domingo, 5 de fevereiro de 2012

Uma sessão solene paradigmática...
Ouvi, incrédulo e mesmo que estupefacto, embora sem razões para tal, dado o que em anos anteriores se tem passado, não todas as intervenções na totalidade, mas algumas passagens, dos oradores na sessão de abertura do novo ano judicial, e não resisto a fazer algumas considerações. E a primeira e que me parece mais adequada é simples, muito simples: palavras, palavras e mais palavras e algumas promessas que correm o risco, como também  vai sendo habitual, de se não concretizarem.
Na verdade, avisos e apelos que nunca surtem efeito, críticas a governos que directa ou indirectamente os sustentam nas cadeiras que há muito deviam ter abandonado, por ter terminado o prazo de validade ou por perda total de prestígio, até pelo excesso de visibilidade deliberadamente provocado, ou mesmo por ambas as razões, ataques a um sistema judicial para o desprestígio do qual deram um valioso contributo, por omissão ou mesmo intervenções activas, dando origem a que, em situações envolvendo grandes e poderosos, os arquivamentos se sucedam, a par de absolvições que a grande maioria dos cidadãos não compreende – e talvez até infelizmente compreenda – e seguramente não aceita, torna - se enfadonha e leva a pensar – pelo menos a mim leva – a que tudo, ou quase tudo, poderia ser simplificado com apenas a reprodução de uma  cassete – e isto sem segundo sentido – ou melhor, para não ser eu também apelidado de fora de prazo ou obsoleto, de um CD, com gravações de intervenções de anos passados ou, mesmo que vazio, para se poupar e energia eléctrica, face à crise em que vivemos, como se a crise da justiça já não fosse suficiente. E assim até teríamos altas individualidades a dar um bom exemplo de poupança…
Mas há uma intervenção que merece, passe o elogio, uma referência especial: na verdade, quando da intervenção de quem posteriormente soube tratar-se do mui ilustre – o respeitinho é muito bonito e fica sempre bem, até porque politicamente correcto - Bastonário da Ordem , que por vezes mais parece desordem, dos advogados,  fiquei admirado e mesmo perplexo ao concluir, talvez que um pouco precipitadamente, confesso, estar a usar da palavra um conhecido e qualificado deputado do Bloco de Esquerda, que me dispenso de identificar, tal a semelhança da natureza da intervenção. E muito embora o timbre de voz me fizesse surgir algumas dúvidas, a verdade é que a demagogia, o populismo e a natureza trauliteira do discurso me orientavam numa direcção que julgava correcta. Mas estava enganado, segundo constatei ao ouvir a identidade do orador. Mas outra dúvida de mim se apoderou: seria que a transmissão em causa, no caso específico em análise, dizia respeito a um discurso de pré campanha para a eleição presidencial? É verdade que ainda é muito cedo para tal, mas como decorre uma petição pública para a destituição do actual Presidente, a razão da minha dúvida…
Mas falta uma referência a promessas: ficaram – me no ouvido afirmações e as promessas, muito atraentes, interessantes e mesmo, na minha óptica, acertadas, da actual senhora ministra da justiça, por quem o actual senhor bastonário já referido nutre uma comovente admiração e indisfarçável estima – mas nada retiro, até prova em contrário, das dúvidas de concretização das mesmas. E isto porque, como diz o velho ditado, “gato escaldado até de água fria tem medo”…E os portugueses têm apanhado tantos escaldões de natureza política e não só! Face a tudo o exposto, parece que não deixa de ter alguma razão de ser, quando comparado com a realidade em que vivemos, a qualificação dada à sessão aqui analisada.
E, já me esquecia, o que seria uma falha indesculpável: no caso de ter havido, como é habitual em algumas cerimónias, corte de fita, espero que não tenha sido usada a célebre tesoura que serviu para dar umas valentes tesouradas, numas célebres escutas. É que não queria, por nada, que tal tesoura seja usada, tal o seu valor simbólico, em actos de menor importância…Apenas e somente em actos que fiquem para a história. Mesmo que por razões pouco recomendáveis

sábado, 28 de janeiro de 2012


Serão eles – os políticos – todos iguais?
