terça-feira, 10 de janeiro de 2017

PELA MUDANÇA,QUE IMPERATIVA É...

Que nunca, por cobardia, conhecido seja…
Permitiu-me a idade e o facto de ser militar, muito embora obrigado a deixar muito cedo o Serviço Activo, por acidente em serviço, conjuntamente com a diversidade de actividades a que estive ligado-gestor de empresas, dirigente desportivo, política, quer como militante partidário, quer como Independente, colaborador, no âmbito de Artigos de Opinião, em dois jornais regionais- permitiu-me, dizia, não só conhecer e lidar com imenso número de pessoas, dos mais variados escalões etários   e inseridas nas mais diversas áreas de trabalho, como acompanhar a vida política, nas suas diversidades.
Assim, vivi por dentro o período que antecedeu o golpe de Estado de Abril e os tempos que se lhe seguiram, com o aparecimento imediato, no seio militar, dos primeiros sintomas de desagregação, com tomadas de posição, por parte de uma minoria, totalmente opostas ao que se encontrava previsto e em que o oportunismo político reinou.
Seguiu-se, entretanto, o chamado PREC, envolvendo militares e personalidades civis que viram nele uma oportunidade para impor um regime com o qual a enorme maioria do povo se não identificava, o que originou o aparecimento de forças e organizações defensoras da liberdade e da democracia, às quais dei o máximo contributo que me foi possível.
E, quando se adivinhava uma guerra civil, a ordem e a legalidade foram repostas, através da intervenção de forças armadas, que não pactuaram com o que uma minoria queria impor ao país. Foi o designado por “25 de Novembro de 75”, sendo imperativo realçar o apoio recebido por parte da população civil.
Entrou-se, então, numa nova fase política, em que os partidos tiveram decisiva influência no destino do país, através dos governos que sustentavam, fruto dos resultados eleitorais. E se ao longo de algumas legislaturas foi possível referenciar, nos diversos grupos parlamentares, personalidades de reconhecida qualidade, aos poucos a qualidade foi rareando, atingindo presentemente níveis que em nada prestigiam a chamada “casa da democracia”. E o mesmo sucedeu com os diversos partidos políticos, onde cada vez mais difícil é encontrar, nos seus dirigentes, personalidades reconhecidamente válidas e capazes de obter a confiança da generalidade dos cidadãos.
E a actividade política que, se devidamente exercida, constitui uma das mais nobres missões- servir as populações- tornou-se um verdadeiro negócio, passando aquelas a servirem a classe política. É lógico que existem excepções, que muito dificilmente frutificam, trituradas pela máquina do poder. E, para agravar mais a situação, o actual sistema eleitoral apenas permite votar em partidos, com estes a escolherem os candidatos que mais garantias dão de defender os interesses dos partidos que os escolheram, bem como os lugares que ocupam nas respectivas listas. Deste modo, há candidatos que, mesmo antes das eleições, já se podem considerar eleitos…É lógico que a tão necessária alteração à lei eleitoral, em que o voto nominal passe a ser a pedra angular, não merece o apoio dos partidos com assento na Assembleia da República, dado não serem, de modo algum, masoquistas!
E como, muito embora de modo indirecto, a Constituição é aqui referida, não posso deixar passar em claro dois registos:
-Ao fim de 40 anos de existência, continua a vigorar “o caminho para uma sociedade socialista”;
-Grande parte dos direitos dos cidadãos previstos na Constituição não foram objecto de concretização…Responsabilidade, sem dúvida, dos sucessivos governos, mas também, e em grande parte da mentalidade do povo, que tal permite, dando provas de uma cobardia, intelectual e política, em contraste total com a valentia física, por várias vezes demonstrada…

Porque pretendo não alongar em demasia o texto deste artigo e dado haver ainda matéria que me parece amplamente merecedora de ser abordada, em breve darei a devida continuidade.

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