sexta-feira, 30 de março de 2012



Uma Revolução Tranquila, tendo a PALAVRA como arma
Há muito defensor de que Portugal só mudará de verdade, nas suas várias vertentes, quando se verificar, em grande parte da população, uma autêntica revolução de mentalidades, e tendo como certo que tal, a verificar-se, nunca será a curto prazo, infelizmente, uma notícia ontem publicitada inspirou-me para convidar os meus amigos a comparticipar numa tentativa de revolução muito mais simples e para a qual a palavra, oral ou escrita, é a única arma necessária.
E, antes de mais, a especificação da notícia em causa, semelhante, na sua natureza, a muitas de que quase diariamente tomamos conhecimento: a atuação criminosa envolvendo farmácias, medicamentos & compª, parece que ilimitada. E passemos ao tipo de revolução que sugiro:
Provado está que os partidos não dão qualquer prova de se auto- regenerarem, permanecendo com comportamentos, através de quem os integra e principalmente dos seus principais responsáveis, em que a Ética, a verdade e mesmo o respeito pelo legalmente estabelecido  frequentemente são postos em causa. São verdades irrefutáveis e a prova de tal é o estado a que o pais foi conduzido, fruto de erros acumulados ao longo de dezenas de anos. E, de imediato, e para me antecipar a conclusões erradas ou mesmo mal intencionadas, a afirmação de que considero os partidos pilares fundamentais de uma democracia de verdade, que não a que tem vigorado em Portugal, muitas vezes mais próxima da virtual ou meramente formal.
E porque a auto - regeneração dos partidos não passa de uma miragem, o que nos impede de serem os cidadãos comuns, independentemente das suas opções políticas, a obrigar as organizações partidárias a alterar profundamente os seus comportamentos, passando a desempenhar a sua verdadeira e nobre missão de servir os que dizem representar, em contradição com a forma verbal que melhor conhecem: servir-se?
Será que a falta de segurança, uma justiça que não funciona, principalmente quando estão em causa os ricos e poderosos, uma corrupção galopante, delapidando dia a dia a coisa pública, um sistema eleitoral que permite a  escolha de candidatos unicamente aos partidos, com exceção do âmbito autárquico mas no qual as organizações independentes têm imensa dificuldade em se candidatarem, uma constituição eivada de princípios ideológicos que nada justifica, uma redução do nº de deputados, não serão matéria que a todos preocupa e que os portugueses gostariam que fosse objeto de profundas alterações? Missão difícil, dirão uns, impossível, dirão outros, até pela crise financeira, económica e social que o país atravessa. Embora correndo o risco de ser considerado um sonhador, que já teve a felicidade de dar uma pequena ajuda para que o "sonho" de milhões de portugueses se tornasse realidade, eis o que proponho:
-Que todos os desiludidos com a realidade em que vivemos, aproveitem todas as oportunidades ou mesmos as procurem para pessoalmente manifestarem de viva voz, por meios cordatos e sem qualquer tipo de ofensa, todos os dirigentes partidários, locais, distritais ou nacionais, manifestando a sua discordância ou mesmo indignação, relativamente às matérias atrás referidas, sem excluir a Presidência da República;
-Que na impossibilidade de não conseguirem contactos pessoais, utilizem a escrita, na comunicação social, nas redes sociais ou através de mails ou cartas para se dirigirem às mesmas entidades e a todos os grupos parlamentares;
E apenas alguns exemplos em que o problema financeiro não é o fator decisivo:
Segurança: a substituição de agentes da autoridade por cidadãos desempregados e auferindo do subsídio de desemprego, no desempenho de funções meramente burocráticas e administrativas, dispensando os agentes para a sua verdadeira missão; ter agentes a entregar citações e documentação semelhante não me parece o melhor aproveitamento de pessoal;
-Dar prioridade à realização de julgamentos envolvendo situações em que o interesse público esteja em causa, muito em especial no respeitante a casos de corrupção;
-Alteração da Constituição, envolvendo, entre outras coisas , o nº de deputados;
-Reformulação da gravidade das penas previstas para determinado tipo de crimes, de natureza económica e financeira, não esquecendo situações relativas a ofensa á integridade física ou mesmo a morte( crimes de sangue)
São apenas meros exemplos do que, muito mais do que encargos financeiros, é indispensável o empenhamento da classe política. Aceito perfeitamente que as alterações sugeridas englobam a perda de privilégios e a possibilidade de diminuição em grande escala de alguns, para ser muito otimista, dos que dependem as mesmas alterações, mas é a vida, como é habitual ouvir dizer...