Como amante e defensor acérrimo da democracia, desgosta – me profundamente ouvir, e cada vez com mais frequência, e muitas vezes por parte de cidadãos com responsabilidades na sociedade que integram, a afirmação, feita com a maior veemência, de que os “políticos são todos iguais”. E, por esta razão, defendem a abstenção como manifestação de reacção, dado que, na sua opinião, seja quem for para o poder – poleiro, como normalmente dizem - nada varia, uma vez que se esquecem de tudo que prometeram quando das campanhas eleitorais e apenas se preocupam em defender os seus interesses e dos seus amigos, como recompensa das ajudas recebidas para a sua eleição e subordinando – se ao poder dos diversos lobbies instalados, em várias áreas da actividade nacional. Em suma: servem – se, em vez de assumirem a nobre missão que constitui a razão de ser da sua existência: servir os cidadãos e, portanto, o povo.
E muito embora procurando, recorrendo aos mais diversos argumentos, fazer ver a falta de razão que lhes assiste e mesmo a injustiça que representa “meter todos os políticos no mesmo saco”, a verdade é que por norma as posições permanecem inflexíveis, apresentando factos e exemplos a que só um sincero defensor da existência dos partidos, peças fundamentais, na minha opinião, para que a democracia seja uma realidade, consegue resistir, até porque, conforme é hábito dizer, “contra factos não há argumentos”…E a resposta que tenho encontrado é que a existência de factos, que ninguém pode ocultar ou negar, de modo algum implica ou significa que toda a actividade política conduza exclusivamente a factos da natureza que apresentam, ou, dito de outro modo, que uma generalização não é aceitável nem correcto. Mas também verdade é que fazendo uma análise do que tem sido a política em Portugal, nas últimas dezenas de anos, se torna difícil encontrar exemplos para contrapor.
Na verdade, elegem – se presidentes da república, sucedem – se os governos, substituem – se os partidos no poder, surgem novos presidentes de câmaras e de juntas de freguesia e parece que tudo permanece sem alteração, quando mesmo o panorama não piora…E neste âmbito – do piorar – três pilares da democracia surgem, de modo inegável e em crescendo: a insegurança, a não existência de uma justiça verdadeiramente justa e célere e a corrupção. E a contrapor a tudo isto, crescem as desigualdades e injustiças sociais, alarga – se o fosso entre ricos e pobres, E até cresce o número de políticos que, reuniões “doméstica”, usam avental…
Mas aceitar esta realidade, que à generalidade dos cidadãos afecta, como inevitável e pela mudança da qual não adianta lutar, é abdicar dos direitos que a todos assiste: o de sermos os donos do nosso destino e, portanto, negar a possibilidade de vivermos num sistema político que, não sendo de modo algum perfeito, ainda se apresenta como o menos mau de todos eles. Evidentemente que a democracia. E mal vai quando alguns começam já a não considerar este regime o menos mau, pois que tal significa a aceitação da existência de um outro, de que a simples lembrança me causa arrepios!
Então qual a solução, na minha modesta opinião que, por mais modesta que seja, não me coíbo de exprimir: uma profunda mudança no sistema que leva os políticos ao poder, aos mais diversos níveis, de modo que os eleitos representem na verdade quem os elegeu e que os candidatos sejam verdadeiramente escolhidos pelo povo. E cá estou eu, novamente a bater – me pela criação dos círculos uninominais e pela muito maior facilidade em grupos de cidadãos independentes de candidatarem, no âmbito das eleições autárquicas. E neste caso, quase me sentiria tentado a sugerir que deste tipo de eleições os partidos fossem arredados. E, quase nem notar, devo ter sido, mais uma vez, politicamente incorrecto. Defeito, dirão alguns, ou mesmo muitos; feitio, digo eu. Mas não será que o politicamente correcto é uma das causas mais fortes do estado a que chegou o país, sem verdadeira independência, com perda de dignidade e em que só os praticantes daquele princípio vingam e tudo fazem para convencer os outros que Portugal vive em plena democracia? A deles e à sua maneira, porque uma de corpo inteiro de modo algum lhes agrada…Senhores políticos: demonstrem que não tenho razão, rege- generem os partidos e legislem no sentido de ser na verdade o povo a escolher os que querem que o represente. Vamos a isto? 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012


Um travesti chamado de democracia
Ausente há muito, nem sequer do significado do nome muitos se lembram. É a democracia, isso mesmo, palavra derivada da designação “demo-kratos”, ou seja, regime de governo em que o poder de tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo) directa ou indirectamente.
