E outras coisas mais..
Conforme referi na minha última intervenção,acabei por não tecer qualquer comentário ao que previra incluir em "outras coisas mais",situação que agora corrijo. E,até por se tratar de um assunto, não só actual como pelo facto de nele me encontrar envolvido,por funções que desempenho numa Assembleia Municipal,considero o mesmo merecer uma reflexão,profunda,atenta,desapaixonada e,mais do que tudo, independente.Refiro-me a tudo que diz respeito à reorganização administrativa do território e muito em particular às freguesias,muito embora,e segundo o que nesta data li,as Câmaras Municipais também possam vir a ser incluídas.E,antes que tudo,um declaração de interesses, abaixo especificada,muito embora não tenha esta intervenção em vista defender qualquer ponto de vista,mas simplesmente denunciar comportamentos que ajudam a compreender muitas das razões que permitiram que Portugal fosse arrastado para o abismo em que foi lançado, por erros e mesmo incompetência de sucessivos governos-diria mesmo por todos os que seguiram ao já quase esquecido Abril-pelo menos os seus ideais caminham para o desaparecimento-e muito em especial pelas políticas verdadeiramente criminosas,a vários níveis e em diversos sectores, praticadas pelos dois governos do agora "filósofo" José Sócrates.E assim,cumpre- me publicitar que há muito que sou defensor de uma profunda reestruturação de tudo o que envolve o poder local, e apenas cito duas razões, a primeira das quais como meros exemplos:
-O concelho de Barcelos tem 99 freguesias,o que implica uma AM com,pelo menos 199 elementos,ao mesmo tempo que existem dezenas de freguesias em que o nº total de habitantes orça os 100, havendo,penso,diversos casos em que nem sequer este nº é atingido;e o nº total de freguesias é de 4260,salvo qualquer eventual erro,sendo o nº actual de concelhos de 308,salvo qualquer lapso;
-Considero que,à semelhança do que sucede no poder central,as Câmaras Municipais são,frequentemente,espaços privilegiados de criação de clientelas partidárias,tornando-se instrumentos fundamentais para a reprodução do poder dos partidos e autênticos sorvedouros dos dinheiros públicos.
Nada disto significa,de modo algum,a não aceitação da existência de considerável nº de honrosas excepções.
Naturalmente que muitos discordarão do que exprimo,mas também é certo que muitos deles serão os beneficiados pelo actual sistema.
E porque me alonguei mais do que inicialmente previra,considerem esta primeira parte como um mero prefácio,seguindo-se,muito em breve,a matéria mais sumarenta e apetitosa...E por mais humilde que seja,e é, a minha pessoa,penso também ter direito a escrever um prefácio.Até porque sou contrário a qualquer tipo de monopólio.
------------------------------------------------------------------------ Por um Portugal mais justo,solidário e em que a Ética prevaleça...
sexta-feira, 23 de março de 2012
sábado, 17 de março de 2012
Um Prefácio e outras
coisas mais…
Muito embora reconhecendo o volume de opiniões e críticas
originadas pelo já célebre prefácio do atual Presidente da República, não posso
deixar de tecer algumas considerações, até por se tratar de uma personalidade
que durante anos apoiei -e humildemente confesso que em várias situações o não
deveria ter feito.
Na verdade, e sem colocar minimamente em causa as afirmações
e factos relatados no texto, uma conclusão de imediato me é permitido deduzir:
conforme por várias vezes opinei, ao tentar apresentar-se como alguém quase que
não político, e deixando mesmo adivinhar uma muito pouca simpatia pelos
partidos, e precisamente na sequência destes procedimentos, o Prof. Cavaco
Silva é talvez o mais político de todos os políticos…E o modo como inicialmente
utilizou o apoio do partido que o lançou na vida política, seguido de um cada
vez maior afastamento do mesmo, e do estiolar de muitos que o rodearam, que não
de algumas figuras que com ele tão intimamente colaboraram – alguns dos quais de
triste memória - a prática de políticas que então apresentou como as mais corretas
para o desenvolvimento do país, com destaque para a política do betão, a falta
de controlo dos fundos comunitários, a liquidação da agricultura e das pescas,
tudo isto em oposição plena ao que na atualidade defende e proclama, como
sempre tivessem sido estas as suas opções, são, penso, a prova provada da razão
que me parece assistir.