E se os resultados desta "guerra", em que a palavra é a única que advogo, resta uma outra arma, infelizmente pouco ou nunca usada por grande parte dos cidadãos, ou usada contra os inimigos menos perigosos, pela astúcia e demagogia dos que realmente o são. A ARMA DO VOTO; sim, a arma do voto, mas utilizada num sentido pouco habitual: o VOTO em BRANCO, que nunca a abstenção, que cada dia ganha, lamentavelmente, embora por responsabilidade e culpa da classe política, maior dimensão. Será, em último recurso, o mais forte meio democrático de manifestar à classe política que nos governa a imperiosidade de mudança radical de comportamento e de compreender que "O POVO É QUEM MAIS ORDENA"!E isto afirmado sem qualquer carácter partidário e exclusivamente por ser este princípio que está na base de uma democracia de verdade. E já pensaram qual a situação com que os políticos e os partidos se deparariam, se o partido do "voto em branco" fosse o vencedor, com uma forte maioria? Já alguma vez pensaram em tal?
E para os que duvidam da viabilidade desta revolução, em qualquer das duas versões, termino com um princípio que na gíria militar é quase imperativo: o impossível, faz-se hoje; o difícil fica para amanhã...
E, quase me ia esquecendo: podem crer que, no que me diz respeito, não se aplica o ditado envolvendo S. Tomás; e os que me conhecem sabem bem o quanto tenho posto em prática o que aqui advogo; por alguma coisa é que, há já dezenas de anos, era conhecido no meio político em que militava, como o "revolucionário". E isto sem ter alguma vez feito guerra à minha consciência. Vamos, pois, dar início a esta guerra, tão decisiva para os destinos de Portugal. E como na guerra das armas, para se vencer a mesma, é muitas vezes necessário travar sucessivas batalhas. Talvez que esta seja até mais fácil, exigindo apenas coragem intelectual. Que todos sejam, neste âmbito, heróis perante si próprios.

sexta-feira, 23 de março de 2012

                                                                 E outras coisas mais..

Conforme referi na minha última intervenção,acabei por não tecer qualquer comentário ao que previra incluir em "outras coisas mais",situação que agora corrijo. E,até por se tratar de um assunto, não só actual como pelo facto de nele me encontrar envolvido,por funções que desempenho numa Assembleia Municipal,considero o mesmo merecer uma reflexão,profunda,atenta,desapaixonada e,mais do que tudo, independente.Refiro-me a tudo que diz respeito à reorganização administrativa do território e muito em particular às freguesias,muito embora,e segundo o que nesta data li,as Câmaras Municipais também possam vir a ser incluídas.E,antes que tudo,um declaração de interesses, abaixo especificada,muito embora não tenha esta intervenção em vista defender qualquer ponto de vista,mas simplesmente denunciar comportamentos que ajudam a compreender muitas das razões que permitiram que Portugal fosse arrastado para o abismo em que foi lançado, por erros e mesmo  incompetência de sucessivos governos-diria mesmo   por todos os que seguiram ao já quase esquecido Abril-pelo menos os seus ideais caminham para o desaparecimento-e muito em especial pelas políticas verdadeiramente criminosas,a vários níveis e em diversos sectores, praticadas pelos dois governos do agora "filósofo" José Sócrates.E assim,cumpre- me publicitar que há muito que sou defensor de uma profunda reestruturação de tudo o que envolve o poder local, e apenas cito duas razões, a primeira das quais como meros exemplos:
-O concelho de Barcelos tem 99 freguesias,o que implica uma AM com,pelo menos 199 elementos,ao mesmo tempo que existem dezenas de freguesias em que o nº total de habitantes orça os 100, havendo,penso,diversos casos em que nem sequer este nº é atingido;e o nº total de freguesias é de 4260,salvo qualquer eventual erro,sendo o nº actual de concelhos de 308,salvo qualquer lapso;
-Considero que,à semelhança do que sucede no poder central,as Câmaras Municipais são,frequentemente,espaços privilegiados de criação de clientelas partidárias,tornando-se instrumentos fundamentais para a reprodução do poder dos partidos e autênticos sorvedouros dos dinheiros públicos.
