segunda-feira, 12 de maio de 2014

E 40 anos são passados...

40 anos de  Luz e Sombras
Passados 40 anos do golpe militar do 25 de Abril, a que muitos ainda teimam em qualificar de Revolução, não resisto a dar conta da análise que sobre esse período faço. É lógico que se trata de uma mera opinião pessoal, e muito genérica, mas o facto de ter vivido o período em causa em ligação, por vezes muito próxima, e em alguns casos mesmo com ligação directa, com acontecimentos verdadeiramente relevantes para a vida nacional, me permite dar a minha visão sobre os mesmos com um mínimo de conhecimento de causa.
E não é por acaso que a Luz é a primeira situação a ser referida no título desta peça, pois o facto de ser possível a mesma ser escrita e divulgada publicamente é a prova do muito de positivo que o golpe militar ofereceu ao país…É que a liberdade de expressão constitui uma das pedras angulares de qualquer Democracia, muito embora só por si não garanta que a mesma exista em toda a sua plenitude, como aliás a realidade que se vive em Portugal comprova.
Na verdade, os inegáveis progressos feitos ao nível do ensino, da saúde pública e na habitação, e aqui referidos como meros exemplos do muito de positivo que Abril gerou, não permitem esquecer os verdadeiros pontos negros que constituíram uma descolonização de que de modo algum nos podemos orgulhar, a verdadeira loucura das nacionalizações sem qualquer critério, as ocupações verdadeiramente selvagens, as prisões desenfreadas sem um mínimo de suporte legal, a indisciplina que se instalou nas forças armadas.
É verdade que muitos dos desvarios foram sendo corrigidos, mas quanto não custou ao país os erros cometidos?
E quer dizer de politicas que levaram ao abandono das terras e do mar,  do desbaratar dos fundos comunitários, desviados dos objectivos a que se destinavam e utilizados para fins meramente pessoais?
E se a constituição de partidos e a liberdade para a constituição de sindicatos, bem como o direito à greve, só foram possíveis com a liberdade que Abril conquistou, pergunta-se se os partidos, tal como existem e funcionam, servem o povo, se os sindicatos não se constituíram  fundamentalmente em instrumentos ao serviço de forças políticas e se as greves servem, em muitos casos, os verdadeiros interesses dos trabalhadores?
E que dizer no respeitante à justiça, à lentidão com que se move e a situações que nos permitem admitir a existência de uma justiça para os fracos e pobres, em contrapartida com a que actua em relação aos fortes e ricos? E como qualificar a situação envolvendo as tremendas injustiças sociais que afectam centenas de milhares de cidadãos, com o avolumar do fosso que separa uma classe auferindo de todas as benesses de uma outra vivendo no limiar da pobreza ou mesmo em pobreza extrema, a par do desaparecimento de uma classe média que sempre foi a base do desenvolvimento do país?
Será que o regime vigente oferece garantias de concretização de muitos  dos sonhos que Abril gerou e como meros sonhos ainda permanecem ? Será que o governo do povo, para o povo e pelo povo, pode ser viabilizado pelo sistema que rege as eleições em Portugal, que permite a existência de candidatos com a eleição antecipadamente garantida, em função dos lugares que ocupam nas listas?
A resposta é um absoluto não e o afastamento, cada vez mais notório e profundo, dos cidadãos em relação aos políticos e todas as organizações que os integram, é a prova mais concludente do afirmado.
Urge refundir o regime, restaurar a confiança na classe política e nas instituições a quem compete gerir os destinos do país, substituindo uma partidocracia, que sustenta uma democracia pouco mais do que formal e real, por uma verdadeira democracia. E para tal é fundamental que os eleitores se revejam nos eleitos, o que só um sistema eleitoral em que o voto nominal prevaleça pode permitir.
CIDADANIA em pleno, de modo a permitir o BEM COMUM, é uma exigência dos tempos que se vivem em Portugal. Mas parece que, por muitos, esta exigência ainda não foi entendida…

Certamente que nunca a perfeição será obtida, mas pelo menos que continue a ser possível afirmar-se ser a democracia o menos mau de todos os sistemas políticos…Do que muitos, lamentavelmente, começam a duvidar!

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