeitar, que não tive qualquer dúvida a classificar como sendo de “régua e esquadro”, logo substituídas por outras, em que era possibilitada maior margem de manobra ao poder local, parecendo que ainda surgirá uma terceira versão, ainda um pouco mais “soft”;
-Mas nada fez ou fará alterar, estou certo, o comportamento das forças da oposição, apostadas exclusivamente em tirar o máximo aproveitamento político, os chamados dividendos, da habitual reação negativa das populações, sempre que se verificam reformas que implicam mudanças que, à partida, parecem afetar os seus interesses e muito especialmente quando estão em causa eventuais novas delimitações territoriais, a grande maioria das quais vigorando desde os meandros do século XIX;
-E então, sob a capa da defesa dos interesses das populações, ocultando, não haja pejo em o afirmar, parte das verdadeiras razões de tal comportamento – perda de poder e das influências que o mesmo confere e perda de fontes de rendimento, direto ou indireto - ouve-se o toque a rebate e organiza-se a marcha sobre Lisboa, com manifestações folclóricas bem dispensáveis, pois que “folclore” e de primeira já tem o povo possibilidade de assistir, quase diariamente, na Assembleia da República. Mas, em abono da verdade, e para que não restem dúvidas sobre o sentido desta minha intervenção, convicto estou que pouco ou nada mudaria se as posições de governo e oposição se invertessem; é que há que manter a triste realidade da “política à portuguesa”!
E se assim não o é, por que razão é que, com base no que a troika impõe, se não esclarecem e informam com honestidade total as populações de uma realidade que nos é imposta, se não apresentam as várias hipóteses de como cumprir o que tem de ser cumprido e se deixa a decisão final para os verdadeiros interessados? E ainda o atual governo não teve coragem política para impor alterações a nível das Câmaras…Se assim fosse, não haveria nº suficiente de autocarros para deslocar a Lisboa todos os dedicados servidores do povo; mesmo que entre os servidores não fossem incluídos os que tão devotamente servem as populações na maioria das empresas municipais…
Discordar, conscientemente e com honestidade intelectual, é uma coisa; encobrir interesses pessoais ou cooperativos, sob a capa do servir, nunca…Pela minha parte, e dentro das minhas limitadas possibilidades, a nível de concelho, rasgarei todas as capas, sejam quais forem as suas cores. E com a mesma determinação com que rasgaria os “aventais” políticos, se força tivesse para tal! E por aqui ficam as “outras coisas mais”; muito embora mais outras coisas houvesse para denunciar. Mas espero que outros me ajudem nessa missão. Que me perdoem os que se oponham ao que sobre esta matéria penso, até pela época muito especial em que vivemos. Uma Feliz Páscoa para todos, apoiantes ou discordantes, deste e de outros artigos…