Nada disto significa,de modo algum,a  não aceitação da existência de considerável nº de honrosas excepções.
Naturalmente que muitos discordarão do que exprimo,mas também é certo que muitos deles serão os beneficiados pelo actual sistema.
E porque me alonguei mais do que inicialmente previra,considerem esta primeira parte como um mero prefácio,seguindo-se,muito em breve,a matéria mais sumarenta e apetitosa...E por mais humilde que seja,e é, a minha pessoa,penso também ter direito a escrever um prefácio.Até porque sou contrário a qualquer tipo de monopólio.

sábado, 17 de março de 2012


Um Prefácio e outras coisas mais…
Muito embora reconhecendo o volume de opiniões e críticas originadas pelo já célebre prefácio do atual Presidente da República, não posso deixar de tecer algumas considerações, até por se tratar de uma personalidade que durante anos apoiei -e humildemente confesso que em várias situações o não deveria ter feito.
Na verdade, e sem colocar minimamente em causa as afirmações e factos relatados no texto, uma conclusão de imediato me é permitido deduzir: conforme por várias vezes opinei, ao tentar apresentar-se como alguém quase que não político, e deixando mesmo adivinhar uma muito pouca simpatia pelos partidos, e precisamente na sequência destes procedimentos, o Prof. Cavaco Silva é talvez o mais político de todos os políticos…E o modo como inicialmente utilizou o apoio do partido que o lançou na vida política, seguido de um cada vez maior afastamento do mesmo, e do estiolar de muitos que o rodearam, que não de algumas figuras que com ele tão intimamente colaboraram – alguns dos quais de triste memória - a prática de políticas que então apresentou como as mais corretas para o desenvolvimento do país, com destaque para a política do betão, a falta de controlo dos fundos comunitários, a liquidação da agricultura e das pescas, tudo isto em oposição plena ao que na atualidade defende e proclama, como sempre tivessem sido estas as suas opções, são, penso, a prova provada da razão que me parece assistir.
E passemos, então, a alguns pormenores do tão falado prefácio.
Sócrates é acusado de falta de lealdade e sugere mesmo ter sido enganado; mas se tal sucedeu em relação ao país, qual o motivo da admiração do Senhor Presidente? Mas alguém acredita ser o Senhor Presidente, um político e mesmo um simples cidadão tão ingénuo que até foi apanhado de surpresa com matéria relacionada com execuções orçamentais?
E só agora, depois de factos consumados e as opções a tomar se resumirem, praticamente, a “a troika manda e o governo executa”, é que denuncia factos que me parecem, salvo melhor opinião, de modo  algum deverem ser objeto de publicitação, até pelo ambiente que se gera e gerará relativamente ao atual e futuros primeiros ministros? Francamente, e com a minha habitual frontalidade o afirmo, muito do apresentado se me configura, acima de tudo, como auto elogios, laivos de vingança política e tentativa de justificar o que considero injustificável: o ter contribuído, fundamentalmente por omissão, para que o país se fosse arrastando penosamente, para a calamidade com que hoje se debate. Bem avisou, bem alertou, bem encaminhou os portugueses para o site da presidência e para o facebook, mas intervenções diretas e verdadeiramente produtivas, onde as encontramos? Nem uma mensagem à Assembleia da República e, como factos mais relevantes, lembro – me a comunicação ao país sobre o estatuto dos Açores, contrariando toda uma expectativa gerada, face à situação então vivida s e um facto político que ficou conhecido como o “escutas a Belém”, situação aliás muito obscura e nunca devidamente esclarecida; como aliás é próprio e habitual em políticos…E há um pequeno pormenor que do prefácio não consta: o ter dado posse a um governo minoritário, quando tudo garantia tratar-se de uma morte anunciada…Mas a agonia do país foi prolongado por mais uns longos meses! É ainda feita referência ao facto de não lhe ser possível demitir um primeiro- ministro; fica a explicação para os que eventualmente ainda desconhecessem tal preceito constitucional, mas outras soluções, com efeitos decorrentes equivalentes, não foram utilizadas… E, com a embalagem, já me esquecia de lembrar que, de permeio, tiveram lugar eleições presidenciais, a que o Sr. Prof. Cavaco Silva se candidatou e até, e democraticamente, venceu. Mas isto é, na verdade, um ínfimo pormenor, e tão insignificante que até do mesmo me ia esquecendo. E, se tal tivesse ocorrido, com toda a razão me poderiam apelidar de político à portuguesa, onde a memória do que se diz e fundamentalmente promete, tão frágil é. E foi tal o entusiasmo, e mesmo quase que emoção, que me provocou a leitura e posterior análise do prefácio em causa, que esgotei o espaço que a mim próprio impus; mas outros temas estão na forja…