Mas será realmente isto que desde há muitos anos, e principalmente nos últimos, se tem passado em Portugal? Que interferência tem o povo, verdadeiramente influente e decisiva, na escolha dos seus representantes, para além de se limitar, de quando em vez, em votar em partidos, e não em candidatos por si escolhidos, partidos esses que escolhem a seu bel prazer, mas com a certeza de sobre eles virem a exercer total controlo, personalidades que muitas vezes os eleitores nem de nome sequer conhecem e que nada, ou muito pouco, têm a ver com os círculos por onde são candidatos e que apenas resultam de interesses meramente partidários? E que dizer das políticas praticadas, depois de alcançado o poder, frequentemente contrárias às que levaram os eleitores, ingenuamente, a acreditar na verdade das promessas feitas, normalmente a coberto de uma comunicação social que apoia, por sistema, os que lhes parecem mais próximos do poder, ou que quando os que não beneficiaram do seu apoio saem vencedores, rapidamente mudam de rumo?
Como classificar de democracia um sistema em que o poder político, em vez de cumprir a honrosa missão de servir o povo, que deveria verdadeiramente representar, defendendo os seus legítimos direitos, interesses e ambições, se sujeita ao controlo por parte dos lobbies económicos, financeiros e não só, legislando a seu favor, em prejuízo de uma maioria que traíram e frequentemente tendo em vista benefícios futuros, uma vez abandonado, pelo menos aparentemente, o poder; político, que não o que serviram durante o seu mandato?
Que dizer quando o poder político, servindo os grandes interesses que o controla, controla também o poder judicial, permitindo que aos grandes e poderosos tudo seja permitido, sem qualquer tipo de penalização, quando um crime de reduzida dimensão e muitas vezes praticado como único meio de subsistir por breves dias ou mesmo horas, permitindo mitigar a fome originada por decisões que apenas conduzem à defesa do capital, sem ética e sem o menor sentido social, contribuindo para que o fosso ente ricos e poderosos e os pobres e fracos cada dia mais se avolume?
É claro que, de vez em quando, surgem algumas decisões apelidadas de justiça social, como que um bodo aos pobres, mas que fundamentalmente apenas pretendem tentar fazer esquecer a realidade em que os “beneficiados”se inserem e garantir os votos indispensáveis para a manutenção no poder; e tal nunca é esquecido quando se aproximam períodos eleitorais…
E as organizações mais ou menos secretas, usando avental ou possuidoras de segredos de sacristia, que, mesmo situadas em pólos opostos, abandonando por completo os princípios que presidiram à sua constituição, usam o enorme poder e influência de que usufruem para que os seus membros alcancem cargos, políticos e de outra forma de poder, que de outro modo nunca conseguiriam obter? E, sabe-se agora, mais do que nunca, ser isto  uma realidade que a todos, menos aos beneficiados, deve seriamente preocupar.
E no meio de tudo isto, o povo, onde está o povo? Cada vez mais afastado do poder, povo que, embora cada vez menos, felizmente, está convencido de o exercer através de quem, por meios mais ou menos habilidosos e subtis, mas apelidados de democráticos, o convenceu de livremente ter escolhido.