sexta-feira, 30 de março de 2012



Uma Revolução Tranquila, tendo a PALAVRA como arma
Há muito defensor de que Portugal só mudará de verdade, nas suas várias vertentes, quando se verificar, em grande parte da população, uma autêntica revolução de mentalidades, e tendo como certo que tal, a verificar-se, nunca será a curto prazo, infelizmente, uma notícia ontem publicitada inspirou-me para convidar os meus amigos a comparticipar numa tentativa de revolução muito mais simples e para a qual a palavra, oral ou escrita, é a única arma necessária.
E, antes de mais, a especificação da notícia em causa, semelhante, na sua natureza, a muitas de que quase diariamente tomamos conhecimento: a atuação criminosa envolvendo farmácias, medicamentos & compª, parece que ilimitada. E passemos ao tipo de revolução que sugiro:
Provado está que os partidos não dão qualquer prova de se auto- regenerarem, permanecendo com comportamentos, através de quem os integra e principalmente dos seus principais responsáveis, em que a Ética, a verdade e mesmo o respeito pelo legalmente estabelecido  frequentemente são postos em causa. São verdades irrefutáveis e a prova de tal é o estado a que o pais foi conduzido, fruto de erros acumulados ao longo de dezenas de anos. E, de imediato, e para me antecipar a conclusões erradas ou mesmo mal intencionadas, a afirmação de que considero os partidos pilares fundamentais de uma democracia de verdade, que não a que tem vigorado em Portugal, muitas vezes mais próxima da virtual ou meramente formal.
E porque a auto - regeneração dos partidos não passa de uma miragem, o que nos impede de serem os cidadãos comuns, independentemente das suas opções políticas, a obrigar as organizações partidárias a alterar profundamente os seus comportamentos, passando a desempenhar a sua verdadeira e nobre missão de servir os que dizem representar, em contradição com a forma verbal que melhor conhecem: servir-se?
Será que a falta de segurança, uma justiça que não funciona, principalmente quando estão em causa os ricos e poderosos, uma corrupção galopante, delapidando dia a dia a coisa pública, um sistema eleitoral que permite a  escolha de candidatos unicamente aos partidos, com exceção do âmbito autárquico mas no qual as organizações independentes têm imensa dificuldade em se candidatarem, uma constituição eivada de princípios ideológicos que nada justifica, uma redução do nº de deputados, não serão matéria que a todos preocupa e que os portugueses gostariam que fosse objeto de profundas alterações? Missão difícil, dirão uns, impossível, dirão outros, até pela crise financeira, económica e social que o país atravessa. Embora correndo o risco de ser considerado um sonhador, que já teve a felicidade de dar uma pequena ajuda para que o "sonho" de milhões de portugueses se tornasse realidade, eis o que proponho:
-Que todos os desiludidos com a realidade em que vivemos, aproveitem todas as oportunidades ou mesmos as procurem para pessoalmente manifestarem de viva voz, por meios cordatos e sem qualquer tipo de ofensa, todos os dirigentes partidários, locais, distritais ou nacionais, manifestando a sua discordância ou mesmo indignação, relativamente às matérias atrás referidas, sem excluir a Presidência da República;
-Que na impossibilidade de não conseguirem contactos pessoais, utilizem a escrita, na comunicação social, nas redes sociais ou através de mails ou cartas para se dirigirem às mesmas entidades e a todos os grupos parlamentares;
E apenas alguns exemplos em que o problema financeiro não é o fator decisivo:
Segurança: a substituição de agentes da autoridade por cidadãos desempregados e auferindo do subsídio de desemprego, no desempenho de funções meramente burocráticas e administrativas, dispensando os agentes para a sua verdadeira missão; ter agentes a entregar citações e documentação semelhante não me parece o melhor aproveitamento de pessoal;
-Dar prioridade à realização de julgamentos envolvendo situações em que o interesse público esteja em causa, muito em especial no respeitante a casos de corrupção;
-Alteração da Constituição, envolvendo, entre outras coisas , o nº de deputados;
-Reformulação da gravidade das penas previstas para determinado tipo de crimes, de natureza económica e financeira, não esquecendo situações relativas a ofensa á integridade física ou mesmo a morte( crimes de sangue)
São apenas meros exemplos do que, muito mais do que encargos financeiros, é indispensável o empenhamento da classe política. Aceito perfeitamente que as alterações sugeridas englobam a perda de privilégios e a possibilidade de diminuição em grande escala de alguns, para ser muito otimista, dos que dependem as mesmas alterações, mas é a vida, como é habitual ouvir dizer...
E se os resultados desta "guerra", em que a palavra é a única que advogo, resta uma outra arma, infelizmente pouco ou nunca usada por grande parte dos cidadãos, ou usada contra os inimigos menos perigosos, pela astúcia e demagogia dos que realmente o são. A ARMA DO VOTO; sim, a arma do voto, mas utilizada num sentido pouco habitual: o VOTO em BRANCO, que nunca a abstenção, que cada dia ganha, lamentavelmente, embora por responsabilidade e culpa da classe política, maior dimensão. Será, em último recurso, o mais forte meio democrático de manifestar à classe política que nos governa a imperiosidade de mudança radical de comportamento e de compreender que "O POVO É QUEM MAIS ORDENA"!E isto afirmado sem qualquer carácter partidário e exclusivamente por ser este princípio que está na base de uma democracia de verdade. E já pensaram qual a situação com que os políticos e os partidos se deparariam, se o partido do "voto em branco" fosse o vencedor, com uma forte maioria? Já alguma vez pensaram em tal?
E para os que duvidam da viabilidade desta revolução, em qualquer das duas versões, termino com um princípio que na gíria militar é quase imperativo: o impossível, faz-se hoje; o difícil fica para amanhã...
E, quase me ia esquecendo: podem crer que, no que me diz respeito, não se aplica o ditado envolvendo S. Tomás; e os que me conhecem sabem bem o quanto tenho posto em prática o que aqui advogo; por alguma coisa é que, há já dezenas de anos, era conhecido no meio político em que militava, como o "revolucionário". E isto sem ter alguma vez feito guerra à minha consciência. Vamos, pois, dar início a esta guerra, tão decisiva para os destinos de Portugal. E como na guerra das armas, para se vencer a mesma, é muitas vezes necessário travar sucessivas batalhas. Talvez que esta seja até mais fácil, exigindo apenas coragem intelectual. Que todos sejam, neste âmbito, heróis perante si próprios.