quinta-feira, 1 de março de 2012


A dificuldade está na escolha…
Pensando no tema a abordar hoje, foram tantas as situações e acontecimentos que me pareceram dignos de registo, que optei por pouco mais do que a enumeração de alguns deles, até para os não deixar cair em esquecimento, principalmente por parte da maioria dos políticos da nossa praça, se alguns tiverem a curiosidade de aceder a este blog - e de certeza que alguns que conheço o farão- dada a permanente falta de memória de que dão provas, no respeitante a promessas feitas durante as campanhas eleitorais e das quais rapidamente se esquecem. Vejamos, então:
- O sr. P.G.R. queixa-se de falta de meios de intervenção, depois de há meses ter afirmado sentir-se como uma Rainha de Inglaterra: quanto à falta de meios, não o aceito, porque uma tesoura, mesmo com bastante uso, dura sempre um tempo aceitável. No respeitante à semelhança com a Rainha de Inglaterra, e uma vez que não usa saias, talvez que o uso de avental o aproximasse ainda mais de sua majestade…Na vestimenta, claro.
Mas muito embora não seja, pelo menos oficialmente, um político, também mostrou uma memória fraca: esqueceu-se de pedir a demissão…
-Um PR, responsável primeiro, enquanto PM, pelo abandono, mediante aliciantes mas traiçoeiras contrapartidas financeiras, da agricultura e das pescas, perito na política do alcatrão, esquecendo áreas da atividade nacional absolutamente fundamentais para o desenvolvimento racional e equilibrado do país, e permitindo que enormes meios financeiros fossem desviados dos fins a que se destinavam, enchendo os bolsos, por muito grandes que fossem, de cidadãos que desconheciam totalmente a ética, o interesse nacional e muito em especial a honestidade, parece ter-se esquecido do muito de errado que patrocinou e aparece como o detentor único da verdade, apresentando como rumo a seguir opções por si outrora ignoradas. E uma das verdades apregoadas é ser insuficiente para viver sem dificuldades a pensão que o casal recebe; quem diria tal! Uma permuta imediata, e ainda com algum bónus, aceito de imediato…
-Carlos Cruz, como que uma cereja no topo do bolo da desfaçatez e de fazer dos portugueses como que atrasados mentais, aparece, creio que numa universidade, a dar aulas de direito…Certamente que do direito que gostaria que vigorasse, para que a sua condenação, muito embora ainda passível de recurso- e parece que recursos financeiros é coisa que lhe não falta- não tivesse sido possível. E mais, se possível que a pedofilia passasse a ser uma prática normal, sendo condenado quem a não praticasse. Registo que, mesmo que academicamente, sou forçado a admitir que qualquer recurso o considere inocente, pelo que há que referir a tão habitual presunção.
-Um marido abalroa o carro em que a mulher conduz, agride a mesma, com várias facadas e não é preso preventivamente, dado que, como não fugiu quando da prática do crime, o perigo de fuga futura não existe. Atenção aos criminosos de qualquer natureza: após qualquer crime que pratiquem, não fujam, aguardem a presença da polícia e fujam, isso sim, enquanto aguardam julgamento em liberdade. Uma valiosa sugestão, que dou incentivado por as opiniões desta natureza ainda não serem taxadas… Lapso da troika, de certeza!
-No plano externo, incentiva-se a revolta na Síria contra uma ditadura de muitos anos e depois, iniciada a luta pela liberdade, cobardemente deixam-se as populações abandonadas e entregues a si próprias e à mercê de verdadeiros assassinos, a soldo e mando de um terrível ditador. Mas a explicação até não me parece muito complexa e chama-se simplesmente petróleo, ou melhor, a sua não existência! Malditos são os que, estando na base do conflito, permitem que a razão da força vença a força da razão. E o prémio da sua cobardia cifra-se em largos milhares de mortos e feridos. Mas nada me admira que, se a revolução tiver êxito, os mesmos apareçam a vender medicamentos e a construir hospitais, entretanto destruídos, com os consequentes lucros financeiros. E afirmam-se civilizados e democratas, estes verdadeiros criminosos morais e políticos!