Por tudo o exposto, e por muito mais que, infelizmente, poderia ser denunciado, será exagerado qualificar de “travesti” o sistema político com que somos defrontados, e em que só os beneficiados estão interessados em que prossiga, se possível utilizando todos os meios para que o travesti nem de velho morra? Certamente que só assim o considerarão os que do sistema tiram o máximo proveito e dele pretendem continuar a retirar benefícios…

domingo, 8 de janeiro de 2012

Demagogia barata, patriotismo balofo…
Muito embora sabendo que haverá, muitos ou poucos só me preocupa por tal ser uma pequena amostra da capacidade de análise do cidadão normal e da sua blindagem perante frequentes campanhas de desinformação e contra informação de que os portugueses são frequentemente alvo, quem discorde, até totalmente, da opinião frontalmente assumo, de modo algum posso manter-me indiferente, pois que me nego a ser tratado como atrasado mental, ou facilmente controlável, perante tudo o que tem sido dito e repetido relativamente às decisões da empresa Jerónimo Martins e em que o “bombo da festa” tem sido Alexandre Soares dos Santos. E, antes de mais, desejo registar que, na minha modesta opinião, só a infelicidade, em diversos vectores, de declarações proferidas por esta personalidade, pouco ou nada compreensíveis em alguém com provas mais do que dadas de ser possuidor de qualidades de inteligência e gestão bastante acima do normal dos cidadãos, deu origem e oportunidade a afirmações e tomadas de posição absolutamente espantosas, só possíveis em mentes muito pouco esclarecidas ou inimigas ferozes do capital. E isto porque, como é sabido, 19 das 20 empresas cotadas no PSI 20 tiveram comportamento igual, segundo amplamente difundido, e nunca qualquer reacção desta natureza teve lugar. Mas uma falha de comunicação, ou melhor, várias falhas - e pensava eu que, a certos níveis só o PSD as tinha – proporcionaram a oportunidade, por tantos desejada, para uma guerra sem quartel, fundamentalmente por parte dos que parecem odiar quem quer que seja que, através de dinamismo, capacidade de gestão e sabendo defrontar o risco, obtêm êxitos( fundamentalmente refiro-me à capacidade económica e financeira) que a quase totalidade, e estou a ser muito simpático, dos seus detractores, parecendo por vezes mesmo inimigos, não conseguiram nem nunca serão capazes de alcançar. Mas isto apenas quando se trata de capital privado, pois nas situações em que está em causa o erário público, o ódio e o rancor desaparecem do discurso, principalmente quando se trata da distribuição, sem qualquer critério, quero repetir, sem qualquer critério, de subsídios, quer por pessoas singulares, quer por empresas públicas, sem qualquer viabilidade…Que curiosa dualidade de critérios: o capital é óptimo e sempre bem vindo, se público; é execrável, se pertença de privados!
Como sempre e repetidamente tenho publicitado, sou frontalmente contra o liberalismo em excesso e muito mais contra o capitalismo sem regras, por vezes mesmo selvagem, defendendo a função social do capital, para mim eticamente obrigatória e regulada pela lei, através do pagamento de salários justos e outros benefícios sociais e, sempre que possível, com acréscimo do número de postos de trabalho; mas considerar não patriota e quase que criminoso quem se limitou, sem qualquer fuga ilegal às obrigações fiscais, a aproveitar condições mais favoráveis à estratégia de desenvolvimento da empresa - não esquecer que vivemos numa economia global - gerou largos milhares de postos de trabalho, paga, segundo notícias não contrariadas, vencimentos acima do legalmente estabelecido e ainda desenvolveu outras actividades meritórias, só pode ter origem em quem, criminosamente, aqui sim, quer manipular a opinião pública e tirar dividendos, afirmando - se como, eles, esses sim, patriotas e defensores dos verdadeiros interesses nacionais…
Mas quando se defendem greves absolutamente incompreensíveis, muito em especial quando tendo em conta o total desequilíbrio entre as suas dimensões e prejuízos causados e as razões, ou apresentadas como tal, das mesmas, principalmente numa terrível situação económica e financeira como aquela com que o país se debate e muito em especial as empresas afectadas pelas mesmas, o que se pode esperar?