E passemos, então, a alguns pormenores do tão falado prefácio.
Sócrates é acusado de falta de lealdade e sugere mesmo ter
sido enganado; mas se tal sucedeu em relação ao país, qual o motivo da
admiração do Senhor Presidente? Mas alguém acredita ser o Senhor Presidente, um
político e mesmo um simples cidadão tão ingénuo que até foi apanhado de
surpresa com matéria relacionada com execuções orçamentais?
E só agora, depois de factos consumados e as opções a tomar
se resumirem, praticamente, a “a troika manda e o governo executa”, é que
denuncia factos que me parecem, salvo melhor opinião, de modo algum deverem ser objeto de publicitação, até
pelo ambiente que se gera e gerará relativamente ao atual e futuros primeiros
ministros? Francamente, e com a minha habitual frontalidade o afirmo, muito do
apresentado se me configura, acima de tudo, como auto elogios, laivos de
vingança política e tentativa de justificar o que considero injustificável: o ter
contribuído, fundamentalmente por omissão, para que o país se fosse arrastando
penosamente, para a calamidade com que hoje se debate. Bem avisou, bem alertou,
bem encaminhou os portugueses para o site da presidência e para o facebook, mas
intervenções diretas e verdadeiramente produtivas, onde as encontramos? Nem uma
mensagem à Assembleia da República e, como factos mais relevantes, lembro – me a
comunicação ao país sobre o estatuto dos Açores, contrariando toda uma
expectativa gerada, face à situação então vivida s e um facto político que
ficou conhecido como o “escutas a Belém”, situação aliás muito obscura e nunca
devidamente esclarecida; como aliás é próprio e habitual em políticos…E há um
pequeno pormenor que do prefácio não consta: o ter dado posse a um governo
minoritário, quando tudo garantia tratar-se de uma morte anunciada…Mas a agonia
do país foi prolongado por mais uns longos meses! É ainda feita referência ao
facto de não lhe ser possível demitir um primeiro- ministro; fica a explicação
para os que eventualmente ainda desconhecessem tal preceito constitucional, mas
outras soluções, com efeitos decorrentes equivalentes, não foram utilizadas… E,
com a embalagem, já me esquecia de lembrar que, de permeio, tiveram lugar
eleições presidenciais, a que o Sr. Prof. Cavaco Silva se candidatou e até, e
democraticamente, venceu. Mas isto é, na verdade, um ínfimo pormenor, e tão insignificante
que até do mesmo me ia esquecendo. E, se tal tivesse ocorrido, com toda a razão
me poderiam apelidar de político à portuguesa, onde a memória do que se diz e
fundamentalmente promete, tão frágil é. E foi tal o entusiasmo, e mesmo quase
que emoção, que me provocou a leitura e posterior análise do prefácio em causa,
que esgotei o espaço que a mim próprio impus; mas outros temas estão na forja…
quinta-feira, 1 de março de 2012
A dificuldade está na escolha…
Pensando no tema a abordar hoje,
foram tantas as situações e acontecimentos que me pareceram dignos de registo,
que optei por pouco mais do que a enumeração de alguns deles, até para os não
deixar cair em esquecimento, principalmente por parte da maioria dos políticos
da nossa praça, se alguns tiverem a curiosidade de aceder a este blog - e de
certeza que alguns que conheço o farão- dada a permanente falta de memória de
que dão provas, no respeitante a promessas feitas durante as campanhas
eleitorais e das quais rapidamente se esquecem. Vejamos, então:
- O sr. P.G.R. queixa-se de falta
de meios de intervenção, depois de há meses ter afirmado sentir-se como uma
Rainha de Inglaterra: quanto à falta de meios, não o aceito, porque uma
tesoura, mesmo com bastante uso, dura sempre um tempo aceitável. No respeitante
à semelhança com a Rainha de Inglaterra, e uma vez que não usa saias, talvez
que o uso de avental o aproximasse ainda mais de sua majestade…Na vestimenta,
claro.