-Um paquete, com centenas de passageiros e tripulantes afunda-se, por razões ainda pouco esclarecidas, e o comandante, contrariando o que há séculos constitui ponto de honra dos responsáveis máximos de qualquer embarcação- ser o último a abandonar o barco- pensa apenas em si e na sua segurança, abandonando em todos os aspetos todos os que navegavam e que, como é usual, confiavam na ética e sentido de missão de quem os traiu.
Simples exemplos, no entanto bem demonstrativos, penso, de situações e comportamentos que todos, ou quase todos, gostaríamos que não tivessem sido tristes realidades. Mas os avanços extraordinários da ciência, a nível vário, ainda não conseguiram viabilizar implantações de natureza mental e intelectual. Esperemos, entretanto, melhores dias…

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Uma sessão solene paradigmática...
Ouvi, incrédulo e mesmo que estupefacto, embora sem razões para tal, dado o que em anos anteriores se tem passado, não todas as intervenções na totalidade, mas algumas passagens, dos oradores na sessão de abertura do novo ano judicial, e não resisto a fazer algumas considerações. E a primeira e que me parece mais adequada é simples, muito simples: palavras, palavras e mais palavras e algumas promessas que correm o risco, como também  vai sendo habitual, de se não concretizarem.
Na verdade, avisos e apelos que nunca surtem efeito, críticas a governos que directa ou indirectamente os sustentam nas cadeiras que há muito deviam ter abandonado, por ter terminado o prazo de validade ou por perda total de prestígio, até pelo excesso de visibilidade deliberadamente provocado, ou mesmo por ambas as razões, ataques a um sistema judicial para o desprestígio do qual deram um valioso contributo, por omissão ou mesmo intervenções activas, dando origem a que, em situações envolvendo grandes e poderosos, os arquivamentos se sucedam, a par de absolvições que a grande maioria dos cidadãos não compreende – e talvez até infelizmente compreenda – e seguramente não aceita, torna - se enfadonha e leva a pensar – pelo menos a mim leva – a que tudo, ou quase tudo, poderia ser simplificado com apenas a reprodução de uma  cassete – e isto sem segundo sentido – ou melhor, para não ser eu também apelidado de fora de prazo ou obsoleto, de um CD, com gravações de intervenções de anos passados ou, mesmo que vazio, para se poupar e energia eléctrica, face à crise em que vivemos, como se a crise da justiça já não fosse suficiente. E assim até teríamos altas individualidades a dar um bom exemplo de poupança…
Mas há uma intervenção que merece, passe o elogio, uma referência especial: na verdade, quando da intervenção de quem posteriormente soube tratar-se do mui ilustre – o respeitinho é muito bonito e fica sempre bem, até porque politicamente correcto - Bastonário da Ordem , que por vezes mais parece desordem, dos advogados,  fiquei admirado e mesmo perplexo ao concluir, talvez que um pouco precipitadamente, confesso, estar a usar da palavra um conhecido e qualificado deputado do Bloco de Esquerda, que me dispenso de identificar, tal a semelhança da natureza da intervenção. E muito embora o timbre de voz me fizesse surgir algumas dúvidas, a verdade é que a demagogia, o populismo e a natureza trauliteira do discurso me orientavam numa direcção que julgava correcta. Mas estava enganado, segundo constatei ao ouvir a identidade do orador. Mas outra dúvida de mim se apoderou: seria que a transmissão em causa, no caso específico em análise, dizia respeito a um discurso de pré campanha para a eleição presidencial? É verdade que ainda é muito cedo para tal, mas como decorre uma petição pública para a destituição do actual Presidente, a razão da minha dúvida…
Mas falta uma referência a promessas: ficaram – me no ouvido afirmações e as promessas, muito atraentes, interessantes e mesmo, na minha óptica, acertadas, da actual senhora ministra da justiça, por quem o actual senhor bastonário já referido nutre uma comovente admiração e indisfarçável estima – mas nada retiro, até prova em contrário, das dúvidas de concretização das mesmas. E isto porque, como diz o velho ditado, “gato escaldado até de água fria tem medo”…E os portugueses têm apanhado tantos escaldões de natureza política e não só! Face a tudo o exposto, parece que não deixa de ter alguma razão de ser, quando comparado com a realidade em que vivemos, a qualificação dada à sessão aqui analisada.