sexta-feira, 23 de março de 2012

                                                                 E outras coisas mais..

Conforme referi na minha última intervenção,acabei por não tecer qualquer comentário ao que previra incluir em "outras coisas mais",situação que agora corrijo. E,até por se tratar de um assunto, não só actual como pelo facto de nele me encontrar envolvido,por funções que desempenho numa Assembleia Municipal,considero o mesmo merecer uma reflexão,profunda,atenta,desapaixonada e,mais do que tudo, independente.Refiro-me a tudo que diz respeito à reorganização administrativa do território e muito em particular às freguesias,muito embora,e segundo o que nesta data li,as Câmaras Municipais também possam vir a ser incluídas.E,antes que tudo,um declaração de interesses, abaixo especificada,muito embora não tenha esta intervenção em vista defender qualquer ponto de vista,mas simplesmente denunciar comportamentos que ajudam a compreender muitas das razões que permitiram que Portugal fosse arrastado para o abismo em que foi lançado, por erros e mesmo  incompetência de sucessivos governos-diria mesmo   por todos os que seguiram ao já quase esquecido Abril-pelo menos os seus ideais caminham para o desaparecimento-e muito em especial pelas políticas verdadeiramente criminosas,a vários níveis e em diversos sectores, praticadas pelos dois governos do agora "filósofo" José Sócrates.E assim,cumpre- me publicitar que há muito que sou defensor de uma profunda reestruturação de tudo o que envolve o poder local, e apenas cito duas razões, a primeira das quais como meros exemplos:
-O concelho de Barcelos tem 99 freguesias,o que implica uma AM com,pelo menos 199 elementos,ao mesmo tempo que existem dezenas de freguesias em que o nº total de habitantes orça os 100, havendo,penso,diversos casos em que nem sequer este nº é atingido;e o nº total de freguesias é de 4260,salvo qualquer eventual erro,sendo o nº actual de concelhos de 308,salvo qualquer lapso;
-Considero que,à semelhança do que sucede no poder central,as Câmaras Municipais são,frequentemente,espaços privilegiados de criação de clientelas partidárias,tornando-se instrumentos fundamentais para a reprodução do poder dos partidos e autênticos sorvedouros dos dinheiros públicos.
Nada disto significa,de modo algum,a  não aceitação da existência de considerável nº de honrosas excepções.
Naturalmente que muitos discordarão do que exprimo,mas também é certo que muitos deles serão os beneficiados pelo actual sistema.
E porque me alonguei mais do que inicialmente previra,considerem esta primeira parte como um mero prefácio,seguindo-se,muito em breve,a matéria mais sumarenta e apetitosa...E por mais humilde que seja,e é, a minha pessoa,penso também ter direito a escrever um prefácio.Até porque sou contrário a qualquer tipo de monopólio.