Mas muito embora não seja, pelo
menos oficialmente, um político, também mostrou uma memória fraca: esqueceu-se
de pedir a demissão…
-Um PR, responsável primeiro, enquanto
PM, pelo abandono, mediante aliciantes mas traiçoeiras contrapartidas financeiras,
da agricultura e das pescas, perito na política do alcatrão, esquecendo áreas
da atividade nacional absolutamente fundamentais para o desenvolvimento
racional e equilibrado do país, e permitindo que enormes meios financeiros
fossem desviados dos fins a que se destinavam, enchendo os bolsos, por muito
grandes que fossem, de cidadãos que desconheciam totalmente a ética, o
interesse nacional e muito em especial a honestidade, parece ter-se esquecido
do muito de errado que patrocinou e aparece como o detentor único da verdade,
apresentando como rumo a seguir opções por si outrora ignoradas. E uma das
verdades apregoadas é ser insuficiente para viver sem dificuldades a pensão que
o casal recebe; quem diria tal! Uma permuta imediata, e ainda com algum bónus,
aceito de imediato…
-Carlos Cruz, como que uma cereja
no topo do bolo da desfaçatez e de fazer dos portugueses como que atrasados mentais,
aparece, creio que numa universidade, a dar aulas de direito…Certamente que do
direito que gostaria que vigorasse, para que a sua condenação, muito embora
ainda passível de recurso- e parece que recursos financeiros é coisa que lhe
não falta- não tivesse sido possível. E mais, se possível que a pedofilia
passasse a ser uma prática normal, sendo condenado quem a não praticasse. Registo
que, mesmo que academicamente, sou forçado a admitir que qualquer recurso o considere
inocente, pelo que há que referir a tão habitual presunção.
-Um marido abalroa o carro em que
a mulher conduz, agride a mesma, com várias facadas e não é preso preventivamente,
dado que, como não fugiu quando da prática do crime, o perigo de fuga futura
não existe. Atenção aos criminosos de qualquer natureza: após qualquer crime
que pratiquem, não fujam, aguardem a presença da polícia e fujam, isso sim, enquanto
aguardam julgamento em liberdade. Uma valiosa sugestão, que dou incentivado por
as opiniões desta natureza ainda não serem taxadas… Lapso da troika, de
certeza!
-No plano externo, incentiva-se a
revolta na Síria contra uma ditadura de muitos anos e depois, iniciada a luta
pela liberdade, cobardemente deixam-se as populações abandonadas e entregues a
si próprias e à mercê de verdadeiros assassinos, a soldo e mando de um terrível
ditador. Mas a explicação até não me parece muito complexa e chama-se
simplesmente petróleo, ou melhor, a sua não existência! Malditos são os que, estando
na base do conflito, permitem que a razão da força vença a força da razão. E o
prémio da sua cobardia cifra-se em largos milhares de mortos e feridos. Mas nada
me admira que, se a revolução tiver êxito, os mesmos apareçam a vender
medicamentos e a construir hospitais, entretanto destruídos, com os
consequentes lucros financeiros. E afirmam-se civilizados e democratas, estes
verdadeiros criminosos morais e políticos!
-Um paquete, com centenas de
passageiros e tripulantes afunda-se, por razões ainda pouco esclarecidas, e o
comandante, contrariando o que há séculos constitui ponto de honra dos
responsáveis máximos de qualquer embarcação- ser o último a abandonar o barco-
pensa apenas em si e na sua segurança, abandonando em todos os aspetos todos os
que navegavam e que, como é usual, confiavam na ética e sentido de missão de quem
os traiu.
Simples exemplos, no entanto bem
demonstrativos, penso, de situações e comportamentos que todos, ou quase todos,
gostaríamos que não tivessem sido tristes realidades. Mas os avanços extraordinários
da ciência, a nível vário, ainda não conseguiram viabilizar implantações de natureza
mental e intelectual. Esperemos, entretanto, melhores dias…
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Uma sessão solene paradigmática...
Ouvi, incrédulo e mesmo que estupefacto, embora sem razões para tal, dado o que em anos anteriores se tem passado, não todas as intervenções na totalidade, mas algumas passagens, dos oradores na sessão de abertura do novo ano judicial, e não resisto a fazer algumas considerações. E a primeira e que me parece mais adequada é simples, muito simples: palavras, palavras e mais palavras e algumas promessas que correm o risco, como também vai sendo habitual, de se não concretizarem.