E também aqui quero, como já o fiz por várias vezes, defender o legítimo direito dos trabalhadores à greve, por razões justas e nunca meramente políticas, mas sempre também com bom senso e nunca em condições de antemão conhecidas como geradoras de consequências em que os objectivos, mesmo que alcançados, sejam amplamente ultrapassados pelos prejuízos antecipadamente previsíveis, que fundamentalmente afectarão os trabalhadores, aderentes ou não...
Será que nisto é que reside o verdadeiro patriotismo? Sinal dos tempos dirão, mas muito mau sinal, digo eu!
Mas o exemplo dado é apenas um dos muitos que poderiam ser apresentados, nesta democracia de trazer por casa, e em que os oportunistas e camuflados de democratas muitas vezes podem cantar vitória…Até que a vitória de alguns se converta na derrota de todos; ou, pelo menos, de quase todos. E, mais uma vez, obedecendo apenas ao que conscientemente penso, fui politicamente incorrecto. Neste âmbito as minhas ambições são nulas, ou melhor, resumem-se a tentar servir o país, mas mesmo que assim não fosse, nada, mas nada, me faria mudar de conduta. E se tal vier a suceder, por favor levem-me, de imediato, a uma junta médica, pois que de certeza que a mente se encontra danificada…
P.S. mas sem qualquer significado partidário: alguém se lembrou que uma eventual redução nas vendas poderá acarretar o despedimento de milhares de trabalhadores? Questão de nula importância, certamente, para alguns arautos de falsos patriotismos…

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Minha culpa,minha tão grande culpa;talvez mesmo que minha máxima culpa...

por Campos Barros a Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012 às 20:25
Sem qualquer complexo ou mesmo pejo,já por várias vezes dei público conhecimento de ter sido, tempos passados, um apoiante do Prof. Cavaco Silva,convencido estar tratar-se do político que melhor servia os interesses dos portugueses. Sucede que,ainda convencido ser possuidor de qualidades que o distinguiam dos seguidores fieis do tenho qualificado de "política à portuguesa", em que o politicamente correcto impera,o apoiei na primeira candidatura à Presidencia da República,até porque nenhum dos restantes candidatos me oferecia garantias mínimas-na minha visão pessoal-para o desempenho da mais alta magistratura do estado.Mas pouco  durou o meu encanto,pois que rapidamente as  desilusões surgiram,com intervenções que a maioria não compreendia,pela matéria tratada,pela falta de oportunidade ou mesmo pelas duas coisas...E quando a situação do país se agravava e em que o país aguardava com ansiedade,mas também com esperança,uma palavra do Presidente da República que o esclarecesse e "convidasse" os responsáveis governamentais a mudarem de rumo,eis que surge a cálebre alocução sobre...a legislação relativa os Açores!Muito mais haveria a referir-nem sequer uma mensagem dirigida à A.R. foi ouvida- e o país a dar,dia a dia,sinais de que o rumo não seria o mais adequado.Candidatura para o segundo mandato e eis-me a votar,não escondo,na mesma personaidade,mas aqui por uma razão muito específica:considerar a candidatura como a menos má de todas as apresentadas,,,E,neste segundo mandato,repetiram-se discursos,alocuções,entrevistas,comentários que nada de novo trouxeram e que por vezes tiveram mesmo o "mérito"de agradar a todos os quadrantes políticos.É certo que criticava,embora que nunca directamente,procedimentos e opções,chamava a atenção para algumas situações perigosas para que o país se encaminhava.-mas isso qualquer cidadão minimamente consciente e esclarecido reconhecia-mas soluções concretas,essas nunca foram apresentadas.Dirão que ao P.R. não compete governar,mas no mínimo,compete evitar que se governe mal,quando não mesmo contra os interesses do país;e de modo não é suficiente,nem no grau mínimo,alertar,dizer que já alertou e avisou.Considero,assim,as  intervenções repetitivas,sem quaisquer consequências práticas,parecendo por vezes ser  intenção prioritária apoiar ou criticar partidos e não opções políticas.Trata-se meramente de uma opinião pessoal,mas é a minha;e a democracia é istoi mesmo.Surgiu,é verdade,há alguns meses uma inovação:a comunicação pelo Facebook,mas de um Presidente da República espera-se e exige-se um pouco mais...