sábado, 17 de março de 2012


Um Prefácio e outras coisas mais…
Muito embora reconhecendo o volume de opiniões e críticas originadas pelo já célebre prefácio do atual Presidente da República, não posso deixar de tecer algumas considerações, até por se tratar de uma personalidade que durante anos apoiei -e humildemente confesso que em várias situações o não deveria ter feito.
Na verdade, e sem colocar minimamente em causa as afirmações e factos relatados no texto, uma conclusão de imediato me é permitido deduzir: conforme por várias vezes opinei, ao tentar apresentar-se como alguém quase que não político, e deixando mesmo adivinhar uma muito pouca simpatia pelos partidos, e precisamente na sequência destes procedimentos, o Prof. Cavaco Silva é talvez o mais político de todos os políticos…E o modo como inicialmente utilizou o apoio do partido que o lançou na vida política, seguido de um cada vez maior afastamento do mesmo, e do estiolar de muitos que o rodearam, que não de algumas figuras que com ele tão intimamente colaboraram – alguns dos quais de triste memória - a prática de políticas que então apresentou como as mais corretas para o desenvolvimento do país, com destaque para a política do betão, a falta de controlo dos fundos comunitários, a liquidação da agricultura e das pescas, tudo isto em oposição plena ao que na atualidade defende e proclama, como sempre tivessem sido estas as suas opções, são, penso, a prova provada da razão que me parece assistir.
E passemos, então, a alguns pormenores do tão falado prefácio.
Sócrates é acusado de falta de lealdade e sugere mesmo ter sido enganado; mas se tal sucedeu em relação ao país, qual o motivo da admiração do Senhor Presidente? Mas alguém acredita ser o Senhor Presidente, um político e mesmo um simples cidadão tão ingénuo que até foi apanhado de surpresa com matéria relacionada com execuções orçamentais?
E só agora, depois de factos consumados e as opções a tomar se resumirem, praticamente, a “a troika manda e o governo executa”, é que denuncia factos que me parecem, salvo melhor opinião, de modo  algum deverem ser objeto de publicitação, até pelo ambiente que se gera e gerará relativamente ao atual e futuros primeiros ministros? Francamente, e com a minha habitual frontalidade o afirmo, muito do apresentado se me configura, acima de tudo, como auto elogios, laivos de vingança política e tentativa de justificar o que considero injustificável: o ter contribuído, fundamentalmente por omissão, para que o país se fosse arrastando penosamente, para a calamidade com que hoje se debate. Bem avisou, bem alertou, bem encaminhou os portugueses para o site da presidência e para o facebook, mas intervenções diretas e verdadeiramente produtivas, onde as encontramos? Nem uma mensagem à Assembleia da República e, como factos mais relevantes, lembro – me a comunicação ao país sobre o estatuto dos Açores, contrariando toda uma expectativa gerada, face à situação então vivida s e um facto político que ficou conhecido como o “escutas a Belém”, situação aliás muito obscura e nunca devidamente esclarecida; como aliás é próprio e habitual em políticos…E há um pequeno pormenor que do prefácio não consta: o ter dado posse a um governo minoritário, quando tudo garantia tratar-se de uma morte anunciada…Mas a agonia do país foi prolongado por mais uns longos meses! É ainda feita referência ao facto de não lhe ser possível demitir um primeiro- ministro; fica a explicação para os que eventualmente ainda desconhecessem tal preceito constitucional, mas outras soluções, com efeitos decorrentes equivalentes, não foram utilizadas… E, com a embalagem, já me esquecia de lembrar que, de permeio, tiveram lugar eleições presidenciais, a que o Sr. Prof. Cavaco Silva se candidatou e até, e democraticamente, venceu. Mas isto é, na verdade, um ínfimo pormenor, e tão insignificante que até do mesmo me ia esquecendo. E, se tal tivesse ocorrido, com toda a razão me poderiam apelidar de político à portuguesa, onde a memória do que se diz e fundamentalmente promete, tão frágil é. E foi tal o entusiasmo, e mesmo quase que emoção, que me provocou a leitura e posterior análise do prefácio em causa, que esgotei o espaço que a mim próprio impus; mas outros temas estão na forja…