Na verdade, avisos e apelos que nunca surtem efeito, críticas a governos que directa ou indirectamente os sustentam nas cadeiras que há muito deviam ter abandonado, por ter terminado o prazo de validade ou por perda total de prestígio, até pelo excesso de visibilidade deliberadamente provocado, ou mesmo por ambas as razões, ataques a um sistema judicial para o desprestígio do qual deram um valioso contributo, por omissão ou mesmo intervenções activas, dando origem a que, em situações envolvendo grandes e poderosos, os arquivamentos se sucedam, a par de absolvições que a grande maioria dos cidadãos não compreende – e talvez até infelizmente compreenda – e seguramente não aceita, torna - se enfadonha e leva a pensar – pelo menos a mim leva – a que tudo, ou quase tudo, poderia ser simplificado com apenas a reprodução de uma cassete – e isto sem segundo sentido – ou melhor, para não ser eu também apelidado de fora de prazo ou obsoleto, de um CD, com gravações de intervenções de anos passados ou, mesmo que vazio, para se poupar e energia eléctrica, face à crise em que vivemos, como se a crise da justiça já não fosse suficiente. E assim até teríamos altas individualidades a dar um bom exemplo de poupança…
Mas há uma intervenção que merece, passe o elogio, uma referência especial: na verdade, quando da intervenção de quem posteriormente soube tratar-se do mui ilustre – o respeitinho é muito bonito e fica sempre bem, até porque politicamente correcto - Bastonário da Ordem , que por vezes mais parece desordem, dos advogados, fiquei admirado e mesmo perplexo ao concluir, talvez que um pouco precipitadamente, confesso, estar a usar da palavra um conhecido e qualificado deputado do Bloco de Esquerda, que me dispenso de identificar, tal a semelhança da natureza da intervenção. E muito embora o timbre de voz me fizesse surgir algumas dúvidas, a verdade é que a demagogia, o populismo e a natureza trauliteira do discurso me orientavam numa direcção que julgava correcta. Mas estava enganado, segundo constatei ao ouvir a identidade do orador. Mas outra dúvida de mim se apoderou: seria que a transmissão em causa, no caso específico em análise, dizia respeito a um discurso de pré campanha para a eleição presidencial? É verdade que ainda é muito cedo para tal, mas como decorre uma petição pública para a destituição do actual Presidente, a razão da minha dúvida…
Mas falta uma referência a promessas: ficaram – me no ouvido afirmações e as promessas, muito atraentes, interessantes e mesmo, na minha óptica, acertadas, da actual senhora ministra da justiça, por quem o actual senhor bastonário já referido nutre uma comovente admiração e indisfarçável estima – mas nada retiro, até prova em contrário, das dúvidas de concretização das mesmas. E isto porque, como diz o velho ditado, “gato escaldado até de água fria tem medo”…E os portugueses têm apanhado tantos escaldões de natureza política e não só! Face a tudo o exposto, parece que não deixa de ter alguma razão de ser, quando comparado com a realidade em que vivemos, a qualificação dada à sessão aqui analisada.
E, já me esquecia, o que seria uma falha indesculpável: no caso de ter havido, como é habitual em algumas cerimónias, corte de fita, espero que não tenha sido usada a célebre tesoura que serviu para dar umas valentes tesouradas, numas célebres escutas. É que não queria, por nada, que tal tesoura seja usada, tal o seu valor simbólico, em actos de menor importância…Apenas e somente em actos que fiquem para a história. Mesmo que por razões pouco recomendáveis
sábado, 28 de janeiro de 2012
Serão eles – os políticos – todos iguais?
Como amante e defensor acérrimo
da democracia, desgosta – me profundamente ouvir, e cada vez com mais
frequência, e muitas vezes por parte de cidadãos com responsabilidades na
sociedade que integram, a afirmação, feita com a maior veemência, de que os
“políticos são todos iguais”. E, por esta razão, defendem a abstenção como
manifestação de reacção, dado que, na sua opinião, seja quem for para o poder –
poleiro, como normalmente dizem - nada varia, uma vez que se esquecem de tudo
que prometeram quando das campanhas eleitorais e apenas se preocupam em
defender os seus interesses e dos seus amigos, como recompensa das ajudas
recebidas para a sua eleição e subordinando – se ao poder dos diversos lobbies
instalados, em várias áreas da actividade nacional. Em suma: servem – se, em
vez de assumirem a nobre missão que constitui a razão de ser da sua existência:
servir os cidadãos e, portanto, o povo.
