Um país em acelerado processo de autodestruição…
Não sendo especialista em finanças ou economia, há situações
que, de modo algum, posso deixar passar sem a formulação de qualquer
comentário, quer pela sua natureza, quer pela sua dimensão, muito especialmente
quando está em causa a sobrevivência de Portugal, como país independente.
Sucede que a realidade concreta do actual estado da nação-e não há demagogias,
ou mesmo mentiras, que vençam a frieza, mesmo quando cruel, dos números- me
obriga, até como mero princípio de Cidadania, a lançar um sentido “Grito de
Alerta”
E são os números, precisamente, que motivam esta Nota,
números que permitem conhecer os valores de dois vectores fundamentais para a
“saúde” do país: o “Deficit”, relativo
ao período de um ano e a “Dívida Pública”, valor de que o Estado, externa e
internamente, através dos seus diversos compromissos financeiros, é devedor.
Acontece que, principalmente por parte dos actuais
governantes, sucedem-se as manifestações de satisfação pelo resultado
conseguido relativamente ao Deficit do ano findo, enquanto muito poucas
referências merece o valor da “Dívida Pública”, registada no final do mesmo
ano.
É indiscutível que o valor do Deficit relativo ao ano findo
constituiu uma agradável surpresa, merecedora de ser devidamente salientada,
mesmo tendo em atenção o eventual recurso a meios pouco ou nada transparentes.
De qualquer modo, o resultado oficialmente alcançado, ocupou, durante semanas,
o lugar cimeiro na comunicação social portuguesa, sucedendo-se as entrevistas,
debates, artigos de opinião e quejandos, o que permitiu passar para segundo
plano uma realidade que afectou, afecta e continuará a afectar, por alguns
decénios, as condições de vida dos portugueses, o que significará condenar as
gerações mais novas e as que se seguirão, a viverem num país hipotecado e em
subordinação total às vontades dos nossos credores. Refiro-me, como facilmente se adivinha, à chamada “Dívida Pública”, já
citada nesta Nota. E o seu valor, no final de 2016, era apenas, repito, apenas
de 241.100 milhões de €, o que significa 24.000€ por cidadão! Coisa de pouca
monta, como facilmente se deduz…Apenas
130%, do PIB (Produto Interno Bruto).
E como também muito facilmente se conclui, todo o ruído que
se gerou, com o anuncio do valor do Deficit de 2016, teve o condão de fazer
passar para segundo plano o gravíssimo problema do valor da Divida Pública que,
ano após ano, vem crescendo, levando o PS e o BE a constituírem um grupo de
trabalho, integrando especialistas por eles escolhidos e tendo por missão
analisar o caso concreto de Portugal, de modo a obter o valor real daquela
dívida e apresentar a melhor solução para resolução do gravíssimo problema, que
mina a saúde financeira e económica do país, colocando em alto risco a continuidade
de Portugal como país independente, em que apenas o vector território sairá
ileso…E, com base nos quantitativos acima referidos, e só repito para que os
cidadãos fiquem conscientes do pântano em que estamos mergulhados, a D.P. representa 130%
do P.I.B.! Quanto à solução
proposta, eis um resumo da mesma: “Alargamento para 60 anos, em alternativo aos
15 presentemente acordados, dos prazos de pagamento aos credores europeus,
acrescido da descida dos juros em vigor”. Como seria de esperar, a solução apresentada
não foi aceite.
É este o resultado de décadas de politicas verdadeiramente
criminosas, em que o interesse público frequentemente se submeteu aos
interesses pessoais ou de grupos, através da “Gestão Danosa” da coisa pública!
E se no respeitante ao Deficit de cada ano, é possível referenciar os
responsáveis pelos resultados obtidos, sejam positivos ou negativos, já no
respeitante à D.P. a situação altera-se profundamente, dado ser a mesma
resultante do acumular de dezenas de
anos de governos incompetentes, salvo eventuais excepções, mas fundamentalmente
de governos hipotecados ao poder económico e financeiro e sofrendo a influência
nefasta de organizações mais ou menos secretas, influência essa que se fazia e
faz sentir nas mais diversas áreas da actividade nacional…
Entretanto a corrupção quase que foi institucionalizada,
beneficiando de uma justiça que não funciona ou funciona muito aquém do que se
pode exigir.
E o mais espantoso, ou talvez não, perante a quase
indiferença dos principais lesados, os cidadãos, que com o seu voto,
privilegiando por norma sempre as mesmas forças políticas, legitimam nas urnas
comportamentos altamente lesivos dos seus justos interesses! E assim, pode ser afirmado que, por acção ou omissão, todos somos
culpados…
E, com este comportamento, o futuro dos mais jovens e de gerações vindouras, apresenta-se
hipotecado e demasiadamente comprometido.
Porque me recuso a conceder, a filhos e netos, o direito de me
acusarem de cobardia, intelectual e politica, por várias vezes tenho lançado
alertas sobre o rumo que estamos a seguir e que tudo indica nos conduzirá ao
abismo; entretanto, esta Nota significará, não o fim da luta que tenho travado
na defesa do que considero o interesse nacional, mas como que o sumário das
mais diversas intervenções que, ao longo de muitos anos, me tem sido
proporcionado fazer. E, propositadamente, não referi personalidades nem organizações politicas em
concreto, deixando, aos que tenham acesso a esta Nota e tal pretendam fazer, a tarefa de
estabelecer as devidas ligações, entre factos e responsáveis pelos mesmos…
E, por último, aceito, como impõe uma democracia de verdade,
diferenças de opinião. A exposta á que
traduz o meu pensamento, fruto de uma vivência politica que começou nos meses
que antecederam um cada vez mais saudoso Abril e se prolongou até aos dias de
hoje.
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