Por tais motivos,nem sequer me encontrava disposto a ouvir a mensagem de Ano Novo,por nada esperar de original mas resolvi testar a minha capacidade de previsão-no âmbito dos discursos presidenciais-e a verdade é que acertei em pleno;é que difícil,mesmo difícil,é acertar no euromilhões...
Referir o que todos consideram academicamente necessário,para tentar debelar a crise,fácil é;conciliar realidades que ninguém se atreve a negar,com a concretização de objectivos que todos desejam,é um pouco mais complicado!É,portanto,oportuno afirmar:soluções precisam-se;apenas críticas,dispensam-se.É que,no âmbito da crítica,até a minha humilde pessoa pode ter uma palavra a dizer;mas a verdade é que não sou Presidenta da República.E por tal aqui fica o que penso.Inclusive uma sincera crítica a opções passadas.E o título diz tudo,penso...

sábado, 31 de dezembro de 2011

NOTAS…NEGATIVAS
Algumas situações e comportamentos ocorridos recentemente ou mesmo tiveram lugar em períodos menos recentes ou quase constantes no quotidiano dos portugueses, levam-me a tecer algumas considerações, como sempre com o único objectivo de tentar esclarecer e alertar os que, no turbilhão do dia a dia, frequentemente deixam passar em claro o que, na minha modesta opinião, mereceria uma outra atenção e profunda reflexão. Vejamos, então:
Assisti recentemente, atento mas quase que escandalizado, a uma entrevista, quase que um monólogo, numa das estações de TV , em que o conhecido -vai a todas – Padre Vítor Melícias, defendia, com grande entusiasmo e determinação – pelo menos assim  o parecia - princípios que deveriam ser seguidos e procedimentos a adoptar pelos portugueses, numa tentativa, talvez, de os incentivar a seguir o seu exemplo, aproveitando todas as oportunidades para garantir uma reforma ao nível da que aufere, segundo publicitado na Comunicação Social: apenas, repito, apenas 7.450€/Mês, sim mês…A entidade em causa pertence à Ordem dos Franciscanos, os que fazem votos de pobreza, castidade e obediência, pelo que se verifica, na sua conduta, uma coerência total com os votos proferidos…Refiro-me, como é lógico, à pobreza – à vista de todos – e à obediência, ao poder do dinheiro e à atracção dos altos cargos. E é Franciscano; onde chegaria, se não o fosse! Mas há uma lacuna, penso eu, no percurso: muito embora fervoroso aficionado das touradas, penso que ainda não foi Presidente da Sociedade Protectora dos Animais. Mas sócio certamente que será…
A alegria que de nós, na sua grande maioria, se apodera nesta época festiva, foi, pelo menos no que me diz respeito, profundamente afectada pelas sucessivas notícias referenciando casos de enormes carências, quase sempre alimentares e de alojamento, chegando-se à vergonhosa, repito, vergonhosa situação de escolas se manterem abertas, fora dos períodos normais, exclusivamente para garantir refeições aos alunos que, de outro modo, iriam aumentar o número dos que todos os dias fome passam. E que dizer dos milhares de portugueses, que para mitigar a fome, recorrem diariamente a diversas instituições, muitas das quais já lutam com enormes dificuldades para cumprirem a sua extraordinária missão? E como classificar a situação de outros tantos milhares que apenas sobrevivem em vãos de escadas ou prédios devolutos, graças ao trabalho e dedicação de centenas, diria mesmo milhares, de seus semelhantes que, abdicando do seu justo repouso vão junto deles levar a sua ajuda?