E muito embora procurando,
recorrendo aos mais diversos argumentos, fazer ver a falta de razão que lhes
assiste e mesmo a injustiça que representa “meter todos os políticos no mesmo
saco”, a verdade é que por norma as posições permanecem inflexíveis, apresentando
factos e exemplos a que só um sincero defensor da existência dos partidos,
peças fundamentais, na minha opinião, para que a democracia seja uma realidade,
consegue resistir, até porque, conforme é hábito dizer, “contra factos não há
argumentos”…E a resposta que tenho encontrado é que a existência de factos, que
ninguém pode ocultar ou negar, de modo algum implica ou significa que toda a
actividade política conduza exclusivamente a factos da natureza que apresentam,
ou, dito de outro modo, que uma generalização não é aceitável nem correcto. Mas
também verdade é que fazendo uma análise do que tem sido a política em
Portugal, nas últimas dezenas de anos, se torna difícil encontrar exemplos para
contrapor.
Na verdade, elegem – se
presidentes da república, sucedem – se os governos, substituem – se os partidos
no poder, surgem novos presidentes de câmaras e de juntas de freguesia e parece
que tudo permanece sem alteração, quando mesmo o panorama não piora…E neste
âmbito – do piorar – três pilares da democracia surgem, de modo inegável e em
crescendo: a insegurança, a não existência de uma justiça verdadeiramente justa
e célere e a corrupção. E a contrapor a tudo isto, crescem as desigualdades e
injustiças sociais, alarga – se o fosso entre ricos e pobres, E até cresce o número
de políticos que, reuniões “doméstica”, usam avental…
Mas aceitar esta realidade, que à
generalidade dos cidadãos afecta, como inevitável e pela mudança da qual não
adianta lutar, é abdicar dos direitos que a todos assiste: o de sermos os donos
do nosso destino e, portanto, negar a possibilidade de vivermos num sistema
político que, não sendo de modo algum perfeito, ainda se apresenta como o menos
mau de todos eles. Evidentemente que a democracia. E mal vai quando alguns
começam já a não considerar este regime o menos mau, pois que tal significa a
aceitação da existência de um outro, de que a simples lembrança me causa
arrepios!
Então qual a solução, na minha
modesta opinião que, por mais modesta que seja, não me coíbo de exprimir: uma
profunda mudança no sistema que leva os políticos ao poder, aos mais diversos
níveis, de modo que os eleitos representem na verdade quem os elegeu e que os
candidatos sejam verdadeiramente escolhidos pelo povo. E cá estou eu, novamente
a bater – me pela criação dos círculos uninominais e pela muito maior
facilidade em grupos de cidadãos independentes de candidatarem, no âmbito das
eleições autárquicas. E neste caso, quase me sentiria tentado a sugerir que deste
tipo de eleições os partidos fossem arredados. E, quase nem notar, devo ter
sido, mais uma vez, politicamente incorrecto. Defeito, dirão alguns, ou mesmo
muitos; feitio, digo eu. Mas não será que o politicamente correcto é uma das
causas mais fortes do estado a que chegou o país, sem verdadeira independência,
com perda de dignidade e em que só os praticantes daquele princípio vingam e
tudo fazem para convencer os outros que Portugal vive em plena democracia? A
deles e à sua maneira, porque uma de corpo inteiro de modo algum lhes agrada…Senhores
políticos: demonstrem que não tenho razão, rege- generem os partidos e legislem
no sentido de ser na verdade o povo a escolher os que querem que o represente. Vamos
a isto?
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Um travesti chamado de democracia
Ausente há
muito, nem sequer do significado do nome muitos se lembram. É a democracia, isso
mesmo, palavra derivada da designação “demo-kratos”, ou seja, regime de governo
em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos
(povo) directa ou indirectamente.