E, já me esquecia, o que seria uma falha indesculpável: no caso de ter havido, como é habitual em algumas cerimónias, corte de fita, espero que não tenha sido usada a célebre tesoura que serviu para dar umas valentes tesouradas, numas célebres escutas. É que não queria, por nada, que tal tesoura seja usada, tal o seu valor simbólico, em actos de menor importância…Apenas e somente em actos que fiquem para a história. Mesmo que por razões pouco recomendáveis

sábado, 28 de janeiro de 2012


Serão eles – os políticos – todos iguais?
Como amante e defensor acérrimo da democracia, desgosta – me profundamente ouvir, e cada vez com mais frequência, e muitas vezes por parte de cidadãos com responsabilidades na sociedade que integram, a afirmação, feita com a maior veemência, de que os “políticos são todos iguais”. E, por esta razão, defendem a abstenção como manifestação de reacção, dado que, na sua opinião, seja quem for para o poder – poleiro, como normalmente dizem - nada varia, uma vez que se esquecem de tudo que prometeram quando das campanhas eleitorais e apenas se preocupam em defender os seus interesses e dos seus amigos, como recompensa das ajudas recebidas para a sua eleição e subordinando – se ao poder dos diversos lobbies instalados, em várias áreas da actividade nacional. Em suma: servem – se, em vez de assumirem a nobre missão que constitui a razão de ser da sua existência: servir os cidadãos e, portanto, o povo.
E muito embora procurando, recorrendo aos mais diversos argumentos, fazer ver a falta de razão que lhes assiste e mesmo a injustiça que representa “meter todos os políticos no mesmo saco”, a verdade é que por norma as posições permanecem inflexíveis, apresentando factos e exemplos a que só um sincero defensor da existência dos partidos, peças fundamentais, na minha opinião, para que a democracia seja uma realidade, consegue resistir, até porque, conforme é hábito dizer, “contra factos não há argumentos”…E a resposta que tenho encontrado é que a existência de factos, que ninguém pode ocultar ou negar, de modo algum implica ou significa que toda a actividade política conduza exclusivamente a factos da natureza que apresentam, ou, dito de outro modo, que uma generalização não é aceitável nem correcto. Mas também verdade é que fazendo uma análise do que tem sido a política em Portugal, nas últimas dezenas de anos, se torna difícil encontrar exemplos para contrapor.
Na verdade, elegem – se presidentes da república, sucedem – se os governos, substituem – se os partidos no poder, surgem novos presidentes de câmaras e de juntas de freguesia e parece que tudo permanece sem alteração, quando mesmo o panorama não piora…E neste âmbito – do piorar – três pilares da democracia surgem, de modo inegável e em crescendo: a insegurança, a não existência de uma justiça verdadeiramente justa e célere e a corrupção. E a contrapor a tudo isto, crescem as desigualdades e injustiças sociais, alarga – se o fosso entre ricos e pobres, E até cresce o número de políticos que, reuniões “doméstica”, usam avental…
Mas aceitar esta realidade, que à generalidade dos cidadãos afecta, como inevitável e pela mudança da qual não adianta lutar, é abdicar dos direitos que a todos assiste: o de sermos os donos do nosso destino e, portanto, negar a possibilidade de vivermos num sistema político que, não sendo de modo algum perfeito, ainda se apresenta como o menos mau de todos eles. Evidentemente que a democracia. E mal vai quando alguns começam já a não considerar este regime o menos mau, pois que tal significa a aceitação da existência de um outro, de que a simples lembrança me causa arrepios!