quinta-feira, 1 de março de 2012


A dificuldade está na escolha…
Pensando no tema a abordar hoje, foram tantas as situações e acontecimentos que me pareceram dignos de registo, que optei por pouco mais do que a enumeração de alguns deles, até para os não deixar cair em esquecimento, principalmente por parte da maioria dos políticos da nossa praça, se alguns tiverem a curiosidade de aceder a este blog - e de certeza que alguns que conheço o farão- dada a permanente falta de memória de que dão provas, no respeitante a promessas feitas durante as campanhas eleitorais e das quais rapidamente se esquecem. Vejamos, então:
- O sr. P.G.R. queixa-se de falta de meios de intervenção, depois de há meses ter afirmado sentir-se como uma Rainha de Inglaterra: quanto à falta de meios, não o aceito, porque uma tesoura, mesmo com bastante uso, dura sempre um tempo aceitável. No respeitante à semelhança com a Rainha de Inglaterra, e uma vez que não usa saias, talvez que o uso de avental o aproximasse ainda mais de sua majestade…Na vestimenta, claro.
Mas muito embora não seja, pelo menos oficialmente, um político, também mostrou uma memória fraca: esqueceu-se de pedir a demissão…
-Um PR, responsável primeiro, enquanto PM, pelo abandono, mediante aliciantes mas traiçoeiras contrapartidas financeiras, da agricultura e das pescas, perito na política do alcatrão, esquecendo áreas da atividade nacional absolutamente fundamentais para o desenvolvimento racional e equilibrado do país, e permitindo que enormes meios financeiros fossem desviados dos fins a que se destinavam, enchendo os bolsos, por muito grandes que fossem, de cidadãos que desconheciam totalmente a ética, o interesse nacional e muito em especial a honestidade, parece ter-se esquecido do muito de errado que patrocinou e aparece como o detentor único da verdade, apresentando como rumo a seguir opções por si outrora ignoradas. E uma das verdades apregoadas é ser insuficiente para viver sem dificuldades a pensão que o casal recebe; quem diria tal! Uma permuta imediata, e ainda com algum bónus, aceito de imediato…
-Carlos Cruz, como que uma cereja no topo do bolo da desfaçatez e de fazer dos portugueses como que atrasados mentais, aparece, creio que numa universidade, a dar aulas de direito…Certamente que do direito que gostaria que vigorasse, para que a sua condenação, muito embora ainda passível de recurso- e parece que recursos financeiros é coisa que lhe não falta- não tivesse sido possível. E mais, se possível que a pedofilia passasse a ser uma prática normal, sendo condenado quem a não praticasse. Registo que, mesmo que academicamente, sou forçado a admitir que qualquer recurso o considere inocente, pelo que há que referir a tão habitual presunção.
-Um marido abalroa o carro em que a mulher conduz, agride a mesma, com várias facadas e não é preso preventivamente, dado que, como não fugiu quando da prática do crime, o perigo de fuga futura não existe. Atenção aos criminosos de qualquer natureza: após qualquer crime que pratiquem, não fujam, aguardem a presença da polícia e fujam, isso sim, enquanto aguardam julgamento em liberdade. Uma valiosa sugestão, que dou incentivado por as opiniões desta natureza ainda não serem taxadas… Lapso da troika, de certeza!
-No plano externo, incentiva-se a revolta na Síria contra uma ditadura de muitos anos e depois, iniciada a luta pela liberdade, cobardemente deixam-se as populações abandonadas e entregues a si próprias e à mercê de verdadeiros assassinos, a soldo e mando de um terrível ditador. Mas a explicação até não me parece muito complexa e chama-se simplesmente petróleo, ou melhor, a sua não existência! Malditos são os que, estando na base do conflito, permitem que a razão da força vença a força da razão. E o prémio da sua cobardia cifra-se em largos milhares de mortos e feridos. Mas nada me admira que, se a revolução tiver êxito, os mesmos apareçam a vender medicamentos e a construir hospitais, entretanto destruídos, com os consequentes lucros financeiros. E afirmam-se civilizados e democratas, estes verdadeiros criminosos morais e políticos!
-Um paquete, com centenas de passageiros e tripulantes afunda-se, por razões ainda pouco esclarecidas, e o comandante, contrariando o que há séculos constitui ponto de honra dos responsáveis máximos de qualquer embarcação- ser o último a abandonar o barco- pensa apenas em si e na sua segurança, abandonando em todos os aspetos todos os que navegavam e que, como é usual, confiavam na ética e sentido de missão de quem os traiu.
Simples exemplos, no entanto bem demonstrativos, penso, de situações e comportamentos que todos, ou quase todos, gostaríamos que não tivessem sido tristes realidades. Mas os avanços extraordinários da ciência, a nível vário, ainda não conseguiram viabilizar implantações de natureza mental e intelectual. Esperemos, entretanto, melhores dias…