Mas será
realmente isto que desde há muitos anos, e principalmente nos últimos, se tem
passado em Portugal? Que interferência tem o povo, verdadeiramente influente e
decisiva, na escolha dos seus representantes, para além de se limitar, de
quando em vez, em votar em partidos, e não em candidatos por si escolhidos,
partidos esses que escolhem a seu bel prazer, mas com a certeza de sobre eles
virem a exercer total controlo, personalidades que muitas vezes os eleitores
nem de nome sequer conhecem e que nada, ou muito pouco, têm a ver com os
círculos por onde são candidatos e que apenas resultam de interesses meramente
partidários? E que dizer das políticas praticadas, depois de alcançado o poder,
frequentemente contrárias às que levaram os eleitores, ingenuamente, a
acreditar na verdade das promessas feitas, normalmente a coberto de uma
comunicação social que apoia, por sistema, os que lhes parecem mais próximos do
poder, ou que quando os que não beneficiaram do seu apoio saem vencedores, rapidamente
mudam de rumo?
Como
classificar de democracia um sistema em que o poder político, em vez de cumprir
a honrosa missão de servir o povo, que deveria verdadeiramente representar,
defendendo os seus legítimos direitos, interesses e ambições, se sujeita ao
controlo por parte dos lobbies económicos, financeiros e não só, legislando a
seu favor, em prejuízo de uma maioria que traíram e frequentemente tendo em
vista benefícios futuros, uma vez abandonado, pelo menos aparentemente, o poder;
político, que não o que serviram durante o seu mandato?
Que dizer
quando o poder político, servindo os grandes interesses que o controla,
controla também o poder judicial, permitindo que aos grandes e poderosos tudo
seja permitido, sem qualquer tipo de penalização, quando um crime de reduzida
dimensão e muitas vezes praticado como único meio de subsistir por breves dias
ou mesmo horas, permitindo mitigar a fome originada por decisões que apenas
conduzem à defesa do capital, sem ética e sem o menor sentido social,
contribuindo para que o fosso ente ricos e poderosos e os pobres e fracos cada
dia mais se avolume?
É claro que,
de vez em quando, surgem algumas decisões apelidadas de justiça social, como
que um bodo aos pobres, mas que fundamentalmente apenas pretendem tentar fazer
esquecer a realidade em que os “beneficiados”se inserem e garantir os votos
indispensáveis para a manutenção no poder; e tal nunca é esquecido quando se aproximam
períodos eleitorais…
E as organizações
mais ou menos secretas, usando avental ou possuidoras de segredos de sacristia,
que, mesmo situadas em pólos opostos, abandonando por completo os princípios
que presidiram à sua constituição, usam o enorme poder e influência de que
usufruem para que os seus membros alcancem cargos, políticos e de outra forma
de poder, que de outro modo nunca conseguiriam obter? E, sabe-se agora, mais do
que nunca, ser isto uma realidade que a
todos, menos aos beneficiados, deve seriamente preocupar.
E no meio de
tudo isto, o povo, onde está o povo? Cada vez mais afastado do poder, povo que,
embora cada vez menos, felizmente, está convencido de o exercer através de
quem, por meios mais ou menos habilidosos e subtis, mas apelidados de
democráticos, o convenceu de livremente ter escolhido.
Por tudo o
exposto, e por muito mais que, infelizmente, poderia ser denunciado, será exagerado
qualificar de “travesti” o sistema político com que somos defrontados, e em que
só os beneficiados estão interessados em que prossiga, se possível utilizando
todos os meios para que o travesti nem de velho morra? Certamente que só assim
o considerarão os que do sistema tiram o máximo proveito e dele pretendem
continuar a retirar benefícios…
domingo, 8 de janeiro de 2012
Demagogia barata, patriotismo balofo…
Muito embora sabendo que haverá, muitos ou poucos só me preocupa por tal ser uma pequena amostra da capacidade de análise do cidadão normal e da sua blindagem perante frequentes campanhas de desinformação e contra informação de que os portugueses são frequentemente alvo, quem discorde, até totalmente, da opinião frontalmente assumo, de modo algum posso manter-me indiferente, pois que me nego a ser tratado como atrasado mental, ou facilmente controlável, perante tudo o que tem sido dito e repetido relativamente às decisões da empresa Jerónimo Martins e em que o “bombo da festa” tem sido Alexandre Soares dos Santos. E, antes de mais, desejo registar que, na minha modesta opinião, só a infelicidade, em diversos vectores, de declarações proferidas por esta