O sofrimento e o desespero dos que necessitam de tais ajudas, só tem equivalência, na sua dimensão, com a generosidade e espírito de sacrifício dos que com eles se preocupam. Será isto a tão apregoadas justiça social? Será que os integrantes dos sucessivos governos – muito embora com responsabilidades graduadas – não terão problemas de consciência por terem permitido, ou pior, por terem contribuído para que as situações expostas sejam uma realidade, cada vez mais gritante? Será que cada um de nós e, portanto todos, não terá também um peso na consciência, por ter colaborado, directa ou indirectamente, na gestação de uma realidade que a todos envergonha? Será que, pelo nosso alheamento ou mesmo por escolhas pouco esclarecidas e eivadas de “partidarite”, não somos coniventes em outras situações em que a democracia não passa de letra morta, permitindo que um capitalismo por vezes quase selvagem, quando o não é de verdade, domine em absoluta a força do trabalho, esquecendo a componente, para mim obrigatória, social do capital?
Tantas e tantas interrogações que apenas poderá ter como resposta um sim; pelo menos que seja um sim que origine um sincero desejo de mudança. E pensar eu que os dois milhões de Euros que todos os dias se desperdiçam na saúde, permitiriam reduzir drasticamente o número de portugueses, lançados por compatriotas seus na miséria e na desgraça…E a minha revolta maior é ainda quando constato que procedimentos que me não coíbo de qualificar de criminosos – roubo do erário público e, assim, roubo da felicidade de muitos – ficam impunes, à semelhança de tantos outros roubos e crimes e dos gentilmente chamados “desvios”. Triste justiça, a nossa, controlada – não encontro outra justificação – pelo poder político e pelo poder dos grandes lobbies!
Depois disto que ninguém se admire que, como já tive ocasião de escrever, aumentem o número de portugueses que começas a duvidar que a democracia seja o menos mau de todos os sistemas políticos.
E, para terminar, uma nota de optimismo e, portanto, positiva: por que não nos inspiramos, no desígnio de inversão de comportamentos e situações, no extraordinário exemplo, de luta pela sobrevivência, enfrentando vagas alterosa e ventos da maior intensidade, que a todos foi dado pelos seis pescadores há semanas naufragados, com destaque para o seu mestre? Se assim for, também as vagas alterosas com que Portugal se defronta serão vencidas, sendo fundamental não esquecer que todos navegamos no mesmo barco e, portanto, todos seremos vítimas, em caso de naufrágio; todos não, que  os oportunistas, os falsos profetas, os que da política apenas se serviram, já têm o futuro garantido, seja em Paris ou noutro qualquer refúgio…
Sei perfeitamente que este meu grito de revolta de modo algum terá o eco e a receptividade correspondente à força que lhe quero imprimir, mas pelo menos dele terei a recompensa de me garantir a entrada no Novo Ano com a consciência do dever cumprido: ser fiel a mim próprio e deitar cá para fora o que não quero que apenas a minha alma guarde. Que todos os portugueses possam entrar em 2012 com igual sentimento. Que 2012 nos traga a esperança de um Portugal mais justo, mais solidário e com menos desesperados…

sábado, 24 de dezembro de 2011

Por este caminho, não…
Factos, reacções, comentários e opções políticas ocorridos no decorrer de uma Assembleia Municipal, de que sou membro da mesma, integrado numa Coligação, mas na qualidade de independente, levaram-me a reflectir sobre os caminhos que a política em Portugal tem trilhado e as consequências, reais, indesmentíveis, verdadeiramente catastróficas a que deram origem, nas diversas áreas da actividade nacional – económica, financeira, de justiça social e judicial – afectando do mesmo modo a própria independência nacional, e a dignidade e prestígio de uma nação
Jogos partidários, tendo como único objectivo a conquista do poder a todo o custo, o poder económico e financeiro a controlar o poder político, através de lobbies que todos conhecem mas que ninguém, até agora, tem tido a coragem de combater, organizações mais ou menos secretas, com ou sem aventais, servindo-se do seu enorme peso para atingir objectivos frequentemente muito pouco claros, constituem a face oculta, muito embora não tão oculta como alguns pretenderiam, de uma democracia que, por vezes, pouco mais parece ter dela o simples nome.
