Temos um Ministro
Bombista?!
A leitura de um artigo, da autoria da jornalista Ângela
Silva, publicado no Expresso de 22 de Dezembro de 2012,intitulado “Miguel
Macedo trava bomba nas mãos de Aguar Branco”, chamou a minha atenção e a
leitura do mesmo de imediato me fez trazer à memória o teor de um despacho,
publicado no D.R.,2ª série-Nº 133-11de Julho de 2012,despacho esse que tem o nº
93448/2012 e que se refere à criação de uma Comissão para a Revisão do Conceito
Estratégico da Defesa Nacional”, matéria que sempre me mereceu a melhor atenção
e a que me já referi por diversas vezes. E mais interessado fiquei quando,
constatei que, no artigo em causa, é feita referência à oposição do Ministro
Miguel Macedo e se refere que no texto do documento elaborado, por um conjunto
de personalidades, algumas das quais a seguir identificarei, se diz que “a
sobrevivência de Portugal está em risco” e se faz referência a um “ataque
brutal à classe política”.
E a leitura do artigo e do que vem publicado no D.R. veio
dar origem a uma forte atração pela leitura do documento elaborado, até porque
a existência de uma bomba, nas mãos de um ministro, e ainda por cima da Defesa
Nacional, e por muita confiança que nele se deposite, é motivo de grande
preocupação…
Outra situação que me causa perplexidade, é o facto de
apenas ter lido, relativamente à matéria em causa, o artigo referenciado, apesar,
e daí o reforço da minha perplexidade, de que tudo isto envolveu uma cerimónia
de tomada de posse, com declaração e assinatura de compromisso de honra de cada
um dos membros da Comissão, presidida pelo primeiro- ministro, e outra
cerimónia de entrega do documento ao Governo, também presidida pelo
primeiro-ministro…E a referida Comissão envolvia personalidades, civis e
militares, de reconhecida capacidade e de várias áreas políticas e
profissionais, algumas das quais passo a referir: Adriano Alves Moreira,
António Vitorino, Francisco Pinto Balsemão, Eduardo Lourenço de Faria, Jaime
Gama, José Loureiro dos Santos (General),Luís Amado, Nuno Vieira Matias (Almirante),
num total de 25 elementos! Mas, contrariamente ao que é habitual, tanto quanto
julgo saber, a comunicação social esteve ausente. Este facto, aliado ao de um
assunto de interesse estratégico para Portugal, ter passado desapercebido e
mantido como que em segredo, permite concluir não haver interesse - e não será
difícil adivinhar por parte de quem- que o mesmo fosse conhecido; a não ser por
parte, parece, da jornalista em causa, parecendo personificar uma controlada
“fuga de informação”, sabe-se lá com que razão…Ou talvez se saiba mesmo, nem
que apenas por simples dedução!
Face ao exposto, consideraria oportuno, até para que os
cidadãos conheçam melhor o modo como se faz política em Portugal, que
jornalistas houvesse que investigassem tudo o que sobre esta matéria averiguado
possa ser, pois que de modo algum posso aceitar que um estudo, que durou alguns
meses, e feito a pedido do atual Ministro da Defesa, e dizendo respeito, mais
uma vez o repito, a matéria de transcendente interesse nacional, tenha o fim a
que parece condenado! A não ser que já haja outra comissão, que não nomeada,
como é lógico pelo Ministro da Defesa, a estudar os resultados constantes do
documento elaborado, com um parecer que, face ao que até à data sucedeu, já
esteja de antemão estabelecido…
Campos de Barros
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