personalidade, pouco ou nada compreensíveis em alguém com provas mais do que dadas de ser possuidor de qualidades de inteligência e gestão bastante acima do normal dos cidadãos, deu origem e oportunidade a afirmações e tomadas de posição absolutamente espantosas, só possíveis em mentes muito pouco esclarecidas ou inimigas ferozes do capital. E isto porque, como é sabido, 19 das 20 empresas cotadas no PSI 20 tiveram comportamento igual, segundo amplamente difundido, e nunca qualquer reacção desta natureza teve lugar. Mas uma falha de comunicação, ou melhor, várias falhas - e pensava eu que, a certos níveis só o PSD as tinha – proporcionaram a oportunidade, por tantos desejada, para uma guerra sem quartel, fundamentalmente por parte dos que parecem odiar quem quer que seja que, através de dinamismo, capacidade de gestão e sabendo defrontar o risco, obtêm êxitos( fundamentalmente refiro-me à capacidade económica e financeira) que a quase totalidade, e estou a ser muito simpático, dos seus detractores, parecendo por vezes mesmo inimigos, não conseguiram nem nunca serão capazes de alcançar. Mas isto apenas quando se trata de capital privado, pois nas situações em que está em causa o erário público, o ódio e o rancor desaparecem do discurso, principalmente quando se trata da distribuição, sem qualquer critério, quero repetir, sem qualquer critério, de subsídios, quer por pessoas singulares, quer por empresas públicas, sem qualquer viabilidade…Que curiosa dualidade de critérios: o capital é óptimo e sempre bem vindo, se público; é execrável, se pertença de privados!
Como sempre e repetidamente tenho publicitado, sou frontalmente contra o liberalismo em excesso e muito mais contra o capitalismo sem regras, por vezes mesmo selvagem, defendendo a função social do capital, para mim eticamente obrigatória e regulada pela lei, através do pagamento de salários justos e outros benefícios sociais e, sempre que possível, com acréscimo do número de postos de trabalho; mas considerar não patriota e quase que criminoso quem se limitou, sem qualquer fuga ilegal às obrigações fiscais, a aproveitar condições mais favoráveis à estratégia de desenvolvimento da empresa - não esquecer que vivemos numa economia global - gerou largos milhares de postos de trabalho, paga, segundo notícias não contrariadas, vencimentos acima do legalmente estabelecido e ainda desenvolveu outras actividades meritórias, só pode ter origem em quem, criminosamente, aqui sim, quer manipular a opinião pública e tirar dividendos, afirmando - se como, eles, esses sim, patriotas e defensores dos verdadeiros interesses nacionais…
Mas quando se defendem greves absolutamente incompreensíveis, muito em especial quando tendo em conta o total desequilíbrio entre as suas dimensões e prejuízos causados e as razões, ou apresentadas como tal, das mesmas, principalmente numa terrível situação económica e financeira como aquela com que o país se debate e muito em especial as empresas afectadas pelas mesmas, o que se pode esperar?
E também aqui quero, como já o fiz por várias vezes, defender o legítimo direito dos trabalhadores à greve, por razões justas e nunca meramente políticas, mas sempre também com bom senso e nunca em condições de antemão conhecidas como geradoras de consequências em que os objectivos, mesmo que alcançados, sejam amplamente ultrapassados pelos prejuízos antecipadamente previsíveis, que fundamentalmente afectarão os trabalhadores, aderentes ou não...
Será que nisto é que reside o verdadeiro patriotismo? Sinal dos tempos dirão, mas muito mau sinal, digo eu!
Mas o exemplo dado é apenas um dos muitos que poderiam ser apresentados, nesta democracia de trazer por casa, e em que os oportunistas e camuflados de democratas muitas vezes podem cantar vitória…Até que a vitória de alguns se converta na derrota de todos; ou, pelo menos, de quase todos. E, mais uma vez, obedecendo apenas ao que conscientemente penso, fui politicamente incorrecto. Neste âmbito as minhas ambições são nulas, ou melhor, resumem-se a tentar servir o país, mas mesmo que assim não fosse, nada, mas nada, me faria mudar de conduta. E se tal vier a suceder, por favor levem-me, de imediato, a uma junta médica, pois que de certeza que a mente se encontra danificada…
P.S. mas sem qualquer significado partidário: alguém se lembrou que uma eventual redução nas vendas poderá acarretar o despedimento de milhares de trabalhadores? Questão de nula importância, certamente, para alguns arautos de falsos patriotismos…
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