E no meio de tudo isto, perde-se a Ética, o sentido da missão de servir, permitindo que uma das mais nobres actividades que a permitem concretizar – a actividade política – cada vez seja vista como um simples meio de subir na vida, com pouco trabalho mas com atraentes recompensas…E, como ainda ontem escrevi, se tem de acreditar que a maioria dos que se dedicam à actividade política se não enquadra na visão quase generalizada que os portugueses têm dos políticos e dos partidos, pode e deve essa mesmo maioria a meter ombros à tarefa de restituir à vida política, e portanto aos próprios partidos, a dignidade e o prestígio indispensáveis para que os portugueses continuem a considerar, como por vezes é dito, a democracia como a menos má dos sistemas políticos e não se sintam tentados a aceitar haver, afinal, um outro sistema menos mau…
Mas quando, e refiro-me apenas a alguns acontecimentos mais actuais, se vê um partido a votar, na A. R. contra um voto de pesar pela morte de alguém – Vaclav Havel -que representa um exemplo da luta pela liberdade e pela democracia, quando na mesma A R. um partido há que condena a venda de acções  da EDP a uma empresa estrangeira, por a mesma se localizar num país ditatorial e sem liberdade, esquecendo – se que a sua referência política foi a Albânia - quando se assiste à defesa do não pagamento da dívida externa  e ao recurso a um meio que ponha a tremelicar as pernas dos nossos credores, quando responsáveis governamentais reduzem a dimensão da nossa pátria, reduzindo a possibilidade de a língua portuguesa continuar ser ensinada no exterior, a familiares dos nossos emigrantes, numa tentativa de se pouparem tostões, em contraste com milhões consumidos em reformas verdadeiramente escandalosas e mesmo imorais, em administradores de institutos e empresas públicas ou público – privadas ,esperando-se, dia a dia, o cumprimento de promessas ainda não cumpridas da moralização de tais situações, quando não há a coragem política – pelo menos ainda não houve – de renegociar os contratos daquelas empresas, em condições que hipotecaram, durante cerca de 40 anos, o presente e o futuro de algumas gerações, o que mais haverá para dizer? Mas talvez haja: a esperança que, face a situações reais que dia a dia se nos deparam, e tendo em conta o estado da justiça em Portugal, passe a ser frequente ver criminosos a julgar elementos policiais ou mesmo juízes que tiveram a coragem de os condenar…Quando se assiste a “guerras” entre forças policiais para a conquista de louros, de protagonismo e de demonstração de maior capacidade, conforme foi publicitado, a propósito de duas situações de sequestro de duas personalidades de relevo público, tudo se pode aguardar.
É tempo de arrepiar caminho, até porque o que tem sido usado, por tão utilizado, tão esburacado está. E na minha condição de simples cidadão, muito longe dos iluminados que para tudo encontram solução, numa tentativa desenfreada de nenhuma solução ser encontrada, de modo a que, para seu interesse, tudo se mantenha, arrisco -me a sugerir, o que frequentemente tenho feito e que me parece permitirá restituir á acção política a nobreza a que a mesma tem direito: um sistema eleitoral que garanta aos eleitores terem nos eleitos verdadeiros seus representantes, a quem possam exigir responsabilidades nos casos em que as suas funções forem desvirtuadas: os tão propalados círculos uninominais. E como quero acreditar no espírito de missão e na honestidade política, e não só, da maioria dos deputados em funções, eis uma ocasião para demonstrarem os seus atributos, avançando com o estudo da revisão da legislação em vigor, o que, estou certo, recolheria o apoio de grande maioria dos portugueses. E, finalmente, veríamos uma maioria a trabalhar a favor do interesse nacional!
Entretanto, e no que me diz respeito, uma coisa posso afirmar: por muitos que sejam os que preferem continuar no caminho que conduziu à situação quase que sem retorno em que nos encontramos, este simples cidadão nunca tal caminho trilhará. E, felizmente, muitos me acompanharão no caminho que, desde muito jovem, escolhi…
Para todos os que tiverem a paciência de se debruçarem sobre o que acabei de escrever, e que pelo menos terá o simples mérito de dar corpo ao que na alma me vai, os sinceros votos de um Natal com muita saúde; porque desejar muito mais, nos tempos que correm, é mera hipocrisia; e tal não é, seguramente, um dos muitos defeitos que certamente terei.