Então qual a solução, na minha modesta opinião que, por mais modesta que seja, não me coíbo de exprimir: uma profunda mudança no sistema que leva os políticos ao poder, aos mais diversos níveis, de modo que os eleitos representem na verdade quem os elegeu e que os candidatos sejam verdadeiramente escolhidos pelo povo. E cá estou eu, novamente a bater – me pela criação dos círculos uninominais e pela muito maior facilidade em grupos de cidadãos independentes de candidatarem, no âmbito das eleições autárquicas. E neste caso, quase me sentiria tentado a sugerir que deste tipo de eleições os partidos fossem arredados. E, quase nem notar, devo ter sido, mais uma vez, politicamente incorrecto. Defeito, dirão alguns, ou mesmo muitos; feitio, digo eu. Mas não será que o politicamente correcto é uma das causas mais fortes do estado a que chegou o país, sem verdadeira independência, com perda de dignidade e em que só os praticantes daquele princípio vingam e tudo fazem para convencer os outros que Portugal vive em plena democracia? A deles e à sua maneira, porque uma de corpo inteiro de modo algum lhes agrada…Senhores políticos: demonstrem que não tenho razão, rege- generem os partidos e legislem no sentido de ser na verdade o povo a escolher os que querem que o represente. Vamos a isto? 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012


Um travesti chamado de democracia
Ausente há muito, nem sequer do significado do nome muitos se lembram. É a democracia, isso mesmo, palavra derivada da designação “demo-kratos”, ou seja, regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo) directa ou indirectamente.
Mas será realmente isto que desde há muitos anos, e principalmente nos últimos, se tem passado em Portugal? Que interferência tem o povo, verdadeiramente influente e decisiva, na escolha dos seus representantes, para além de se limitar, de quando em vez, em votar em partidos, e não em candidatos por si escolhidos, partidos esses que escolhem a seu bel prazer, mas com a certeza de sobre eles virem a exercer total controlo, personalidades que muitas vezes os eleitores nem de nome sequer conhecem e que nada, ou muito pouco, têm a ver com os círculos por onde são candidatos e que apenas resultam de interesses meramente partidários? E que dizer das políticas praticadas, depois de alcançado o poder, frequentemente contrárias às que levaram os eleitores, ingenuamente, a acreditar na verdade das promessas feitas, normalmente a coberto de uma comunicação social que apoia, por sistema, os que lhes parecem mais próximos do poder, ou que quando os que não beneficiaram do seu apoio saem vencedores, rapidamente mudam de rumo?
Como classificar de democracia um sistema em que o poder político, em vez de cumprir a honrosa missão de servir o povo, que deveria verdadeiramente representar, defendendo os seus legítimos direitos, interesses e ambições, se sujeita ao controlo por parte dos lobbies económicos, financeiros e não só, legislando a seu favor, em prejuízo de uma maioria que traíram e frequentemente tendo em vista benefícios futuros, uma vez abandonado, pelo menos aparentemente, o poder; político, que não o que serviram durante o seu mandato?
Que dizer quando o poder político, servindo os grandes interesses que o controla, controla também o poder judicial, permitindo que aos grandes e poderosos tudo seja permitido, sem qualquer tipo de penalização, quando um crime de reduzida dimensão e muitas vezes praticado como único meio de subsistir por breves dias ou mesmo horas, permitindo mitigar a fome originada por decisões que apenas conduzem à defesa do capital, sem ética e sem o menor sentido social, contribuindo para que o fosso ente ricos e poderosos e os pobres e fracos cada dia mais se avolume?
É claro que, de vez em quando, surgem algumas decisões apelidadas de justiça social, como que um bodo aos pobres, mas que fundamentalmente apenas pretendem tentar fazer esquecer a realidade em que os “beneficiados”se inserem e garantir os votos indispensáveis para a manutenção no poder; e tal nunca é esquecido quando se aproximam períodos eleitorais…
E as organizações mais ou menos secretas, usando avental ou possuidoras de segredos de sacristia, que, mesmo situadas em pólos opostos, abandonando por completo os princípios que presidiram à sua constituição, usam o enorme poder e influência de que usufruem para que os seus membros alcancem cargos, políticos e de outra forma de poder, que de outro modo nunca conseguiriam obter? E, sabe-se agora, mais do que nunca, ser isto  uma realidade que a todos, menos aos beneficiados, deve seriamente preocupar.
E no meio de tudo isto, o povo, onde está o povo? Cada vez mais afastado do poder, povo que, embora cada vez menos, felizmente, está convencido de o exercer através de quem, por meios mais ou menos habilidosos e subtis, mas apelidados de democráticos, o convenceu de livremente ter escolhido.
Por tudo o exposto, e por muito mais que, infelizmente, poderia ser denunciado, será exagerado qualificar de “travesti” o sistema político com que somos defrontados, e em que só os beneficiados estão interessados em que prossiga, se possível utilizando todos os meios para que o travesti nem de velho morra? Certamente que só assim o considerarão os que do sistema tiram o máximo proveito e dele pretendem continuar a retirar benefícios…