Mas que raio de democracia é esta?!...
Razões de natureza vária obrigaram-me a um intervalo no
contacto que venho mantendo com os que dedicam alguns minutos à leitura dos
comentários que vou publicando, intervalo esse aproveitado para a escolha de
algumas situações e ocorrências de âmbito nacional e que constituem a razão de
ser do título escolhido.
E são tantos os “eventos” que esta democracia de trazer por
casa nos oferece, que a dificuldade está na escolha. Vejamos, então.
Comecemos pelo estado
da “saúde” na Saúde, justificado pelo avolumar de situações que, só por si,
poderiam preencher a prosa de hoje. Na verdade, desde o “milagre” de médicos
que conseguem estar em estabelecimentos hospitalares diferente em simultâneo ou
que se encontram a “fazer pela vida” na actividade privada, quando oficialmente
é justificada a sua presença em estabelecimentos de saúde pública, passando
pelos sucessivos casos de receitas médicas apenas destinadas a “sacar”
ilegalmente avultadas comparticipações do SNS, sem esquecer a falta de
determinado tipo de medicamentos, “desviados”, segundo publicitado pela
comunicação social para mercados financeiramente mais atraentes, de tudo se
encontra, de modo que a expressão “é sacar, vilanagem” poucas vezes terá mais
razão de ser para usada ser…
E como classificar o jogo do “agora empurro eu, a seguir
empurras tu”, a que assistimos nas duas manifestações das forças de segurança,
muito em especial no que diz respeito à primeira delas, “jogo” com um
desenrolar de antemão conhecido, e em que tomaram parte “jogadores” usando “equipamentos”
que permitiam admitir, com grande possibilidade de êxito, tratar-se de
elementos estranhos às “equipas” que se defrontavam, mas com funções bem
definidas?
E que comentário pode merecer o “Manifesto dos 70”, não pelo
seu teor, que não pretendo analisar, até por não ter formação académica
adequada, mas pela identidade das personalidades que o assinaram, talvez na
esperança de que a fraca memória dos portugueses já tivesse esquecido as
responsabilidades da grande maioria daquelas, por acção ou omissão, em muitas
situações e comportamentos que conduziram o país à situação de verdadeira
calamidade em que se encontra?
E como classificar a atitude de quem, através de uma posição
garantida como “irrevogável” e que pouco depois seria “invertida”, sem mais
consequências políticas do que um prejuízo de uma “ninharia” de centenas de
milhões de euros para o erário público?
E que dizer das vergonhosas prescrições de processos
envolvendo chorudas maquias, numa prova, já desnecessária, atendendo ao que a
“justiça à portuguesa” já nos habituou, da existência de uma justiça, ou
melhor, da falta dela, para ricos e de uma outra para os pobres?
Isto para não falar da possibilidade dada a alguém que se
constituiu no principal responsável político pela entrada da troika em
Portugal, em semanalmente se apresentar na televisão pública, paga com o
dinheiro dos mesmos portugueses que tanto lesou, procurando explicar o que
explicação não tem e lançando sobre outros responsabilidades que, na sua
maioria, só a si podem ser assacadas…Mas, diga-se em abono da verdade, que os
actuais responsáveis, independentemente da situação herdada, frequentemente
parecem apostados em seguir os maus exemplos…
Mais, muito mais, poderia ser referido – e espero voltar a
este tipo de comportamentos e situações- mas penso que o exposto justifica
plenamente o título escolhido para esta minha intervenção…
Na verdade, e respondendo à minha própria interrogação,
vivemos numa democracia do “faz de conta”, pouco mais do que meramente formal e
virtual, numa verdadeira “partidocracia”, numa ditadura de partidos. E estou a
referir-me aos representados no Parlamento. E é minha convicção que o poder instituído,
na defesa dos seus ilegítimos interesses, directamente ou através de terceiros,
mesmo que por vezes aparentando “inimigos”
serem, tudo fará para que os que lutam por uma mudança, por via democrática, que
altere profundamente o regime vigente, colocando os políticos ao serviço do
povo- e nisto consiste a verdadeira democracia-através de um sistema eleitoral em
que não haja “eleitos” mesmo antes das eleições, como presentemente sucede, mas
em que sejam os eleitores a escolher entre os candidatos os que mais garantia
lhes oferecem.
Por outras palavras: se não existe CIDADANIA e luta pelo BEM
COMUM, também democracia não existe!
Sem comentários:
Enviar um comentário